Escritas

Lista de Poemas

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Assim do teu jeito

No dia-a-dia o correr nos afasta...
Sei que tu se frustras por não ser perfeito...
E a cabeça em preocupações se arrasta,
Mas sei que tu me amas assim do teu jeito.

Parece que os anos se alongam e aproximam
Nossos corações, que outrora tão distantes,
E os regem rumo aos laços que confiam
O carinho a não mais cursos errantes!

Meio às colisões próprias da instrutiva vivência,
Os encontros paternais me enchem de certeza o peito:
Meu amor por ti sofre tanto em tua ausência,
Pois sei que tu me amas assim do teu jeito.

MORO, Pedro Lucas. In: O Eu e o Lá Fora, 2019.
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Vai

Certa noite, disse-me querido amigo:
“Vai onde teu coração mandar!”
E me pareceu de tão fácil entendimento,
Coisa dessa ingenuidade da gente...
Depois, pensei com idade de flor madura,
Essa que da vida tanto entende:
Como posso ir onde me manda
Quando sequer sei onde ele está?

MORO, Pedro Lucas. In: O Eu e o Lá Fora, 2019.
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Indiferença

Algumas coisas perecem à mercê da indiferença...
Ficam elas imóveis a sofrer maus-tratos
Que não consentem a vida como uma linha,
Nem perdoam quaisquer fragilidades.
Nada sobrevive ao “tanto faz” por muito tempo,
Porque um dia realmente deixará de se fazer.
Aquele que espera algo mais da indiferença
É dilacerado incontáveis vezes sem nenhuma pena;
Nutre a esperança de que o selvagem não morda
Ciente de que a mansidão não é sua natureza...
Esperar algo da assumida indiferença
É jogar flores em um túmulo vazio.

MORO, Pedro Lucas. In: O Eu e o Lá Fora, 2019.
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Enlevo materno

Dotada de emoção forte e brilhante,
Já me amava em sonho, desde outras vidas;
Antes de ter-me em braços, muito antes,
Nutriu em mim afeições sempre queridas!

Regou integrações vitais de olho a olho
Dando de si algo além do que lhe dado,
Para criar-nos, filhos, em brando refolho,
A cada instante de diálogo calado.

Em mim carrego a ti um amor indescritível
Porque do que me concedeste assim me fiz
E o apreço por mim mesmo tanto a ti devo,
Grato a Deus pela mãe que sempre quis!

MORO, Pedro Lucas. In: O Eu e o Lá Fora, 2019.
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As folhas que voltam ao chão

Quando me sento no solo,
Para ouvir o afago da monção,
Vislumbro as largas folhas que caem
E voltam à sua origem, o chão.
Na queda infinita de pouca altura,
Assisto ao filme de toda uma vida:
Poucos dias de puro verdor,
Poucos dias de face abatida.
Sacodem-se num giro interminável
Como em ciclos que a vida ensina:
Nascer, remorrer e renascer...
Toda essa grandeza me fascina!
Vejo a existência que se finda,
Sem importar quão alto se chegou:
Tudo se resume à mesma altura,
E tudo o que se foi passou.

Pedro Lucas Moro
O Eu e o Lá Fora, 2019.
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