Escritas

Lista de Poemas

Liberdade que prende



É, tende a ser gostoso o alforriado,
E dado com vontades, integral,
Sem plural, sem composto. Predicado,
Conjugado sem aspas, não verbal.

Aval com reticências, e sem pontos,
É sem pespontos, crase e sem colchete,
Brete de ócio, vírgula se tontos,
Os dois pontos falam tête à tête.

Bilhete do sujeito: coração,
Conjugação do tempo é presente,
A mente não argui. Bravo, interjeição!

Interpretação clara e convincente,
Recorrente e sem interrogação,
Aprovação, de nada dependente.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
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A noite não vem só...



Esperança de um dia melhor; dorme,
É conforme o seu tempo e tão tranquilo,
Aniquilo o mau. Meu sentir tão enorme,
É uniforme o vento e canta o grilo.

O sigilo na mente que voeja.
Viceja uma vontade do teu toque,
Sem retoque, que nada me proteja.
E boceja os meus beijos em estoque.

Enfoque nos teus olhos, tua mão.
Meu vão se lança à tua entrelinha,
Aninha-me no teu corpo, emoção!

É sensação que dança; desalinha,
Sozinha não, comigo a reflexão.
Excitação por dentro que sublinha.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
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Moro em provisórios de mim



E, mutantes são todos os meus eus,
Gineceus seduzem a cada instante
Em provocantes cernes androceus,
Adeus; mudei... É um tanto constante.

Avante, lei da vida, outra procura,
A cura pra ferida o tempo traz,
Em cartaz, paixão, amores e loucura,
Apura-se na gente, agito e paz.

Jaz em cada segundo uma mudança,
Herança deixada reconstrói enfim,
O jasmim nasce, cresce e seu olor lança.

Criança que madura, senil, fim...
Assim há um processo, em mim avança,
Dança, moro em provisórios de mim.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
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Somos soneto



E com uma palavra eu lhe defino:
Um menino: esse ser que só me encanta,
Levanta meu estado, homem e divino,
Felino às vezes; a minh'alma canta.

Espanta-me a elegância; o ser singelo,
Aquarelo-me, cores inexistentes,
Quentes desejos; o santo atropelo,
Caramelo com vinho em aguardentes.

Potentes quereres; sou simples rima,
Imprima-me em entrelinha dueto,
Dialeto nobre, pensar acima.

Intima-me num todo em seu livreto,
E borboleto-me em asa que anima,
No clima, chovemos: somos soneto.

ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
Uberlândia MG
👁️ 284

Calembur



Eu rio, mas se sou rio, longe do mar,
Amar; vela que acende, ascende a vela,
Ela uma coragem, sou ela a navegar,
Morar no nada e nada em aquarela.

Gela se casa e não está em casa,
Em asa leve, que o seu sonho leve,
Breve a serra que cerra visão rasa,
Vaza a pena. Que pena, mas se atreve!

Escreve um conto; conto; um, dois e três,
A tez eriça, iça no canto um canto.
E levanto; acento no assento? Espanto!

Tanto cinto, que sinto, não; talvez,
Xadrez a calça; e calça bota torta,
Na torta bota vil "sarin", viu a morta.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
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Devorando livros



Mas o livro era sobre o que? _Não importa.
Torta, animais; gibis; lutas; didático.
Pragmático ser, seu mundo transporta,
E corta a estupidez; ora lunático.

Prático viver; ler é alimento.
É sustento da mente, bel-prazer,
Crescer em escarcéus de entendimento,
Vento astuto bem antes de morrer.

Saber era vício, uma enciclopédia,
Média? _Não, muito, muito acima dela!
Janela para o mundo, fora acédia.

A comédia com garfo ou colher mela,
Zela à oração se é tragédia,
Em sédia: feijão e livro na panela.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
👁️ 203

Das tempestades de nós

Das tempestades de nós

Ardência em vento que esvoaça folhas,
Escolhas nulas; gruta de impotência,
Escorrência na tez e almas pimpolhas,
Bolhas colidem em fixa demência.

Influência sã, força irrestrita,
É negrita a faísca em letra avulsa,
Pulsa num raio à menor escrita,
Cita cúmulo-nimbo que convulsa.

Expulsa o pó, pretérito se parte,
Arte presente de nós um dilúvio,
Anuvio volição, voar em marte.

Aparte o mundo, no dentro Vesúvio,
Plúvio e trovões, Zeus em mim encarte,
Em comparte: nós em nosso eflúvio.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
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Do(A)ção



Uma mão se distende e a outra nem sabe.
Desabe mundo, um sino nunca bate,
Rebate o coração, nele não cabe,
E babe na renúncia, no céu se ate.

Mate o apego, atitude, com ajuda,
Muda, mostre d' alma seu quilate,
Remate com poesia, não iluda,
Escuda-se de amor, e se relate.

Desbarate o egoísmo, se desnude,
Amiúde: amor; música; trabalho,
É orvalho na flor; ou seja açude!

Virtude, é profundo do ser, valho.
Atalho para quem tem vida rude,
Plenitude do afeto sem 'migalho'.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
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Nas asas da poesia



Pena? _Não. Só há uma ventania,
é fonia por dentro: quente e amena,
Acena imaginar em demasia,
Histeria de verso; desordena.

E despena minha alma, extrai e copia,
Seria o tal plainar em linha e cena.
Arena em flor, pecado, ave-maria,
Iguaria de anseio, até obscena.

Terrena, célica essa tal sangria?
Periferia ou centro nada apequena,
Plena, absoluta. Late, uiva e pia.

E teoria alguma aclara; epicena.
Morena que avassala; a poesia,
Arrepia. Versar: voo que aliena...

ღRaquel Ordonesღ #Ordonismo
Uberlândia MG
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Mulher de entardeceres



Gosto do entardecer, matiz laranja,
Esbanja beleza; o fôlego tira,
E pira a imaginação, coisa estranja,
Franja de nuvens o coração admira.

Gira-me céu, raios multicolores,
As flores dançam ao vento que cheira,
A beira do limite e sem pudores,
Vetores que perdem sua estribeira.

Em fileira os pássaros cruzam o ar,
O lugar que é adotado como casa,
E vaza leveza em penas, pés e asa.

E não atrasa; o sol já vai se acamar,
Num virar de cobertas, surge a lua,
Atenua a luz, já é ocaso na rua.

ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
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Comentários (1)

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ademir domingos zanotelli
ademir domingos zanotelli
2026-02-17

Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.