Lista de Poemas

Chá das três

Chá das três

 

Tornei-me quem um dia acreditava nunca poder ser

Tornei-me inteira com você

Contornamo-nos feito um laço

O medo ficou atrás daquela porta

Renunciamos nosso passado

Deixamos nossos pés descalços

Vejo seu leve sorriso, sorrio

Sinto a leveza do seu lar, agora meu

Acomoda-me junto aos seus sonhos, não mais medonhos

Ganhamos infância, nossos dias incendeiam

Quando coloco à mesa mais bonito não há

Meu chá das quinze horas

Fico a esperar-te

Como a passagem de um livro

Fico presa neste capítulo

Não quero avançar

Quero reviver-te quantas vezes forem precisos

Reler-te até meu chá esfriar
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Despreocupada

Aqui nessa visão privilegiada
Sentada à mesa na calçada
Posso observar cada rosto que passa
Eu, mal vestida e despreocupada,
Não me importo com o tempo que passa
Estendo minhas pernas sobre a cadeira
Quase uma preguiçadeira
Sinto descer gelado o malte fermentado
Minha indisciplina, minha regra
Se meus dias estão alheios a minha vontade
Sigo despreocupada, não posso fazer nada
Minha alma segue leve, quase embriagada
Meu olhar quase tático
Entrega o que tenho para compartilhar
Meu silêncio, minha verdade
Falei tudo que tive vontade
Agora se foi de verdade
A distância entre você e meu mundo
Só quando vc pular o muro
Vai saber...


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Deserto

O combinado era não esperar
Sem expectativas, sem prenuncias
Bastava caminhar sem se importar
Logo, o dia findaria
E o tal amor cessaria 
Por muitas vezes argumentamos
Pontuamos aonde poderiamos chegar
Mas perdi o controle e agora tu me culpastes
Em meio a esse deserto
Estava ali, parada aguardando a direção do vento
Olhei muitas vezes ao redor
Nada além do branco existia
Me retratei, e tentei seguir em frente
No presente tão ausente
Não sentia meus pés ao pisar
Eram passos e mais passos
E não saia do mesmo lugar
O combinado era não esperar
Sem expectativas, semprenuncias
Bastava caminhar sem se importar
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Sorte

Sinto-me livre quando estou aqui
Digitando palavras perdidas em mim
Como se estivesse encontrando moedas pelo chão
Com sorte, preenchendo os segundos.
Queria poder te dizer como me sinto quando estou contigo
Quanto  sua boca é minha
Quanto  seu suor é meu
como vejo suas costas arrepiar
Quando desfaleces ao meu lado
fico aqui, catando as palavras em mim.
Como me ausentasse do presente
Deslizando nas memórias recentes
Relembrando como é te ver sorrir
Reproduzindo cada movimento.
Queria poder te dizer como me sinto quando estou contigo
Mas fico aqui me divertindo
Relembrando o quanto é diferente
Quem sabe sejas amor
Quem sabe sejas um exagero
Quem sabe sejas meu...




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Vagalumes

Não me iludo
Apenas fico muda
Quando lembro do seu beijo
E fico a vagalumear...
São lembranças acesas na memória
Recente de quem se fez presente
Sem titubear...
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Contigo

Expressar meu amor nem sempre é fazer o óbvio
Sei que sou egoísta, distraída, e sem jeito
Mas meu amor é verdadeiro, quase um devaneio
Não fico ao meio, estou contigo por inteiro
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Autocura

Em processo de cura
Na a miúde conduta
De não ler mais os versos seus
Sigo triste tormento
Seus escritos estão sobre a mesa
O vento desfolha suas páginas
Me concentro
Retomo a conduta
Mudo a direção do olhar
Respiro fundo
É um vício, sinto meus nervos saltarem
Espalhados no inconsciente
Da memória presente
Corro ao seu encontro
Mais uma vez falho
Seguro contra o peito
Seus versos, devaneios
Parace que vou me alimentar
Acalentar um coração
Que sofre de abandono
Rascunhado por você
Sofro mais uma vez com orgasmos múltiplos
Garrafa vazia, na penumbra desta sala
Entorpecida com a força que usaste na caneta
Preenchendo cada espaço em branco das folhas
Durmo então.
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Interior

Interior

 

Carrego comigo a certeza que o encontrarei

Procuro-te, olho a cada nova esquina

Esbarro em ombros na calçada

Sigo em frente sem dizer nada

Certas vezes sinto-me cansada

Busca que parece não cessar

Sem ser ouvida, ao menos compreendida

Sigo em frente sem ter nada a dizer

Decido viver como se você já estivesse aqui

Olho para o mundo e vejo

Abro a janela do presente

Descortinaram-se as memórias

Pinto as paredes do meu corpo de vermelho

Cuido minuciosamente do meu interior

Encho-me de vida, limpo toda mágoa ou rancor

Forro a mesa com gratidão

Perfumo a sala com honestidade

Meu olhar ganha a amplidão

Acendo as luzes na penumbra do meu ser

Eis, que agora, chegas você.
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Ai amor

Ai amor, eu vivo no Arpoador
Lançando meu olhar no horizonte cor de rosa
Banhado pelas águas salgada, as vezes dourada
Pensando no que passou...

Ai amor, eu vivo no Arpoador
Rindo acompanhada das pedras
Escolho uma e a faço companhia
Que me faz lembrar do nosso dia a dia...

Ai amor, eu vivo no Arpoador
Segurando um galho seco e riscando o chão
Desenhando meus dilemas, enquanto sinto a brisa bater...

Ai amor, eu vivo no Arpoador
Relembrando cada momento, tormentos
Que não me deixa esquecer o que passou...
Ai amor, eu vivo no Arpoador

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Trevo de quatro folhas

Quanto custa uma vida sincera
Quanto custa ser você, qual o valor
Preciso entender, como faço para chegar até você
Te vejo e desejo apenas um abraço
Aquele abraço que enlaça, que toca a alma
Te sentir de verdade, descobrir você
Uma vida modesta, será que presta
Aquela vida onde o sorriso é solto
Caminhar com pés descalços, mãos no bolso 
Uns trocados para sobreviver
E quem sabe ter você...
Na dúvida carrego um trevo de quatro folhas
E mais alguns patuás
Uma garrafa de ciroc
E meu olhar atento
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Comentários (3)

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Dulciney Verediano
Dulciney Verediano
2019-11-04

Maravilhoso

eunicespina
2019-02-06

me adc no insta spina.eunice

silveira
2018-11-09

Ótima poesia. Me reflete.