Lista de Poemas

domínio

o vermelho enrubesce a face. sinto o cálice do seu hálito entrando por minhas narinas. junto com ele, o anil da sua boca, vacilante e quente, em um ritmo próximo dos polos nórdicos do meu país. carrego a pressão do seu peito no meu. e como se quisesse ele sempre ali, puxo você pra mim, em todos os versos da minha boca. não deixo vociferar uma única palavra, que não sejam as minhas.
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borda do pão

Numa padaria se encontra gente de toda gente. Gente com bochechas redondas e quadradas, gente que é taciturno e tá ali só para comer um bico de café pingado, gente de voz alta e sorriso servente. Também tem o pão na chapa, meu preferido, ainda mais quando se serve o extra requeijão. Só acontece injustiça quando não tem abundância, abundância de fazer transbordar a borda do pão.
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Diabra

Num vento se ventou a ventania, dos teus passos e compassos, todo vento harmonia, com delicadezas e frescor te convida pra soprar, no teu sopro, no meu sopro, o vento, venta sem parar. Com vento se venta toda alegria e augúrios quiçá, quero vento no meu dia pra alegrar o meu diabra.
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pratos

Os pratos rolam soltos,

Quase caem ao malabarismo poético,

Com eles vem alguns presentes,

Daqueles que enchem o bucho e enchem a gente,

Mas também tem dos limpos,

Quase anjos, vejo os veios reluzentes amarelos incandescente,

Um prato nunca foi bonito assim,

Mas agora, por ora, é o que tenho,

Prato de gente, prato de garçom,

vejo vários deles assim,

Brancos por si só, cheios de gente.
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entardecer das frutas

te dedico. de todos os meus pensamentos, mais especificamente 90% deles. no clarão da manhã, ao entardecer das frutas. costumo baixar horas a fio de um punhado de letras formosas pra te cantar. volto ao disco da nossa música, tão linda como a dobra do seu sorriso. posso sentir as notas quentes entrando em meu ouvido. ouço um suspiro. um dó sustenido. era a nossa melodia, de todas, a predileta.
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vinil

O cinismo tresloucado da sua voz, parece um convite para as nuances da vida. Eu mostro, tu mostra, a gente sai assim, mostrando alguns feixes de luz, sim, trazemos luz à questão, feito um acadêmico empoeirado de meia dúzia de palavras difíceis. Gosto dessas palavras, talvez nem tanto de acadêmicos . E o que convida a parar e olhar porta adentro, do vinil da sua roupa, é simplesmente gostar de estar lá, ver e ouvir, novamente sua voz cheia de atenção e rouquidão pular no pé da minha orelha e dizer meio bocado delas.
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