Lista de Poemas

Vidas secas


 
Terra seca e árida

Coberta de marrom-poeira

Vidas secas e lassas

Pobres moças magras

Rodeadas pelo vazio das matas

No alto do dia

Ao cair da noite

Exauridas pela rotina

Banham-se no mar de barro

De solo seco-quebrado


A enxada é sua vida

O calor - seu inimigo -.

Perambulando pelas terras vastas do Sertão

Homem sempre atento ao silêncio que o perturba

Faz-se praxes a foice para viver

Faz-se praxes o balde para beber
👁️ 127

Poema sobre um termino II

Lá fora entre os becos e ruas

Lá fora na noite escura

Na penumbra soturna

Lá fora no mundo, em ti, em teu peito

Em tua imensidão, totalidade

Não existe mais amor

 

Cá dentro de mim, diferente dos becos e ruas

Diferente do mundo, dos homens, de ti

Cá dentro de mim ainda jaz amor por ti.

Infeliz destino meu

Que me acorrenta na tormenta de amar

E que entre todos os acontecimentos

Que haviam de acontecer

E que enfim houve de vir

O fim

Pobre eu que te amava

E sinto-me triste

E anseio por ti, por teus seios

Teu amor e teu corpo.
👁️ 324

O eterno

Ouvi falar do eterno
 Das eternas falácias de amor
Então pensei no eterno que dizíamos, mas a hora chegou.
  E você teve que ir.
  Preferiria que não fosse eterno;
Essa eterna dor deixada pelo eterno do eterno ao teu lado -.
   Das palavras vazias da tua boca.
E de ti saiu apenas o meu eterno sofrimento, da eterna lembrança da promessa eterna
    Quebrada no eterno finito.
Hoje sei que o eterno não existe, porque eterno era o teu amor
      E hoje ele se foi.
Descobri que eterna é a minha dor que há de existir enquanto sou eterno.
  Eterno sou enquanto vivo,
                Eterno sou até o fim chegar.
Eterno é o nada;
Nada no começo;
  Nada no fim.
        O eterno são as promessas vazias que hoje se perdem no tempo
São as palavras de outrora ditas uma vez
  Agora jogadas ao vento.
                    Então, percebi que eterno é o nada.
👁️ 140

Prometeu Acorrentado




I A TORMENTA AVILTANTE I
Prometeu, tua tormenta é tua bondade

Candente a brilhar feito o sol

Que jaz nos seios das estrelas

E foi-te arrojo ao teu suplicio

Suntuosos são teus males

Que te incubem ao teu martírio
II PROMETEU II

Decerto, foi minha bondade

Que aos homens trouxe a vida

Quando fogo flamejante de Hefesto, eu roubei

Opoente, o sol se vai;

Para erguer-se novamente, veraz é meu grilhão

Ensinei-lhes a viver, tornei-os racionais

Dei a eles os engenhos

Que me incumbiram miríades de tormenta

A aviltar acorrentado nesse alcantil de sofrer
III A VIDA APÒS O ROUBO III

Ver-te-ei, oh ocaso, o horizonte incandescente

Pelos dias que me restam

Arrostar-lhes-ei os astros

Pelos dias que virão

IV ACORRENTADO SOB A ROCHA IV

Que vindouro seja meu prazer

Que pouco sei se está por vir

Mas teus males hão de vir, oh nume ominosa!

Que repousa entre os céus
V O FADO V
Fecharei os meus olhos a esperar

Teu sacrilégio a cair

Sob o trono que há de ir

Destronado serás fraco

Seus caprichos insensatos

Tua prole há de vir para destronar-te do teu sólio

E das amarras, libertar-me.
👁️ 352

Passado

PASSADO

 

I A LUA I

Quando criança, eu pensava:

Como queria ir à lua

II PEQUENO COWBOY II

Quando criança, eu pensava:

Como queria ser cowboy

O cowboy era vaqueiro

E eu bobo tinha medo

Dos contos proferidos

Sobre os mitos da floresta

III UM CAVALO A CAVALGAR III

Quando criança, eu pensava:

Como queria um cavalo

Para adentrar-me entre matas e estradas do Preá

Um chapéu e uma bota

Para montar-me no cavalo a passear

Um cinto de cowboy para um vaqueiro me tornar

IV INFÂNCIA PASSADA IV

Minha infância é longínqua

Minhas dores são presentes

E eu sou triste e pequeno

V BRINCADEIRAS DE CRIANÇA V

Quando criança na Cohab

Eu brincava de polícia e ladrão

No São João, contava as lendas

Buscava lenha para o fogo da fogueira

Amarela feito o sol

VI NOSTALGIA VI

No campinho jogava bola

Pelas tardes até a noite

VII E TUDO ACABOU VII

Minha infância foi tão grande

Que não cabe num poema,

Minha infância se passou

No entanto, sou feliz.
👁️ 305

O vento

O vento soprou, soprou

Jogou para longe

Bem distante da cidade

O que era liberdade

 

O vento soprou, soprou

Bem distante da cidade

O que era solidão

 

O vento também levou-levou

Para bem longe da cidade

O que era meu amor

 

O vento roubou-roubou

O que era coração

E o menino questionou

Mas como o vento não tem mão

Foi sapo ou foi o boi

Que roubou meu coração

 

O sapo pulou no rio

E a água flutuou

O boi apressou-se

Para bem longe ir da Espanha

 

E tu foi quem ficou

Para roubar meu coração

Mas como o boi, fugir também.
👁️ 316

Comentários (0)

Iniciar sessão para publicar um comentário.

NoComments