Escritas

Lista de Poemas

LIBERDADE AINDA NÃO CONCEDIDA

... nasci numa gaiola
chamada mundo e, nela, comigo
foram jogados outros, como eu,
abnômalos azarados;

após algum tempo
comecei a procurar a liberdade
para tal prisão a céu e infinitos por mim
mesmo abertos

e, em todas as vezes,
usando a filosofia, a poesia ou o pensamento
para buscar uma saída,

a única coisa
que tenho conseguido, até hoje,
é ficar ainda mais
aprisionado!
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MADRUGADA FRIA


Durante a silente madrugada,
costuma ser pior:
os sons moucos dos trovões de todas
as tempestades;

os rios, os mares,
as nuvens, os montes e as falésias
de todos os lugares;

os tempos e destempos de todas
as estórias;

os horizontes perdidos
de todos os pássaros com seus voos,
cantos, encantos e faróis
soberbeiros;

os viscos, os rancores,
e as dissimuladas entenebridades
de todos os vermes
sorrateiros.

Tudo, enfim, parece adentrar
- em estranhas e dolorosas cores -
pelas janelas e portas fechada
de minha casa,

como que a acender-me,
ainda mais,
a suspensa hora
morta;

como que suspender-me
- com a mente em vesania e a esferográfica em fogo -,
ainda mais, do apagamento natural
das coisas.
👁️ 190

GOSTEI, MAS NÃO PEDI!


... a verdade
é que eu nunca pedi
nem quis que ela mostrasse
aquelas tetas e aquela
xana na can,

........ com café propositadamente derramado na coxa,
........ com massa de tomate propositadamente passados nos peitos,
........ com fantasias sangrentas e mortuárias que sacava da insana mente;

só sou
um cão que não nega
o que de graça lhe
é oferecido;

eu aceitei,
sem pedir, o que ela deu
por próprio desejo,

após gosar
tive de pagar contas como se
fosse eu a tê-la
seduzido,

como se
fosse eu o capeta
e ela o anjo sem libido
que só mostrava penas, pernas
e dedos na boceta!
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A ÚLTIMA FLOR DO DESERTO!



... sim,
nova luta, novo fronte,

com meu escuro-cruz,
ponho-me à frente, ando por corredores,
sinto o cheiro frio da morte
como que a me chamar
para uma valsa;

sigo,
soerguido, fraco mas destemido,
com meu Senhor ao lado:

se, ainda assim,
a morte vier, dar-lhe-ei meu último
abraço e meu último beijo,

na esperança
de novamente achá-la (à minha perdida amada)
ao vazio apagamento
do outro lado!
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LUCIDEZES, ILUCIDEZES E FERTILIDADES


Incomoda-me
quando a lucidez de certos momentos
é tão fluorescentemente
fértil,

que, neles,
os homens são capazes
de inventarem sombras, quedas,
e guerras

só para poderem
suprir os insustentáveis sossegos
de suas próprias
tempestades.
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AMIGA


... o vinho tinto sob
a mesa da sala, o cd player preparado
para tocar tua música
___ preferida,

apenas uma vela acesa
deixa à meia luz todo o ambiente
___ e nós ali, juntos e conversando,

tudo, tudo, tudo
calmamente perfeito para o imprevisto
e subconscientemente extasiante
___ encontro;

e eu ali,
sem tu ainda saberes, com o firme
inteno de te elucidar, de te desnudar,
___ de te beijar,

de te levar para a cama
e de te amar por toda a noite,
até que meu mar branco se seque
exaurido e não mais
___ derrame!
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EGO

Devido à pungente
força do ego,

a pior coisa que pode
nos acontecer,
quando estamos realmente
a amar alguém,

é o afloramento
dissimulado medo da perda,
simplesmente por, conscientemente ou não,
sabermos que não somos
o melhor.

E isso, quando acontece,
é como se vivêssemos inventar duelos
contra mitos, lendas
e deuses

- ou ainda pior:
como que se intentássemos, de forma cruel,
devido ao ciúme e à possessividade,
contra o próprio ser a quem
amamos -,

com nossas torrenciais
chuvas verbais
ou com nossos ominosos
olhares postos em suas lepras
abstratas;

só para tentarmos,
em vão, suprir nossas imanentes
fraquezas junto à pessoa
amada.
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AMOR INFINITO?



... não há jardins infinitos,
Baby,
e não há céus infinitos,
e não há nenhum horizonte infinito,
e não há amor infinito
como tu disseste,
um dia, sentires por mim;
o que há são
espadas de luzes tintas e de palavras
tintas que, com seus ouros
evidenciados
provocam
(por consequência dos inevitáveis
desastres dos tropeços e das quedas sapiens
por entre, do mundo, desejos
e imagens)
posteriores
noites frias, escuras e sepulcrais!
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ABSTINÊNCIA

... não faço
mais pedidos mirabolantes
e não bato mais punhetas
confortantes,

também não faço
nenhum busca mais que não seja
humana,

e não espero
mais do que por si de deem
ou do que um último
suspiro da noite;

eu apenas
ando com incontinências urinárias
e em abestinências do
que supostamente
queira.
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QUEM DISSE QUE O NIILISTA NÃO SENTE E NÃO VOA?


... pobres anjos incautos
e pássaros assoberbados, com suas
___ coliridas asas,

vivem peidando
sublimidades, luzes e amores
___ inconspurcos

e mal sabem
que eu tanto mais bem voo
quanto mais meus pés sente o torpe
___ e movediço chão!
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Comentários (7)

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fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-08-17

SEMPRE SUSPREENDE-ME COM TUA INESGOTÁVEL INSPIRAÇÃO. AMO TEUS POEMAS PARA A FLOR DE INVERNO, sinceramente. Saudações Alenarinas da Flor*

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2018-02-26

Por tudo, mais uma vez, obrigada! ¨¨¨¨¨Beijo_Flor*

Trivium
Trivium
2018-01-09

Olá, cara. Gostei bastante desta poesia tua. Você com partilha suas poesias em algum outro site que não este?

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

E eu tenho acompanhado toda esta história... E eu tenho me sentido feliz com as ''gotas orvalhadas'' que representam um passo a cada dia. Estamos juntos.

fernanda_xerez
fernanda_xerez
2017-12-23

Lindo e provocante!