Poemas
268Das dores verdadeiras
É, às vezes nem dói tanto os atos em si.
Vi: não temos juiz se levamos a falta.
Pauta: erga, cate seus cacos; saia daí.
Entendi que somos por nós; céu é ribalta.
Astronauta em nossas luas, e por aí;
Percebi que é vítima quem nos assalta.
Exalta a não culpa: sou inocente! Isso ouvi.
Cri, são tantos pênaltis sofridos em lauta.
Incauta; tons pontiagudos recebi;
Feri, mas decretei ao casco: esteja em alta.
Ressalta a minha força; de mim, exigi.
Segui; reavaliei a ação; um alívio salta.
e na flauta de mim, o meu som escolhi.
Aprendi meu autoconhecimento me esmalta.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
... “o jogador cai no chão e se enrola e rebola a exibir bem alto as suas queixas.
A dor dele faz parar o mundo.
Um mundo cheio de dores verdadeiras para perante a dor falsa...”
Mia Couto
Entrei para comprar um livro
Já tinha morada total em minha mente.
Quente num efervescer: - De um livro preciso!
Riso apaixonado, não: apaixonadamente.
Totalmente; a minha pulsação eternizo.
Juízo fora, página em ar diferente.
Lente em modo zoom; verbo em textura e liso;
Piso com flor e vaga-lume reluzente.
Coerente às vezes, quase romantizo.
Paraliso; um novo livro, encontro envolvente.
_Gente, uma nova aquisição! Voo diviso.
Guiso de letras, num sentir entorpecente.
Em poente e nascente, a alma exteriorizo.
Deslizo folha adentro, misto; pertencente.
Presente; a leitura completa; e poetizo.
Raquel Ordones #ordonismo #raqueleie
Cheiro, gosto; degustação
Garfadas num monte de letras
Colheradas cheias, talvez...
Soneto roceiro
São cinco da manhã, o galo canta.
Levanta bota lenha na fornalha,
Palha, fumo, café, prece à santa,
Planta o pé na botina; à batalha!
Orvalha ainda, chapéu, força, cabaça.
Abraça seu trabalho, busca o gado,
É cercado e peado, tão sem raça.
Rechaça o bezerrinho arreliado.
É ordenhado o leite. Já afofa a horta,
E corta o mato, varre seu quintal,
É bestial ofício, afã reporta.
Transporta porcos, roupas no varal,
É rural. Pesca e caça; se comporta,
Da porta, o luar, firme no degrau.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
Tanto, tanto que as teclas desbotam...
Recursivo eu, quando ao digitar-te.
Gostar-te é meu verso intransitivo.
Objetivo maior meu: deleitar-te,
'Start' no coração; superlativo.
Adjetivo à ti, nunca me falta,
É pauta; na minha alma substantivo,
Seletivo de mim, minha tez salta,
Assalta-me víscera em coletivo.
Afetivo meu e teu num esbarrão.
É emoção, botão apagado; ativo.
Paliativo não. Nós, profusão.
Ação de corpos. Corpo a corpo: vivos!
Abrasivos: ideia e sensação.
Digitação e sentires, taxativos.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
Um borralho, por favor!
Orvalho sublimou, já é inverno.
Caderno é de versos; em frangalho.
Ralho com o tal vento; um frio externo.
Alterno: edredom, colcha de retalho.
Falho; a janela aberta; mas que inferno!
Terno o canto do pássaro no galho.
Espalho meu jornal; fato hodierno,
Consterno com o preço; aumento do alho.
Fornalho o moletom; então me hiberno.
Encaderno-me as meias: agasalho.
Calho na minha cama num eterno.
Moderno é meu móvel; e me esgalho.
Carvalho é madeira, estação verno
Baderno no lençol. _Sair o caralho!
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
Erosão
Lira do falso; do fantasmal tira.
Atira; o vento dos outros, a mira.
Pira quem preza uma verdade; há ira.
Vira firme polimento: safira.
Admira: acredita em sua mentira.
Estira palavra, e nada retira.
Gira fake news e tem quem conspira.
Fira a quem ferir; suave suspira.
Delira hipocrisia; o outro rugira.
Aplaudira o conceito, o qual parira,
Transpira podre a coisa que tingira.
Agira em má fé; calúnia munira.
Cuspira seus trapos quando fingira.
Esculpira seu pódium; se aplaudira.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Vontades...
Sinto-me possuída por tuas águas prostituídas e carnais que banham todo o meu ser com gotas santas e deixam transparecer em viagem o meu gosto por loucuras tantas!
Raquel Ordones
Uberlândia MG
...
Uma criança que estava ali olhando a fresta do portão...
Sem poder ir à rua...
Corra por minhas avenidas, trilhas, alamedas, praças, becos, vielas e crie teu caminho.
ღRaquel Ordonesღ
Uberlândia MG
O tempo em seu tempo
Fragmento de uma noite, orvalho desce.
Cresce uma flor num canto ao relento.
Isento de plateia, ato que a avesse.
Tece uma aranha, e o galo sonolento.
Vento sopra frio, outro dia entece.
Desaparece a ultima estrela: evento.
Momento belo Deus nos oferece.
Alvorece; o sol tira a meia; lento.
Advento vida; raio fortalece.
Confesse: não é lindo o movimento?
Alento do imo; o corpo é a messe.
Amanhece outra vez, há sentimento.
Tento saber, ninguém segura; eu prece.
Agradece minha alma; dia bento.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Uberlândia MG
Estrago
Promoção se estiver limpo o seu nome.
Retome a vida é a sugestão.
Caminhão, casa, carro; se diplome.
Crome-se pro futuro com visão.
Prestação; crediário é seu: dome!
Engome sem qualquer oposição.
Instituição não aceita que a embrome.
Home, empresa, você é o seu chão.
Liquidação do mês seguinte: come.
Some o cliente. Um vírus contramão.
Cristão fica sem verba e tanta fome.
_Tome tudo e ainda dê nele sermão!
Coração, banco não tem: só renome.
Consome seu sonho; inda é vilão.
ღRaquel Ordonesღ #ordonismo
Comentários (1)
Cara poetisa. tu és tão linda ... que o amor nunca faltara para ti... adorei os versos. bom dia.