Lista de Poemas
CASTELO DE AREIA
Duas crianças
brincavam na areia
da praia.
Tal como construtores
imaginavam erguer
um imponente
castelo
com torres e passagens.
O trabalho estava
quase pronto,
mas eis que uma
onda
pequenamente poderosa
reduziu-o
à espuma e areia.
As crianças, sorrindo
uma para a outra
tiveram juntas
a mesma ideia.
E começaram a construir
um novo castelo.
brincavam na areia
da praia.
Tal como construtores
imaginavam erguer
um imponente
castelo
com torres e passagens.
O trabalho estava
quase pronto,
mas eis que uma
onda
pequenamente poderosa
reduziu-o
à espuma e areia.
As crianças, sorrindo
uma para a outra
tiveram juntas
a mesma ideia.
E começaram a construir
um novo castelo.
👁️ 215
METALINGUAGEM
Veja que interessante:
troco uma letra
e o que era meu
vira seu;
se acrescento uma,
o que era útil
vira fútil.
Um acento
faz o que foi vivido
- lá no passado -
tornar-se tão presente
só ser vívido.
Mas, ah, nada
se compara
a isto:
se eu coloco
Roma na frente
do espelho,
que belo
amor
eu ganho!
troco uma letra
e o que era meu
vira seu;
se acrescento uma,
o que era útil
vira fútil.
Um acento
faz o que foi vivido
- lá no passado -
tornar-se tão presente
só ser vívido.
Mas, ah, nada
se compara
a isto:
se eu coloco
Roma na frente
do espelho,
que belo
amor
eu ganho!
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FRAGMENTOS DA REALIDADE
Sedentos
Famintos
À procura do que comer
Comem os restos
Do que outros comem
Restos de si próprios
Mortos
Flagelo
Nos olhos
No corpo
Na alma
Cicatrizes profundas
Feridas sem cura
Marcas eternas
Corpo no chão
Medo
Nas ruas
Nas casas
Em qualquer lugar
Medo
Nas sombras de um beco
Sob a luz do sol
Em qualquer lugar
Desespero
Pânico
Terror
Morte
Morte
Fome e sede
Morte
Guerra urbana
Morte
Luta desumana
Direito perdido
Dignidade perdida
Vida perdida
Morte
Um jovem, uma menina
Uma criança, um pai de família, uma mãe
Qualquer um
A qualquer momento
Famintos
À procura do que comer
Comem os restos
Do que outros comem
Restos de si próprios
Mortos
Flagelo
Nos olhos
No corpo
Na alma
Cicatrizes profundas
Feridas sem cura
Marcas eternas
Corpo no chão
Medo
Nas ruas
Nas casas
Em qualquer lugar
Medo
Nas sombras de um beco
Sob a luz do sol
Em qualquer lugar
Desespero
Pânico
Terror
Morte
Morte
Fome e sede
Morte
Guerra urbana
Morte
Luta desumana
Direito perdido
Dignidade perdida
Vida perdida
Morte
Um jovem, uma menina
Uma criança, um pai de família, uma mãe
Qualquer um
A qualquer momento
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AS FORMAS DO AMOR
A menininha
organizava a brincadeira
de casinha
com suas bonecas
quando, repentinamente,
pergunta aos pais,
que estavam ali próximos,
juntos em afeto
assistindo à TV,
sobre coisas
do amor.
Com um sorriso para a filha,
mergulham profundamente
na essência do que
dizer.
existência.
Mãos dadas,
falam do amor
e de seus mitos.
De Eros,
mas também
de Philia e de Ágape.
De Romeu e Julieta,
Abelardo e Heloísa,
Tristão e Isolda,
e Pedro e Inês.
Amores felizes ou trágicos,
mas que persistem no tempo,
recusam a morte.
Figuras históricas ou míticas,
falaram de tudo
quanto sabem.
Falaram de si mesmos,
de quando se conheceram
e de quando passaram a viver
o amor.
"Quando duas pessoas
se amam,
nada mais importa."
A menina,
encantada com
tudo quanto
ouvira,
voltou-se para sua
brincadeira de casinha
e não hesitou:
casou sua
Barbie com Suzie.
E o Ken, ah...
Este era uma vez
organizava a brincadeira
de casinha
com suas bonecas
quando, repentinamente,
pergunta aos pais,
que estavam ali próximos,
juntos em afeto
assistindo à TV,
sobre coisas
do amor.
Com um sorriso para a filha,
mergulham profundamente
na essência do que
dizer.
existência.
Mãos dadas,
falam do amor
e de seus mitos.
De Eros,
mas também
de Philia e de Ágape.
De Romeu e Julieta,
Abelardo e Heloísa,
Tristão e Isolda,
e Pedro e Inês.
Amores felizes ou trágicos,
mas que persistem no tempo,
recusam a morte.
Figuras históricas ou míticas,
falaram de tudo
quanto sabem.
Falaram de si mesmos,
de quando se conheceram
e de quando passaram a viver
o amor.
"Quando duas pessoas
se amam,
nada mais importa."
A menina,
encantada com
tudo quanto
ouvira,
voltou-se para sua
brincadeira de casinha
e não hesitou:
casou sua
Barbie com Suzie.
E o Ken, ah...
Este era uma vez
👁️ 187
CENAS TRÁGICAS (VARIAÇÕES DE UM TEMA)
I
A criança
birrenta
passa com os pais
na frente de um
fastfood
e manhosa chora:
"Quero comer! Estou com fome!"
II
O adolescente
acaba de chegar
do colégio
- onde, durante o recreio,
comeu salgado com
refrigerante -
grita para a mãe,
antes mesmo do boa-tarde:
"Quero comer! Estou com fome!"
III
O marido,
pobre sedentário,
vendo seu time jogar
- e sem querer perder
um lance sequer -
acostumado ao
machismo
com o qual crescera
grita à mulher:
"Quero comer! Estou com fome!
IV
Ignorada pelos
transeuntes
- e pela maquinaria pública
que finge não ver -
a criança raquítica,
deitada no colo da
mãe
mal consegue
dizer:
"Quero comer! Estou com fome!"
A criança
birrenta
passa com os pais
na frente de um
fastfood
e manhosa chora:
"Quero comer! Estou com fome!"
II
O adolescente
acaba de chegar
do colégio
- onde, durante o recreio,
comeu salgado com
refrigerante -
grita para a mãe,
antes mesmo do boa-tarde:
"Quero comer! Estou com fome!"
III
O marido,
pobre sedentário,
vendo seu time jogar
- e sem querer perder
um lance sequer -
acostumado ao
machismo
com o qual crescera
grita à mulher:
"Quero comer! Estou com fome!
IV
Ignorada pelos
transeuntes
- e pela maquinaria pública
que finge não ver -
a criança raquítica,
deitada no colo da
mãe
mal consegue
dizer:
"Quero comer! Estou com fome!"
👁️ 158
PALIMPSESTO
Escrever é rasurar,
raspar,
para dar lugar a outro
texto.
Texto
sobre
texto.
Reescritura.
Assim, na pele do poema,
outras letras
são tecidas,
escritas e inscritas,
reiterando
o vigor e a força criadora
da palavra poética.
E o poeta vê que,
depois de
tanto escrever,
tem hoje
as mesmas páginas de ontem
mas outras palavras,
outro poema.
raspar,
para dar lugar a outro
texto.
Texto
sobre
texto.
Reescritura.
Assim, na pele do poema,
outras letras
são tecidas,
escritas e inscritas,
reiterando
o vigor e a força criadora
da palavra poética.
E o poeta vê que,
depois de
tanto escrever,
tem hoje
as mesmas páginas de ontem
mas outras palavras,
outro poema.
👁️ 169
DIDÁTICA
Nas ruas, nas praças,
há o encontro de gerações.
Vejo, de um lado,
antigos professores, meus velhos
mestres;
do outro, ex-alunos
que hoje lecionam.
Estamos juntos,
ombro a ombro
e nos damos
coragem.
A bomba
que o Estado jogou
caiu em mim
e naqueles que estavam
comigo.
A bomba caiu
em professores, entendem?
Mas estávamos ali,
todos juntos, fortes.
Irmanados.
E estávamos lá
Por sabermos que, às vezes,
a sala de aula
não é espaço suficiente
para a aprendizagem.
É preciso mais,
como fazer das ruas
um espaço de conhecimento,
sem hierarquias
ou avaliações.
Porque sabemos
que nas ruas,
aprende-se
lado a lado.
há o encontro de gerações.
Vejo, de um lado,
antigos professores, meus velhos
mestres;
do outro, ex-alunos
que hoje lecionam.
Estamos juntos,
ombro a ombro
e nos damos
coragem.
A bomba
que o Estado jogou
caiu em mim
e naqueles que estavam
comigo.
A bomba caiu
em professores, entendem?
Mas estávamos ali,
todos juntos, fortes.
Irmanados.
E estávamos lá
Por sabermos que, às vezes,
a sala de aula
não é espaço suficiente
para a aprendizagem.
É preciso mais,
como fazer das ruas
um espaço de conhecimento,
sem hierarquias
ou avaliações.
Porque sabemos
que nas ruas,
aprende-se
lado a lado.
👁️ 204
CENA NATALINA
Era a mesma cena,
como se repetia há anos:
a mesma família,
as velhas perguntas,
a antiga farsa sentada
à mesa de Natal...
"Quanta saudade",
disse-he o parente distante,
a quem não via desde o Natal anterior.
"Nossa, como você cresceu!"
apertou-lhe as bochechas a tia.
"E as namoradinhas?"
perguntou o tio ao sobrinho.
No que ele,
diferentemente de anos anteriores
cansado da velha hipocrisia familiar,
falou sobre gênero e desigualdade.
Falou sobre respeito,
sobre o amor divino
e o sentido do Natal.
Falou verdades,
e, dentre elas,
a verdade que ninguém queria
ouvir: há pouco sentimento entre a família,
muita miséria entre os
irmãos.
E a festa acabou.
como se repetia há anos:
a mesma família,
as velhas perguntas,
a antiga farsa sentada
à mesa de Natal...
"Quanta saudade",
disse-he o parente distante,
a quem não via desde o Natal anterior.
"Nossa, como você cresceu!"
apertou-lhe as bochechas a tia.
"E as namoradinhas?"
perguntou o tio ao sobrinho.
No que ele,
diferentemente de anos anteriores
cansado da velha hipocrisia familiar,
falou sobre gênero e desigualdade.
Falou sobre respeito,
sobre o amor divino
e o sentido do Natal.
Falou verdades,
e, dentre elas,
a verdade que ninguém queria
ouvir: há pouco sentimento entre a família,
muita miséria entre os
irmãos.
E a festa acabou.
👁️ 168
OBRA DE ARTE
Eu me sinto
uma pintura cubista
viva
no trem que me leva
ao trabalho
- da Central à Santa Cruz.
A perna fica na cabeça,
o braço direito
no joelho esquerdo.
Os olhos estufam
e a cabeça
vai pro chão.
uma pintura cubista
viva
no trem que me leva
ao trabalho
- da Central à Santa Cruz.
A perna fica na cabeça,
o braço direito
no joelho esquerdo.
Os olhos estufam
e a cabeça
vai pro chão.
👁️ 200
TILIKUM
Separada de sua família
quando era um filhote,
passou uma vida
cativa.
Após mais de trinta anos
entre paredes de
vidro,
a maior orca em cativeiro
morreu
Orca
em
cativeiro.
Orca
CATIVEIRO
Morreu sem saber novamente
o que era liberdade.
Agora, ela está livre.
A culpa é de quem a capturou?
Sim, é.
Mas as mãos de quem financia
(patrocinando ou comprando ingressos)
para o horrendo espetáculo
do SeaWorld
também está suja.
quando era um filhote,
passou uma vida
cativa.
Após mais de trinta anos
entre paredes de
vidro,
a maior orca em cativeiro
morreu
Orca
em
cativeiro.
Orca
CATIVEIRO
Morreu sem saber novamente
o que era liberdade.
Agora, ela está livre.
A culpa é de quem a capturou?
Sim, é.
Mas as mãos de quem financia
(patrocinando ou comprando ingressos)
para o horrendo espetáculo
do SeaWorld
também está suja.
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