Lista de Poemas
Tempo
Quanto tempo tem o tempo?
No simples vento que sopra
Nas ondas do mar que vão e vem
Será que o tempo tem noção do seu poder?
Tão grande importância damos a sua relevância?
Só quem precisou dele entende a sua magnitude
Que bons tempos cheguem
E que os que já foram sejam lembrados
Para que no vai e vem das ondas consigamos entender a sua essência
Sérgio Luiz
As Marcas do Tempo
No ventre do mundo, centelha acesa,
Curiosidade, um rio sem represa.
Aos sete, o sonho é vento sem cais,
Semeia estrelas em campos irreais.
Quatorze luas, pés sem fronteira,
Passos dançam na poeira.
Aos vinte e um, o risco é chama,
Brasa que arde, mas não reclama.
Vinte e oito, molda o argila,
Do caos faz forma, da dúvida, trilha.
Trinta e cinco, olhar de aço,
Corta o mundo, forja o espaço.
Quarenta e dois, eco do tempo,
Cada escolha, um firmamento.
Quarenta e nove, vento brando,
Livre folha, céu dançando.
Cinquenta e seis, folhas caem,
Soltam raízes, ventos atraem.
Sessenta e três, outono brando,
O silêncio canta, o dia é quando.
Setenta só resta o ser,
Nada há que se perder.
Setenta e sete, voo leve,
No tempo vasto, nada deve.
Oitenta e quatro, mar profundo,
Silêncio sábio, além do mundo.
Noventa e um, a ampulheta,
Areia escorre, mão discreta.
Noventa e oito, luz dispersa,
Presença nua, sombra inversa.
Quem do tempo faz caminho,
Nunca o vê como espinho.
Rios e Neblinas
A vida escorre como um rio breve,
Que em curvas some, sem rastros deixar,
Seu brilho dança, mas logo se perde,
No mar do tempo, sem se ancorar.
O corpo é terra que o vento corrói,
Frágil castelo de areia ao léu,
Cada suspiro, uma folha que cai,
Levando sonhos ao ermo céu.
A alma é um vórtice em brumas densas,
Um eco incerto no espaço e além,
Um lampejo em névoas imensas,
Que busca sentido onde nada vem.
E o que nos guia nesta jornada,
Onde a fortuna se esvai no chão?
A chama eterna, a luz velada,
Da filosofia em nossa mão.
O Relógio Invisível
O tempo é um rio que nunca recua,
leva os instantes na sua corrente nua.
As palavras não ditas são pássaros mudos,
presas no vento, em voos miúdos.
As chances perdidas são portas fechadas,
chaves que somem em madrugadas.
O depois é um barco que parte sozinho,
sem deixar rastros, sem deixar caminho.
A vida é areia que escorre na mão,
um sol que se esconde sem explicação.
Se há fogo no peito, queime sem medo,
pois a noite apaga o que fica em segredo.
Se há um desejo, que seja vivido,
se há um abraço, que não seja esquecido.
Se há um olhar que implora um instante,
que seja agora, que seja vibrante.
Pois tudo que fica pra outro dia,
vira lembrança, ou vira agonia.
E o tempo, esse rio de águas ligeiras,
não volta atrás para histórias inteiras.
Ser Inteiro
Sê rio que abraça a margem,
sem temer a curva do tempo.
Não deixes metade de ti na nascente,
nem te percas em mar revolto.
Sê chama que aquece e ilumina,
sem arder em vaidade, sem se apagar em medo.
O fogo que se reparte em centelhas
não deixa de ser fogo, não deixa de ser luz.
No grão de areia cabe o deserto,
na gota d’água dorme o oceano.
O universo dança em cada estrela,
pois tudo é pleno quando é inteiro.
A lua não se esconde na sombra,
mesmo quando a noite a fere em silêncio.
Ela brilha em metades e inteiros,
pois sabe que a luz não lhe pertence.
E quando se parte em silêncios de sombra,
não é ausência, mas ciclo e renovo.
O que parece metade é sempre inteiro,
pois a lua nunca deixa de ser lua.
Eterno Brilho do Ser
O tempo esculpe ausências, mas nunca apaga a essência,
pois aqueles que partiram são rios que correm dentro de nós.
Não se perdem no horizonte da existência,
apenas se dissolvem na brisa do sempre.
O que é a presença senão um eco na alma?
Um reflexo de luz na água do tempo,
onde cada lembrança é um farol aceso
no oceano infinito do que fomos.
A matéria se desfaz, mas o vínculo persiste,
como um sol que se esconde apenas para renascer.
O amor não se mede por toques e vozes,
mas pela chama que aquece o vazio.
Nada se perde quando o sentir é eterno.
Somos feitos de rastros de luz,
e aqueles que nos moldaram jamais desaparecem—
são parte do que somos, do que seremos,
do que nunca deixaremos de ser.
Sob a Égide da Lua Rubra
No céu carmim, ela dança em segredo,
Guardiã de amores, desejos e sonhos.
Cada raio que tinge o mundo em degredo
É um sussurro de amantes, doces e risonhos.
A noite envolve, como um abraço terno,
Enquanto a Lua nos observa em paixão.
Corações pulsando, num compasso eterno,
Sob seu rubro véu, ardendo em união.
És, ó Lua, cúmplice dos beijos furtivos,
Das promessas que o silêncio guarda.
Na tua luz, dois mundos se tornam vivos,
E o infinito em seus olhos arda.
Teu rubor, espelho do fogo que invade,
Cada alma que ousa se entregar.
És símbolo do amor em sua eternidade,
No compasso dos astros a nos guiar.
Sob ti, amamos, frágeis e inteiros,
Como estrelas que brilham no mesmo destino. Pois na Lua Vermelha, somos primeiros,
A dançar na órbita do amor divino.
As Marés da Verdade
Caminho na estrada do ser, onde a verdade é minha luz, não moldo minha essência ao mundo, não visto máscaras de ilusão.
Se meus passos desenham distâncias, não é perda, nem solidão, mas o eco do que é sincero separando sombra de clarão.
Quem teme o olhar sem véus, foge do brilho do real, pois a pureza incomoda os olhos que se acostumaram ao banal.
Não sou eu quem perde o laço, nem quem solta a própria mão, são os ventos que levam os fracos de volta à sua escuridão.
E assim sigo, livre e inteiro, sem pesar quem se desfez, pois na dança das marés do tempo, só fica quem tem a mesma fluidez.
Recomeços
Quero mais do que o tempo nos permite medir,
Ser além da presença, do toque, do olhar,
Ser o silêncio que fala quando não há o que dizer,
O abrigo na tempestade, a paz no caos do sentir.
Quero ser teu caminho nas curvas e retas,
Não só seguir, mas construir com mãos entrelaçadas,
Entre sorrisos que aliviam e lágrimas que ensinam,
Fazer do simples o sublime, do instante, eternidade selada.
Que sejamos o que o vento não leva,
O que a noite protege no seu manto escuro,
Uma verdade entre as ilusões do mundo,
Dois corpos, duas almas, um porto seguro.
Mais do que estar, quero ser:
O reflexo da tua força, o eco dos teus sonhos,
E no ritmo do tempo, crescer junto a ti,
Não como metades, mas inteiros, completos, em harmonia.
Pois no mistério do afeto que nos une,
Há uma beleza que não se pode explicar,
É o infinito que toca o agora,
E na simplicidade de ser, é onde vamos brilhar.
OS PASSOS
Os passos são sentimentos que são traçados no decorrer da vida
Vida que pode ter significado ou ser apenas uma história
O seu enredo pode definir a sua trajetória
Passos que podem ser as pegadas na areia da praia
Ou pegadas que podem ficar marcadas na sua história ou na minha
O seus traços são marcas únicas e próprias do seu ser
Ser mutável ou imutável na jornada chamada "VIDA"
Que as suas pegadas signifiquem algo para você ou de outrem...
Somos o que pensamos ser, mas não deixemos de buscar os horizontes que explicam outras ideias, outros pensamentos...
Ser ou não ser eis a questão...
Sérgio Luiz
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