Lista de Poemas
folha
se pudesse
E acorrentaria o vento
Se te pudesse amar sairia voando
E as marés em sossego ficavam
Se te pudesse amar sairia de mim mesmo
E ordenaria que parasse o tempo
Se te pudesse amar sairia de azul
E os céus em mim mergulhavam
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São Pedro da Cova - MINAS
terra negra e amiga
devorada de tanto negro
de gente simples
malteses enrolados
nas suas mantas descoloridas
sem casa nem lar
só trabalho e vida para dar
os corpos
sobre as cinzas negras destas terra,
seguem
os ruídos das águas da mina,
nas picaretas em uníssono
dos metais em desatino,
as mulheres de negro vestidas
suas almas chorando
dor e raiva nos peitos contidas
seus homens esperando
que cabisbaixos sangravam
no fundo da mina
um pedaço da vida largando
em mais um dia
a saúde em agonia
em carvão a vida esvaziando
finalmente as grilhetas abertas
a mina fechou
outra vida chegou
a dignidade desperta
soltou medos e voltou
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Deixem o sonho entrar
vazio
O vazio apoderando-se de mim
já não respondo
à ausência dos pensamentos em fuga
o alerta toca e disparo sem fim
em todos os sentidos
não parando para pensar
e dos gritos rapidamente lançados
de imediato um arrependimento neles vai
mas já não pára
é tempo de relaxar
sorrir para o dia que se acaba
descansar o corpo pleno de vontades
perder-me em sonhos que hão-de chegar
devagarinho
deixando-me ficar quieto e tranquilo
aqui comigo, contigo
e com todos que venham bailar
sfsousa/olharomar
uivos
Oiço ao fundo um uivo cortando o silêncio da noite
que nos acolhe em seus braços
será o uivo doutro alguém
que vagueia sem destino na noite que não acaba
e em noite não se querendo transformar
chama pela sua alma gémea
algures perdida noutro lugar também -
em desfiladeiros inacessíveis
os seus gemidos são trazidos pelo vento
e chegam com a força dum raio
atingindo todos os meus sentidos -
está perdida como eu
é alma errante em busca do amor que não chegou,
com o peito cansado de tanto uivar
e à lua pedindo seu amor de volta das trevas da noite.
Olho ao longe
e chegam lágrimas abençoadas do céu,
lágrimas que correm sem medo
mas não me sinto só -
o som do silêncio é o meu companheiro eterno -
esse uivo desperta meus sentidos
e me coloca em alerta
me consolando mas mostrando a parte visível do meu abismo -
Outro uivo sai das profundezas da minha alma
mas será que alguém pode ouvi-lo ?
Ninguém..certamente
sfsousa/olharomar
Ausência
Onde estás que não te sinto
Aguardo tua visita que não vem
Neste imenso vazio que me rodeia
Bebendo pecados de permeio
Retirando a esta espera mais um desejo
Que neste dia desperta
E em mim descansa
Porque partistes e não senti
Voaste e desejei-te
Em silêncio aguardei
Mas fugiste
E nem uma palavra de volta
Me enviaste
Aguardo-te neste meu canto
Sem destino mas com anseio
Perdoando este segredo que maltrata
Esta alma perdida em devaneio
sfsousa/olharomar
de todos os sonhos
Venham borboletas
Poisar no teu rosto
Belas e efémeras
Como o amor de um dia
Que não chega a ser vida
Nem semente
Mas espera somente
Venham borboletas
Tocar meu rosto
Mesmo efémeras
São fadas desejadas
Em sonhos esquecidas
Já não andam perdidas
São correntes de amor libertadas
meu blog: http//rosadesangue.blogspot.com
Comentários (2)
Fantastico este outro lado do silencio invandindo minhas veias viajei dentro de cada palavra parabéns amigo um abraço
Que linda poesia,realmente me tocou
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