Lista de Poemas
Tu
Tu
Que me acarinhas o rosto,
Com o olhar.
Eu
Que te carrego o peso,
Num inspirar.
Tangível o decifrar dos próximos,
Deslizarás por mim.
Arrepiante compromisso,
Este a que me entrego
Indefesa.
Mas cuidas de mim,
Derretido e com certeza.
Do mais pleno que eu vivi.
Renata Silva
Que me acarinhas o rosto,
Com o olhar.
Eu
Que te carrego o peso,
Num inspirar.
Tangível o decifrar dos próximos,
Deslizarás por mim.
Arrepiante compromisso,
Este a que me entrego
Indefesa.
Mas cuidas de mim,
Derretido e com certeza.
Do mais pleno que eu vivi.
Renata Silva
👁️ 148
Se o mundo é então redondo
Conheci, por ti, o mundo
Cinzento, sem contar.
Noto como ele é redondo
E numa volta faz desabar
Os que habitam na ilusão
Do desgosto poder emendar.
Não me cabe mais esvair-me
Em lágrimas por me largares.
Se o mundo é então redondo,
Parto do dilúvio destes lugares
E corro para o calor num avesso
Que não deseja que me ampares.
Renata Silva
Cinzento, sem contar.
Noto como ele é redondo
E numa volta faz desabar
Os que habitam na ilusão
Do desgosto poder emendar.
Não me cabe mais esvair-me
Em lágrimas por me largares.
Se o mundo é então redondo,
Parto do dilúvio destes lugares
E corro para o calor num avesso
Que não deseja que me ampares.
Renata Silva
👁️ 166
Nós sabemos
Nós sabemos
Tão certamente
O que cada um sente.
Ainda que eu procure,
Pela viciada incerteza,
Tanto beijo dessa riqueza,
Desse espírito incontrolado,
Por que tanto fui assaltada
E a cada hoje se denunciava.
Nós sabemos
A linguagem de cor,
Vamos da lágrima ao suor.
Memorizamos os contornos,
Quase na dúvida da ilusão,
Para que nenhum fique na mão,
No toque alheio que não sente,
Que não cuida do nosso esboço,
Apenas o fere com um rasgo insosso.
Nós sabemos
Onde dobramos,
Pelo desejo não estalamos.
(Renata Silva)
Tão certamente
O que cada um sente.
Ainda que eu procure,
Pela viciada incerteza,
Tanto beijo dessa riqueza,
Desse espírito incontrolado,
Por que tanto fui assaltada
E a cada hoje se denunciava.
Nós sabemos
A linguagem de cor,
Vamos da lágrima ao suor.
Memorizamos os contornos,
Quase na dúvida da ilusão,
Para que nenhum fique na mão,
No toque alheio que não sente,
Que não cuida do nosso esboço,
Apenas o fere com um rasgo insosso.
Nós sabemos
Onde dobramos,
Pelo desejo não estalamos.
(Renata Silva)
👁️ 292
O amanhã é nosso
Acumulam-se os dias
E eu derreto a pensar naquele
Em que me agarrei a ti.
Ainda com medo do futuro
E o peso do passado,
Mas o tempo cuidou de nós.
Qualquer espera ansiosa
E precipitação desmedida
Fez todo o sentido.
Fomos tão para ontem,
Que o amanhã é nosso.
(Renata Silva)
E eu derreto a pensar naquele
Em que me agarrei a ti.
Ainda com medo do futuro
E o peso do passado,
Mas o tempo cuidou de nós.
Qualquer espera ansiosa
E precipitação desmedida
Fez todo o sentido.
Fomos tão para ontem,
Que o amanhã é nosso.
(Renata Silva)
👁️ 296
Ponto Fraco
Corro pelos paralelos grosseiros,
Ansiosos para me esfolar os joelhos.
Ofereço flores aos meus cabelos,
Receio que me espreitem os vizinhos.
Danço, sem saber como seria.
O leito espontâneo envolve-me por magia.
Anseio pela chegada dos verdadeiros amantes.
Cresci, apeguei-me a um nó eterno.
Eles… eles são um só, a mãe e o pai.
Não há crueldade que os quebre,
Mas os desumanos ferem, desejam morte.
A ilusão desfaz-se, o ódio foi mais forte.
Finda-se a inconsciência, o sonho,
A infância persegue-me, aperta-me.
Não me abandona o desencanto,
Mas desamparam-me os braços de quem cria.
Regressam somente numa utopia adormecida,
Porque tropeçam no desprezo, em vida.
Corro por sentidos indecifráveis,
Destruo-me aos poucos, grito em silêncio.
Intimidam-me medos que não revelo,
Só me aconchega o vício,
O rumo rompeu com a dor,
A que me roubou inerente valor.
Anseio que me confortem na ruína,
Onde não habita a existência digna.
Sobra a farsa que eu consumo,
Que me consome, que me transforma.
Olho para mim, poluída, obscena,
Abdiquei do mundo que valia a pena.
Finda-se a beleza que me enaltecia,
Que tanto a mãe me exaltava.
Agora desmancha-se em pranto e preces,
Com o desassossego que a tortura,
Porque atravesso atalhos de insanidade,
Que absorvem a minha escassa dignidade.
Corro até atingir um clarão,
Que me confronte e paralise.
Devolve-me a luz sublime!
Encontro-me na pausa,
Difundo-me na euforia,
Abraço de novo a minha ousadia.
Anseio a virgem essência,
Especta que eu a esboce,
Vivaz, venerável, como outrora.
As rezas da agonia tornam-se louvores,
O sol esplendece-me, mais uma vez,
Danço e alcanço os raios sem timidez.
Findam-se os delírios traiçoeiros,
Alimentavam-se da verde vulnerabilidade.
É neste instante, a metamorfose idônea,
Agarro-a com pujança, domino-a.
Renasço dos destinos pérfidos,
Socorro-me de juízos lúcidos.
(Renata Silva)
Ansiosos para me esfolar os joelhos.
Ofereço flores aos meus cabelos,
Receio que me espreitem os vizinhos.
Danço, sem saber como seria.
O leito espontâneo envolve-me por magia.
Anseio pela chegada dos verdadeiros amantes.
Cresci, apeguei-me a um nó eterno.
Eles… eles são um só, a mãe e o pai.
Não há crueldade que os quebre,
Mas os desumanos ferem, desejam morte.
A ilusão desfaz-se, o ódio foi mais forte.
Finda-se a inconsciência, o sonho,
A infância persegue-me, aperta-me.
Não me abandona o desencanto,
Mas desamparam-me os braços de quem cria.
Regressam somente numa utopia adormecida,
Porque tropeçam no desprezo, em vida.
Corro por sentidos indecifráveis,
Destruo-me aos poucos, grito em silêncio.
Intimidam-me medos que não revelo,
Só me aconchega o vício,
O rumo rompeu com a dor,
A que me roubou inerente valor.
Anseio que me confortem na ruína,
Onde não habita a existência digna.
Sobra a farsa que eu consumo,
Que me consome, que me transforma.
Olho para mim, poluída, obscena,
Abdiquei do mundo que valia a pena.
Finda-se a beleza que me enaltecia,
Que tanto a mãe me exaltava.
Agora desmancha-se em pranto e preces,
Com o desassossego que a tortura,
Porque atravesso atalhos de insanidade,
Que absorvem a minha escassa dignidade.
Corro até atingir um clarão,
Que me confronte e paralise.
Devolve-me a luz sublime!
Encontro-me na pausa,
Difundo-me na euforia,
Abraço de novo a minha ousadia.
Anseio a virgem essência,
Especta que eu a esboce,
Vivaz, venerável, como outrora.
As rezas da agonia tornam-se louvores,
O sol esplendece-me, mais uma vez,
Danço e alcanço os raios sem timidez.
Findam-se os delírios traiçoeiros,
Alimentavam-se da verde vulnerabilidade.
É neste instante, a metamorfose idônea,
Agarro-a com pujança, domino-a.
Renasço dos destinos pérfidos,
Socorro-me de juízos lúcidos.
(Renata Silva)
👁️ 314
Habito em mim
Habito em mim,
Porque escavo
E sustento,
Mesmo encobrindo.
Porque choro
E suspiro,
Mesmo sorrindo.
De tanto relento,
Porque erro
E fracasso,
Mesmo conquistando.
Porque sofro
E suporto,
Mesmo apreciando.
Renata Silva
Porque escavo
E sustento,
Mesmo encobrindo.
Porque choro
E suspiro,
Mesmo sorrindo.
De tanto relento,
Porque erro
E fracasso,
Mesmo conquistando.
Porque sofro
E suporto,
Mesmo apreciando.
Renata Silva
👁️ 142
O vento não é amigo de ninguém
O vento não tem sido amigo.
Estala-me na cara,
Atropela a fraqueza,
Confronta-me
E eu não tenho forças.
Guerrear este vazio dominante,
Este vento desafeiçoado,
Consome o meu corpo,
Tão ingénuo e seco.
Talvez louco por acreditar
Que o vento cedia
Ao calor da empatia.
Mas o vento não é amigo de ninguém.
Renata Silva
Estala-me na cara,
Atropela a fraqueza,
Confronta-me
E eu não tenho forças.
Guerrear este vazio dominante,
Este vento desafeiçoado,
Consome o meu corpo,
Tão ingénuo e seco.
Talvez louco por acreditar
Que o vento cedia
Ao calor da empatia.
Mas o vento não é amigo de ninguém.
Renata Silva
👁️ 155
Comentários (1)
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conta_gia
2021-02-18
Sentido. Poesia que se lê e que se sente. gostei muito, beijinhos.
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