Escritas

Indiferença

plmoro
Algumas coisas perecem à mercê da indiferença...
Ficam elas imóveis a sofrer maus-tratos
Que não consentem a vida como uma linha,
Nem perdoam quaisquer fragilidades.
Nada sobrevive ao “tanto faz” por muito tempo,
Porque um dia realmente deixará de se fazer.
Aquele que espera algo mais da indiferença
É dilacerado incontáveis vezes sem nenhuma pena;
Nutre a esperança de que o selvagem não morda
Ciente de que a mansidão não é sua natureza...
Esperar algo da assumida indiferença
É jogar flores em um túmulo vazio.

MORO, Pedro Lucas. In: O Eu e o Lá Fora, 2019.