Biografia
Eu poesia
Em uma palavra já me resumi,
Por vezes já me senti um verso,
Nas frases me dei conta; cresci,
Vi-me haicai em meu universo.
De trova em trova subi degraus,
Em forma de pensamento andei,
Levei o indriso nas minhas naus,
Colhi poesias, soneto me tornei.
Não agradada à alma embrenhei,
Brotei-me no encarnado da rosa,
Leram-me por aí feito uma prosa.
Meus olhos, refrão da minh’alma,
O sentimento dimana sem ponto,
Estendo-me em ilimitado conto...
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
Poemas
268Mistérios do coração
Às vezes eu sei tanto do meu coração
Sei o que se passa, até vejo a imagem.
E outras vezes me segreda sem noção
E se tranca, retira-me toda a paisagem.
Às vezes ele tem um espantoso querer
De repente se recolhe não sei por quê.
Às vezes se doa; se entrega para valer
Já se foi com alguém, pergunto: cadê?
Às vezes bate alto, caceteia o ouvido
E às vezes o seu silêncio bulina além
Ama quem não deve; inverso também.
A fiúza é que ao amor está envolvido
E nele reside toda uma contemplação
E é mistério; enflora-se em cor e ação.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
199
Excitação poética
É patética, enfim, é natural,
E no canal da mente, ação mofética,
Dialética de alma com carnal,
Vendaval que bagunça toda estética.
Cética até, porém vem sem aval,
Um oral engolido sem fonética,
Frenética emoção descomunal,
É amoral, profana, santa: eclética.
Hipotética ideia ora real,
Literal, de miragem imagética,
É atlética prática, afinal.
Liberal, ejacula-se a poética.
Sincrética; estimulo manual,
É visceral, de síntese magnética.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
242
Íntimos
Veste-se em tecido suave e leve,
Atreve na volúpia pueril,
De perfil uma escultura transcreve,
A neve ferve de jeito febril.
Abriu seus lábios e fechou num beijo,
Molejo em quadril no corpo repete,
E promete a flor em doce versejo,
Arpejo em gemidos sobre o carpete.
Reflete na alma, frêmito da tez,
Imediatez na coxa que roça,
E coça as vísceras a escutar bossa.
Apossa-se do outro mais uma vez,
Talvez p'ra sempre naquele momento,
Atento; comprime o seio no intento.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
261
Liberdade que prende
É, tende a ser gostoso o alforriado,
E dado com vontades, integral,
Sem plural, sem composto. Predicado,
Conjugado sem aspas, não verbal.
Aval com reticências, e sem pontos,
É sem pespontos, crase e sem colchete,
Brete de ócio, vírgula se tontos,
Os dois pontos falam tête à tête.
Bilhete do sujeito: coração,
Conjugação do tempo é presente,
A mente não argui. Bravo, interjeição!
Interpretação clara e convincente,
Recorrente e sem interrogação,
Aprovação, de nada dependente.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
221
Razão e emoção
Razão e emoção; irmãs: Ruth e Raquel,
Num painel uma pinta o coração,
Mão dada, apenas uma usa o pincel,
Há anel, mas a outra age de supetão.
A razão quer saber: como, porque e onde,
Responde por todos, quase a senhora,
Embora sensata; comento desponde,
E ponde à frente da emoção, a penhora.
Agora, a emoção é toda a nossa essência,
Transparência, intenso comportamento,
Sem invento, joga sem fingimento.
E lento é o acordo, grande resistência,
Inteligência, crânio: raciocínio,
Domínio, sentimento, alma, fascínio.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
251
Cotidiano
...ainda sem o sol... Reflexo.
e chove...
Na rua um riacho.
Uma florada de guarda-chuvas...
o Uber dobra o valor.
No ônibus o dobro de passageiros.
As janelas embaçadas.
As vozes não se calam.
O semáforo vermelho...
o verde...
A lotação segue, são tantos destinos...
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
249
Devorando livros
Mas o livro era sobre o que? _Não importa.
Torta, animais; gibis; lutas; didático.
Pragmático ser, seu mundo transporta,
E corta a estupidez; ora lunático.
Prático viver; ler é alimento.
É sustento da mente, bel-prazer,
Crescer em escarcéus de entendimento,
Vento astuto bem antes de morrer.
Saber era vício, uma enciclopédia,
Média? _Não, muito, muito acima dela!
Janela para o mundo, fora acédia.
A comédia com garfo ou colher mela,
Zela à oração se é tragédia,
Em sédia: feijão e livro na panela.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
223
Moro em provisórios de mim
E, mutantes são todos os meus eus,
Gineceus seduzem a cada instante
Em provocantes cernes androceus,
Adeus; mudei... É um tanto constante.
Avante, lei da vida, outra procura,
A cura pra ferida o tempo traz,
Em cartaz, paixão, amores e loucura,
Apura-se na gente, agito e paz.
Jaz em cada segundo uma mudança,
Herança deixada reconstrói enfim,
O jasmim nasce, cresce e seu olor lança.
Criança que madura, senil, fim...
Assim há um processo, em mim avança,
Dança, moro em provisórios de mim.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
205
Chove você em mim
Meus muros se molham, e se encharcam,
Marcam-se nossas cores em mistura,
Estruturas pulsam, e me abarcam,
Atracam; lava toda a minha altura.
É loucura esse seu chover em mim,
Meu jardim brota, é tanto perfume,
Cardume de desejo está afim,
O seu jasmim me inunda, então me assume.
Volumes, escorrências infinitas,
Imita catarata, irrigação,
A atuação dos seus pingos me agita.
Excita-me ao extremo, volição.
Então existe esse vento, e me visita,
Levita a saia da imaginação.
ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
Uberlândia MG
308
Po(RR)esia
No bar, luar, o poeta é pura emoção,
A canção que toca o faz longe viajar,
O seu tragar no cigarro é uma devoção,
Prisão da mente em versos vem se libertar.
Imaginar fértil; um tanto dolorido,
É ressequido por dentro pela saudade,
A vontade do abraço e sorrir divertido,
Embebido no canto, é somente metade.
E com verdade, o poeta dá mais um gole,
Engole,arde, desce seco pela garganta,
É tanta a desilusão que sua alma espanta.
E canta com um tom bem alto, a voz sai mole,
Mais outro gole, uma lágrima, piração,
Coração no papel amassado no chão.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
305
Comentários (1)
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ademir domingos zanotelli
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.