Lista de Poemas

Pele Negra

o toque na pele negra
abre as portas do Nilo
para a multidão de coisas da África
os ventos, os dias, os risos
o mato verde seco da selva
os azuis das lagoas, dos mares

um poema não muda a história
não muda que brancos invadiram as margens continentais de África
tocaram a pele negra
mataram a pele negra
escravizaram a pele negra

navios de cascos fétidos com suas paredes tumescentes
de cheiro de morte
de cheiro de dor

navios negreiros trazendo angustias às margens latinas
navios negreiros trazendo consigo cargas de poesia
navios negreiros levando consigo vidas roubadas de África

 

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Terra de Sóis

em 1500 Veraz Cruz é tomada
e repartida entre eles
o cheiro de morte, da tão amarga morte
apodrece a jângala de nômades

de longe vieram em seus barcos fúnebres com incontáveis galinhas
em suas memórias traziam
“D. Dinis nunca será trovador provençal”

sobre as portentas margens latinas
chegaram em roupas pesadas no calor tropical
Peroz Vaz sem caminho veementemente escreveu
“o melhor fruto, que nela se pode fazer,
é salvar essa gente de terra afável
essa gente sem lei e nem rei
que andam com suas vergonhas despidas
e que meu deus que os salve

nos sarçais pré-colombianos
bebiam cachaça cuspida de mandioca
nas tardes com mais de mil sois
nas terras com mais de mil povos

os povos de longe sequer saberão tupi-guarani
nem bakairi, suruí
tampouco o tore Oiapoque
ou o cocar yahua

caiapó não conhece holandês
os Tiriyó-Kaxuayana não destruíram florestas inteiras
nem os pataxós trouxeram consigo centenas de vidas roubadas da África
sardinha morreu porque não era caeté
porque o Brassil sempre será Marajó

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Sonho

Lembro-me das meninas da rua, que viviam na Cohab

Da ânsia que sentia antes da briga de barro

Do campo onde brincávamos e sorriamos da vida

Todos os dias ensolarados

Os dias mais tristes não eram nublados

Nos dias de chuva era diversão

Lá no campo onde brincávamos

Era lama marrom e chão molhado sob nossos pés

Caíamos, corríamos, brincávamos e vivíamos.

Hoje não sinto mais isso, apenas um vazio.

Vejo os dias cinza e pálidos

Fracos e débeis pelo temor do futuro

Vejo pessoas vivas por fora, e mortas por dentro.

Vejo antônimos completando-se

Dinheiro e amor!

Lá na Cohab, onde o sol raiava e o galo cantava

As tardes eram roxas cor de céu

Os dias eram frescos

Nas manhãs, ia ao colégio.

Nas tardes brincava no campo.

Lembro-me das caras e cores que moravam ao lado.

No alto do dia em sua varanda

Ela vinha me ver com seu sorriso de todos os dias

Eu, ingênuo, nunca percebi.

Nos dias de hoje tenho medos, vícios e aflições.

Incertezas que sinto

Que dominam minha vida

Não reconheço a mim mesmo

E nem quero, eu quero sonhar.

Questiono a Deus

“Por que me pôs aqui? “

Se sabes que morrem, sofrem e temem

Onde não posso fugir

Onde iludo-me com ideias e sonhos

Que já estão mortos.

A modernidade é incerta

E também somos nós

Por isso matamos por dinheiro

Vivemos por amor

E fingimos que amamos.

Mataram-nos!

E venderam nossos sonhos

Mas nossos sonhos de consumo são voltar para infância
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Tanque D’arca


Do alto do cruzeiro,

Aos baixos da cohab,

Das estradas de terra,

As quais eu percorria em busca dos frutos do solo,

A tua imensidão é verde,

Verde como as matas que te acercam,

Dos campos às serras do alto do cruzeiro.

Terra onde o carnaval aquecia a folia

E fazia-nos pular e farrear como se o amanhã nunca houvesse.

Como se a felicidade inundasse-nos de alegria e excitação pela vida,

Como se infelicidade acabasse em meio aos seios do carnaval,

O qual gozávamos do prazer de ter em nossas vidas.

Havia os meses de corre bicho,

Os quais ainda me recordo, com clareza, do temor que me causavam.

A noite o medo reinava,

Mas não o medo da cidade,

Reinava, aquele..., o medo dos mitos e contos,

Os quais, até as comadres e compadres temiam.

Aquele bendito fogo corredor, o pavor das comadres e dos compadres.

Arrodeávamos a fogueira e os mais velhos profeririam os contos,

Não havia nenhuma singela criança que não temesse aqueles contos de horror.

O “papo-figo” e a maldita ‘camboquinha”, quem não havia de temê-los?

E até o pobre dezoito.

Lá ela habitava, onde ninguém soubera

Lá onde aqueles que não lhe traziam fumo haviam de sofrer.

Onde entrelaçava seus cabelos,

E usava-os contra os maus aventureiros

E aqueles que ousassem a desrespeitar.

E eu, preso entre mitos e contos, a temera como o pior inimigo.

Tanque D’arca, terra dos medos e dos mitos,

Dos bons e dos maus,

Dos nomes engraçados

Das memórias de outrora de uma simples criança,

Das formigas e daqueles que houveram de ir e nunca mais voltaram,

Mas nunca houveram de sair de minhas memorias.

Tanque D’arca, terra do bom pai Merquido

E da boa mãe Bem Vinda,

Ainda os guardo em meu coração,

Ainda guardo as boas histórias e memórias que tivera com vós.

Do dia em que o boi pulou a cercar,

E eu com medo procurei refúgio ao seu lado.

Aquela criança temia ser pega pelo boi da cara preta.

Tanque D’arca das águas que corriam pelos rios e cacimbas...

E nas bicas que nos banhava,

Rodeadas pelo verde das matas e fazendas,

Que lá se encontrara.

Tanque D’arca, terra do bom velho,

De coração alegre                                                                                                                                      

E de caráter indulgente.

Onde em sua calçada sentava

E deleitava-se de boas rimas de embolada.

Lá é onde suas madrinhas e padrinhos vivem

Lá é onde aqueles que eu amava

Descansam...

Terra que não vive sem bênção.

Bênção, vó,

Bênção, tio,

Mas nunca bênção, pai.

Terra onde os tropejos das florestas são temidos.

Terra da deusa-mãe que benzia a erisipela do pobre menino doente,

Terra de minha avó.

Terra dos dialetos algaraviados ao ouvido do moço da cidade

Tanque D’arca, terra de memórias tão ávidas.

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Tanque D’arca


Do alto do cruzeiro,

Aos baixos da cohab,

Das estradas de terra,

As quais eu percorria em busca dos frutos do solo,

A tua imensidão é verde,

Verde como as matas que te acercam,

Dos campos às serras do alto do cruzeiro.

Terra onde o carnaval aquecia a folia

E fazia-nos pular e farrear como se o amanhã nunca houvesse.

Como se a felicidade inundasse-nos de alegria e excitação pela vida,

Como se infelicidade acabasse em meio aos seios do carnaval,

O qual gozávamos do prazer de ter em nossas vidas.

Havia os meses de corre bicho,

Os quais ainda me recordo, com clareza, do temor que me causavam.

A noite o medo reinava,

Mas não o medo da cidade,

Reinava, aquele..., o medo dos mitos e contos,

Os quais, até as comadres e compadres temiam.

Aquele bendito fogo corredor, o pavor das comadres e dos compadres.

Arrodeávamos a fogueira e os mais velhos profeririam os contos,

Não havia nenhuma singela criança que não temesse aqueles contos de horror.

O “papo-figo” e a maldita ‘camboquinha”, quem não havia de temê-los?

E até o pobre dezoito.

Lá ela habitava, onde ninguém soubera

Lá onde aqueles que não lhe traziam fumo haviam de sofrer.

Onde entrelaçava seus cabelos,

E usava-os contra os maus aventureiros

E aqueles que ousassem a desrespeitar.

E eu, preso entre mitos e contos, a temera como o pior inimigo.

Tanque D’arca, terra dos medos e dos mitos,

Dos bons e dos maus,

Dos nomes engraçados

Das memórias de outrora de uma simples criança,

Das formigas e daqueles que houveram de ir e nunca mais voltaram,

Mas nunca houveram de sair de minhas memorias.

Tanque D’arca, terra do bom pai Merquido

E da boa mãe Bem Vinda,

Ainda os guardo em meu coração,

Ainda guardo as boas histórias e memórias que tivera com vós.

Do dia em que o boi pulou a cercar,

E eu com medo procurei refúgio ao seu lado.

Aquela criança temia ser pega pelo boi da cara preta.

Tanque D’arca das águas que corriam pelos rios e cacimbas...

E nas bicas que nos banhava,

Rodeadas pelo verde das matas e fazendas,

Que lá se encontrara.

Tanque D’arca, terra do bom velho,

De coração alegre                                                                                                                                      

E de caráter indulgente.

Onde em sua calçada sentava

E deleitava-se de boas rimas de embolada.

Lá é onde suas madrinhas e padrinhos vivem

Lá é onde aqueles que eu amava

Descansam...

Terra que não vive sem bênção.

Bênção, vó,

Bênção, tio,

Mas nunca bênção, pai.

Terra onde os tropejos das florestas são temidos.

Terra da deusa-mãe que benzia a erisipela do pobre menino doente,

Terra de minha avó.

Terra dos dialetos algaraviados ao ouvido do moço da cidade

Tanque D’arca, terra de memórias tão ávidas.

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O bom cidadão

Pro bom governador

É mais fácil matar mais um favelado,

Pegar mais uma arma

E matar mais um preto,

Do que criar mais escola.

O bom cidadão não discorda,

Acha que mais um favelado morto é menos um vagabundo na terra.

Pro bom cristão

Deixa nascer,

Mas mata depois,

Porque só é vida quando quer,

Porque direito é pra cidadão direito.

Pro bom cristão, criança que rouba não é cidadã,

Pra esses bons cidadãos Brasil a fora,

Criança rouba porque quer,

Porque pro bom cidadão não existe pobreza.

Pro bom cidadão é melhor mais um no caixão do que mais um livro na mão.

O bom cidadão aceita calado a pec. 287

Mas só falta morrer contra uma mulher no poder.

O bom cidadão é aquele que bate panela,

Mas aplaude e aceita calado aquele que rouba o Brasil.

O bom cidadão é aquele obediente, calado e submisso.

O bom cidadão não fala, não vê, não sente, mas escuta.

O bom burguês acha melhor mais um na miséria do que mais um prato na mesa

Pro bom burguês é melhor mais miséria do que menos cifra no fim do mês.

Já o bom presidente é aquele que tira direito, mas tem boa propaganda,

Tem a mídia ao seu lado,

Tem o congresso e o senado

Quiçá o judiciário...

O bom deputado anda cheirado, mas não é cheirado.

O bom deputado rouba, mas não é roubado

Ele tem a mídia ao seu lado

Apoia o panelaço, mas não apoia a lava jato

Pois, ele sabe que se apoiar, vai ser caçado.

Mas tem aquele bom deputado diferente,

Aquele que rouba dinheiro da merenda

Pra alimentar o seu cachorro

E pagar viagem pro “estrangeiro”.

Não podia esquecer o cidadão direito,

Aquele que reza aos domingos

E espanca a mulher nas segundas.

Esses são os bons cidadãos do meu Brasil varonil.
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Tanque D’arca


 

Do alto do cruzeiro,

Aos baixos da cohab,

Das estradas de terra,

As quais eu percorria em busca dos frutos do solo,

A tua imensidão é verde,

Verde como as matas que te acercam,

Dos campos às serras do alto do cruzeiro.

Terra onde o carnaval aquecia a folia

E fazia-nos pular e farrear como se o amanhã nunca houvesse.

Como se a felicidade inundasse-nos de alegria e excitação pela vida,

Como se infelicidade acabasse em meio aos seios do carnaval,

O qual gozávamos do prazer de ter em nossas vidas.

Havia os meses de corre bicho,

Os quais ainda me recordo, com clareza, do temor que me causavam.

A noite o medo reinava,

Mas não o medo da cidade,

Reinava, aquele..., o medo dos mitos e contos,

Os quais, até as comadres e compadres temiam.

Aquele bendito fogo corredor, o pavor das comadres e dos compadres.

Arrodeávamos a fogueira e os mais velhos profeririam os contos,

Não havia nenhuma singela criança que não temesse aqueles contos de horror.

O “papo-figo” e a maldita ‘camboquinha”, quem não havia de temê-los?

E até o pobre dezoito.

Lá ela habitava, onde ninguém soubera

Lá onde aqueles que não lhe traziam fumo haviam de sofrer.

Onde entrelaçava seus cabelos,

E usava-os contra os maus aventureiros

E aqueles que ousassem a desrespeitar.

E eu, preso entre mitos e contos, a temera como o pior inimigo.

Tanque D’arca, terra dos medos e dos mitos,

Dos bons e dos maus,

Dos nomes engraçados

Das memórias de outrora de uma simples criança,

Das formigas e daqueles que houveram de ir e nunca mais voltaram,

Mas nunca houveram de sair de minhas memorias.

Tanque D’arca, terra do bom pai Merquido

E da boa mãe Bem Vinda,

Ainda os guardo em meu coração,

Ainda guardo as boas histórias e memórias que tivera com vós.

Do dia em que o boi pulou a cercar,

E eu com medo procurei refúgio ao seu lado.

Aquela criança temia ser pega pelo boi da cara preta.

Tanque D’arca das águas que corriam pelos rios e cacimbas...

E nas bicas que nos banhava,

Rodeadas pelo verde das matas e fazendas,

Que lá se encontrara.

Tanque D’arca, terra do bom velho,

De coração alegre                                                                                                                                      

E de caráter indulgente.

Onde em sua calçada sentava

E deleitava-se de boas rimas de embolada.

Lá é onde suas madrinhas e padrinhos vivem

Lá é onde aqueles que eu amava

Descansam...

Terra que não vive sem bênção.

Bênção, vó,

Bênção, tio,

Mas nunca bênção, pai.

Terra onde os tropejos das florestas são temidos.

Terra da deusa-mãe que benzia a erisipela do pobre menino doente,

Terra de minha avó.

Terra dos dialetos algaraviados ao ouvido do moço da cidade

Tanque D’arca, terra de memórias tão ávidas.

👁️ 281

Finda

I

A vida é finda

Tudo se vai

E acaba. Infindável nada

Feito palavra passada

Vira memoria no tempo que foi

Palavras jogadas ao vento

De nada valem se ditas sem vida

São idas sem vinda.

II

De idas e vindas

Tanto se foi, que sumiu

Que não volta jamais

E feito poeira voou para longe

E nunca voltou para perto de mim

III

De tantos embates

O sol derramou-se e chorou para lua

E disse a mim que não há nunca mais

A lagrima desceu e escorreu pelo cor´p

Passou pelo peito

Deixou para atrás apenas a dor

E lembrou do passado

E disse a si mesmo

Não quero jamais

Mentiu para si

E lembrou que deseja

Um final em que fosse feliz

Com ela ao seu lado

Deixou para trás

Tudo que carregava e pensava

Para escrever poemas de amor
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Terra Perfeita

I

Hoje estava a andar e pensar nos problemas da vida;

Um poema não veio e há tempos não vem.

Todos em torno de mim são convictos;

E eu apenas um bloco andante no meio dos homens;

Todos em torno de mim são massivos e absolutos.

E eu apenas nada e vazio;

Apenas uma folha em branco esperando para ser escrita.

II

O céu roxo alaranjado tornou-se escuro. Os livros de rima, tão poucas rimas

As métricas e sonetos; o conceito esquecido.

Nasci imperfeito, mas como eu sonho com uma vida perfeita,

Onde os males não existam, onde meu amor seja eterno,

Onde meu peito não doa.

III

Sonho todos os dias com uma terra perfeita, numa rima perfeita

Num poema perfeito, mas todos os dias me mostram que sou imperfeito.

Todos os dias são pensamentos jogados ao vento.

Entre os bairros e ruas, pessoas eu vejo, os rostos eu vejo

suas dores, eu sinto, por isso não posso ser estático perante a dor

ao fim eu sou por sentir e me pôr nos sapatos alheios, nas roupas alheias

nas alegrias fugazes, nos sorrisos d’outrem.

 

IV

Estamos presos em bolhas de ego e egos inflados

Nas ruas, eles querem mudança

As bocas debatem os temas, de como viver nossas vidas, os melhores sistemas,

Mas tão pouco sabem o que querem.
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Vidas secas


 
Terra seca e árida

Coberta de marrom-poeira

Vidas secas e lassas

Pobres moças magras

Rodeadas pelo vazio das matas

No alto do dia

Ao cair da noite

Exauridas pela rotina

Banham-se no mar de barro

De solo seco-quebrado


A enxada é sua vida

O calor - seu inimigo -.

Perambulando pelas terras vastas do Sertão

Homem sempre atento ao silêncio que o perturba

Faz-se praxes a foice para viver

Faz-se praxes o balde para beber
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