Lista de Poemas
Além do Adeus
O destino, feito vento,
soprou-nos para margens distintas.
E o amor que era chama acesa,
Transformou-se em lembranças e cinzas.
Ainda assim, levo comigo
a doçura do que poderia ter sido,
um eco de eternidade
que não se apagará no vazio.
Pois amar também é perder,
é cuidar mesmo de longe,
é desejar que sejas feliz,
mesmo que não seja ao meu lado.
Da lágrima nasceu a esperança,
e da perda, a fé no recomeço.
Pois cada fim é semente,
e cada adeus carrega um amanhã.
Se não foste tu o meu sempre,
será aquela que o tempo me reserva.
Nos meus olhos, um oceano,
nos meus passos, o vazio.
E na alma, a certeza amarga:
o amor também sabe ser silêncio.
Se um dia lembrares de mim,
não será com mágoa, mas com ternura.
Pois até no não ter,
o meu sentir foi verdadeiro.
Não nego: doeu,
mas da dor nasceram sementes,
e dos cacos brotou coragem.
Pois até no fim existe começo,
até no adeus mora um amanhã.
Assim sigo, com o coração aberto,
crente no tempo e no recomeço.
Pois se não foi contigo,
será com aquela que me espera além do tempo.
Carrego a verdade nua:
machucou, ficou vazio.
Mas aprendi: até o amor
às vezes não é suficiente.
Não te culpo, não me culpo.
Apenas seguimos, estranhos com muitas boas lembranças.
Por: Sebastião Xirimbimbi
O poema tardio
Nos meus arquivos, encontrei um poema.
Um que devia ter sido enviado,
devia ter sido lido,
devia ter sido sentido
faz tempo.
Um poema escrito com a ternura da alma e um profundo sentimento.
Julguei que o tempo me esperaria,
mas ele, impaciente, seguiu sem mim.
Prometi a mim mesmo: ‘Depois eu mando.’
E o depois virou nunca.
Hoje, reencontro essas palavras caladas,
e percebo que cheguei tarde;
não por falta de amor,
mas por excesso de espera.
Se o tivesses lido...
Talvez soubesses do silêncio que me pesava,
dos sorrisos que fingia,
dos dias em que quase escrevi teu nome
no lugar da minha assinatura.
Se o tivesses recebido...
Talvez me ouvisses sem precisar falar,
talvez descobrisses que entre uma vírgula e outra
eu dizia: ‘fica’.
E se eu tivesse enviado?..
Enfim, não enviei.
O poema ficou aqui,
preso entre a dúvida e o medo,
escondido entre os rascunhos que o coração esqueceu.
E eu segui.
Ou fingi que segui.
Porque há passos que se dão com os pés,
e outros com coração e fé.
Às vezes penso:
se tivesse enviado,
terias ficado?
Terias entendido as entrelinhas?
Ou lido apenas mais um poema inofensivo entre as linhas?
Hoje envio, mesmo tarde.
Não pra mudar o passado,
mas pra libertar o que ficou preso em mim.
Se chegar a ti, que seja leve.
Se não chegar, ao menos estarei leve.
Porque há palavras que não foram feitas pra serem lidas
foram feitas pra serem sentidas.
Por: Sebastião Xirimbimbi
Coroas Tortas
África,
minha mãe cansada de coroas tortas,
de reis que não sabem partir,
de tronos que criam raízes no chão do medo.
O poder virou espelho;
quem se olha nele esquece o povo,
apaixona-se pela própria sombra,
e chama isso de liderança.
Eles não largam o trono
porque o trono é o último abrigo,
onde a culpa dorme,
onde o ouro canta,
onde o medo veste terno e gravata.
Dizem:
“Sem mim o país cai.”
Mas o país já caiu;
caiu na escola sem livros,
na criança sem pão,
no jovem sem teto e sem chão,
no velho sem voz,
na rua que chama pelo nome da justiça
e ninguém responde.
Nossas constituições são elásticas;
esticam-se ao tamanho da ambição
dos que juram servir,
mas só servem-se a si mesmos.
E nós?
Ficamos aplaudindo as promessas,
como se aplauso fosse voto,
como se paciência fosse paz.
Mas o vento está a mudar.
Há tambores novos a bater no peito da juventude,
há vozes que recusam o silêncio,
há mentes que já não se ajoelham.
O futuro não cabe num palácio.
O futuro mora na rua,
no grito que sobe das mãos vazias,
no olhar que já não teme o rei.
Um dia,
os tronos hão de cair;
não com armas,
mas com consciência.
E então,
o poder deixará de ser coroa,
para voltar a ser serviço.
Por: Sebastião Xirimbimbi
Só o amor não é suficiente
Mas ainda há amor; e muito!
Mas só o amor não é suficiente para estarmos juntos.
Um relacionamento exige muito,
Esforço, sacrifícios e respeito mútuo!
A loucura desse amor tornou-nos lúcidos,
Para seguirmos diferentes rumos!
Depois de tudo que passamos juntos,
Percebi que o nosso amor suportava tudo,
Mas não foi forte o suficiente para nos manter juntos.
Não víamos as mesmas visões,
Não vibramos as mesmas vibrações.
Tínhamos propósitos divergentes,
E estilos de vida completamente diferentes,
Por isso só o amor não foi suficiente para gente.
Por: Sebastião Xirimbimbi
Mergulho 2
Quero nos momentos frios aquecer-te com o meu calor de amor
Para sentires a minha presença quando te sentires só.
Teu Sorriso
Do teu meigo sorriso
Inocente e belo como o paraíso
A curva mais sexy e sedutora do teu corpo está no teu sorriso
Conta-me o segredo desse teu doce sorriso
Que trás em mim uma inexplicável paz de espírito
Transporta-me para além do infinito
Do teu sorriso
Simpático e bonito
Como tenho pena de quem não tem a oportunidade de apreciar o teu sorriso
Encantador e formoso sorriso
Esse teu mágico sorriso
Transforma o dia mais sombrio
Em radiante, alegre e lindo
Teu sorriso transmite segurança
Como o abraço do adulto à uma criança
Teu sorriso enverdece a esperança
Sei que nem todo sorriso é sinónimo de felicidade
Mas no teu sorriso eu vejo a verdadeira definição de felicidade.
Por: Sebastião Xirimbimbi
Heroísmo
Escrita com a cor rica de uma humilde caneta.
Heroísmo está nos poemas de Neto,
e nas ficções de Pepetela;
Heroísmo está na paciência desse povo;
Na sagrada esperança da geração da utopia que precisa de 148 milhões para construir no trabalho o homem novo, e com canoas milionárias fazer a travessia do rio de pobreza que todos os dias afoga milhares de jovens na delinquência.
Heroísmo está nos discursos de união e africanistas de Sankara; Nas canções de David Zé, e nos cartoons que levam a uma profunda reflexão de Piçarra.
Heroísmo está no poema do semba do Paulo
Que me faz suportar o orgulho em ser Angolano.
Heroísmo também está no "Zé kitumba" de Bonga,
Mas o maior ato de heroísmo de todos é o de nascer em Angola.
Por: Sebastião Xirimbimbi
Por trás do sorriso de um palhaço
Há uma alma aflita necessitando de um abraço,
Um coração frágil, que muitos julgam ser de aço
Por trás do sorriso de um palhaço
Há um espírito amargurado e angustiado;
Um rosto que é continuamente molhado
Por lágrimas que transbordam como um oceano.
Por trás do sorriso de um palhaço
Há um coração que almeja ser amado
Por trás do sorriso de um palhaço
Há um ser silenciosa e amarguradamente gritando
Na esperança de ser escutado entendido e amparado.
Por: Sebastião Xirimbimbi
Desistência
A procura da outra metade do meu coração
Entregando-me completamente em cada relação
Vivendo intensamente cada loucura de paixão
Suportando firmemente cada Amorosa desilusão
Que aos poucos matava os sentimentos no meu coração
Por isso Deixe de me entregar
desisti de procurar
Pela metade da minha laranja pois passei a acreditar que nunca a irei encontrar
Desisti de encontrar a minha metade
Quando descobri que não se ama pela metade
E relacionamentos não duram quando não há reciprocidade
A relação morre quando não se ama de verdade
Desisti de procurar
alguém pra amar
Pois descobri que tenho de encontrar-me primeiro
Antes de encontrar o meu amor verdadeiro
Por: Sebastião Xirimbimbi
Como não?
Como não irei testemunhar a tua existência
Se tu és a razão da minha existência
O rei dos reis por excelência
Como não?
Como não irei testemunhar o teu infinito e incondicional amor
Se tu morreste por esse pobre pecador
Como não?
Como não irei falar da tua brilhante luz
Se tu deste-me vida morrendo dolorosamente numa Cruz
Como não?
Como a tua mensagem não irei espalhar
Se tu desceste até ao abismo para me salvar, iluminar e resgatar
Como não?
Como contigo não irei falar
Se tu estás sempre pronto e disposto a me escutar
Como não?
Como não irei te agradecer
Se tu continuas a me abençoar e proteger
Ajudar e fortalecer
Como não?
Como não irei dizer que o senhor é bom
Se mesmo sem merecer tu me tens perdoado e amado
E Com isso tens mostrado que és extremamente misericordioso e bom
Como não irei escrever para ti se foste tu quem me deste esse dom
Como não?
Como não irei engrandecer o teu nome
Se tu nunca deixaste-me dormir a fome
Como não? Como não? Não tem como, não!
Por: Sebastião Xirimbimbi
Comentários (2)
A perda de pai e mãe é imensurável.
Muito bom poema
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