Lista de Poemas

Oh tempo não me faleças

Por tanto querer fazer antes da hora de falecer 
É que o tempo me falece às vezes mesmo antes que comece
O sentir-me tão capaz é de minhas qualidades a que mais me tira a paz 

Por me crer pronto para tudo, dou por mim a caminhar para nenhures
Por poder ser tanta coisa, é o mais certo que venha a ser coisa nenhuma 
Estudei, a teoria toda para conquistar o mundo 
Mas na prática que importa não sei ser prático, ter simplicidade em actos e acções, e tacto no trato.

Pode saber-se tudo sobre o mundo, e mesmo assim deixá-lo sem que ele fique a saber algo que importe de nós.
Uma rua sem importância à qual não tinham nome que dar, já era o bastante que chegue p'ra me contentar.
A esse sonho que era meu, a vontade de que padeço é despi-lo mais do que até persegui-lo.

 

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Com dor

Amor rima com dor por isso intimida
Amar é por-se a jeito de ser magoado
Entregar-se é o real acto de valentia 
Os cobardes esses não se dão a ninguém
 

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O que é

Falo em amor mas minto, sim minto 
Ainda que seja o que sinto
Trato por paixão 
Mas isso é chama que arde rápido e logo extingue
Obcecado fico fácil mas nada disto é simples.
Vontade de sexo? Já tive por esta e aquela,
Até infelizmente com a outra e arrependo-me, mas não se trata agora de só mais uma.
A vontade é forte de amar ou irritar, ou ambas as coisas, 
E fico com demasiadas saudades quando não posso fazer nem uma coisa nem outra.
Se eu pudesse passar todos os momentos com ela não tinha como estar infeliz, mas estaria pobre e isso tira a felicidade.
Em sua companhia sou desavergonhadamente fofo, sou muito eu, demasiado puro
Para mim, comigo, é demasiado querida nem sabe não ser
Juntos é demasiado bom, parece sonho.
 

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Povo Portucalense

Os homens que deixaram as armas e os barões assinalados 
São os mesmos que hoje se deixam só p'lo areal moreno sentados 

Pelo mar entramos com sonhos de o que p’ra lá dele estava conquistar 
Agora se por ele a dentro vamos é só com intensões de mergulhar 

O eleito povo para fazer erguer o quinto império 
Vive conformado, envolto em marasmo que é mistério 

A língua de Camões Bocage Pessoa e Saramago 
Teve importância perdida, que hoje pouco passa de passado vago 

Que Deus outra vez queira, o homem português sonhe, e a obra renasça 
Que a pouca terra que nos é pertença, não seja o pouco que satisfaça 

A nação que soube passar além do Bojador 
Não pode mais viver de Fátima, fado, e de sua dor 

A dor que deveras sente esta com ilustre história gente 
Mudaram-se os tempos e por consequência as vontades, indubitavelmente

Não percamos a precisa crença de que tudo ainda muito vale a pena 
Temos história que bem prova o tanto que a alma deste povo não é pequena 

E bate-me cá dentro ao de leve mas não levemente 
Um patriotismo que chama por mim certamente 

Heróis do mar neste retângulo à beira atlântico atracado 
Nobre povo eu imploro que te queiras ver das amarras que trazes libertado 

Nação que por ser valente nos livros se inscreveu imortal 
Levante-se de novo o esquecido esplendor de Portugal 

Entre as brumas do que é a nossa memória 
Que volte D. Sebastião cavalgando p’rá vitória 

Na outrora portentosa pátria que se volte a ouvir uma voz 
Com igual potência que se fez ouvir a de nossos egrégios avós 

Às armas? Às armas não precisamos recorrer p'ra usar, agora já não se ataca por terra ou mar 
Não contra os canhões, sim contra quem nos oprime ó irmãos, marchar marchar! 

Ao som de Grândola vila morena, fizemo-nos país de fraternidade 
Mas hoje quando estou dentro de ti, já não te reconheço ó cidade 

Não parece ser já o povo português quem mais em ti ordena 
Ó histórica Grândola vila morena 

Por tuas ruas se ouve dizer, quem sou eu, quero saber o que faço aqui 
Porque Lisboa capital me abandonou, se mal lhe fiz já me esqueci 

Creio que eles não sabem e possivelmente nem sonham, que adormecido o povo o faz, sonha 
E porque o sonho comanda a vida, a revolução se formará na fronha 

Vemo-nos à rasca mas o desenrasque foi constante desta vida lusitana 
Valência por demais valiosa e que só o primado povo português emana 

O orgulho que tenho desta pátria só com estes versos é que eu o percebi 
Esta tristeza que em versos vos trago, foi da voz de vossos avós que a recebi. 


 

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Jovem estudante

Que fazeis vós com esse copo que vos está na mão, jovem estudante?
Vê-de que o licor que do diabo bebeis não é p’ra vós que é bom, doutor aspirante!
Quereis ser o que sonhaste, mas o estado em que ontem ficaste não conduz a vossos intentos, 
Que lógica teve e tem, presença vossa nestes mui pouco académicos eventos?

De queixo erguido pelo traje que trajam, oponham-se ao que outros fizeram e fazem, e façam 
P'lo justo orgulho futuro dos que muito vos amam e por e com amor vos pagam 

Essa festa que quereis fazer fará de vós menos do que quereis fazer de quem sois
A cilada está montada, cai o estudioso a quem falta a lição estudada, pois
Que um caminho muito está trilhado, deixado com o propósito de vos ter o sonho apagado 
A chama do fósforo acende fácil mas queima rápido e já não vale nada, é meu recado



 

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Bom sabor

Sobe de meu saboroso sabre o suculento sumo p’ra essa sedenta boca
Saudosa sentes-te louca, sabias que não serias completa até que completamente me engolias
Imaculado gosto em incautos teus lábios que o estavam quando eu em ti jorrava o que p’ra teus seios se deixou escorrer 
Demonstra teu deleite assim que provas de meu leite, o demais que deveras sentes por este teu delicioso Deus.
 

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Eu, Luso

Estou triste 
Razão para, não existe 
Existo como português 
Por isso, digo, é com tristeza que estou
Não sei o porque ela me ficou, nem quem foi que ma fez.

Levanto-me e o primeiríssimo pé que fora de portas se põe já leva atraso
Chego despreocupado, é-me estrangeiro ver-me julgado, ao que parece há quem faça caso 
Como que se por acaso, não fosse lusitano o sangue que me corre na alma.
Torno com resposta calma, e fico perplexo com as aspirações que meus conterrâneos irmãos têm p’ra mim.

Não sou bancário do norte da Europa, empresário americano, nem empregado de escritório japonês, que pelo minuto de atraso quase ficou sem escritório
Com orgulho por ser de quem me fez, é como devia acordar e sentir aquele que se diz bom Português. 

 

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Poema bem descritivo

Ela ainda mal chegada 
A roupa já lhe vai sendo arrancada 
De quatro! Direta ordem dada 

Meu mastro já lá vai duro 
Por entre grossos lábios furo 
Faz-se ouvir com muito sentido gemido 
Forço seu quente corpo a dançar comigo 

Portentosa palmada bem dada 
Primeiro uma das mãos deixo agarrada 
Este mulherão em modos de perder a razão 
Magnifica-se o já magno tamanho de meu tesão 

No seu ritmo de perdição é potentemente penetrada 
À ratinha, como a sinto tanto e tão bem molhada 
Presenteio-a com o maior possível prazer, ao grande Ó chegada 

Mas não a deixo a seu descanso demais merecido 
Fica seu formoso corpo a foder comigo 
Em espera de ouvir meu fortíssimo final gemido. 

 

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Por ti por tu gal

Pedaço de terra de fado
Bem à beira atlântico atracado 
Espadas erguidas em luta por cada metro 
É pois sabido e certo, que batalhas foram e são perdidas
A guerra essa será finalmente nossa
Como nossa é a ilustre história que nos deixou mossa
De pé estamos e ficaremos, deixamos só quando morremos.
 

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Verdade já antiga

Ajude-me a ajudar quem não age ou ache que de ajuda precisa 
Pior que quem mal faz, é e está o bom da fita que contra o mal feito, fica 
O crime cometido vai se deixar esquecido, assim que o ajudante intrometido chegar inconformado e convencido do bem que vem fazer 
Sofre o vitimado que dispensa ser ajudado, e sofre o bem feitor que também a si mesmo conseguiu trazer dor 

Quem sai sem sofrimento é o vil verdadeiro vilão 
Aí vai ele inevitavelmente impune, bem absolvido mesmo que bem abusador 
Se a de Deus não lhe cai em cima, cairá nele esta mão que opina 
Se o réu não vai à justiça, vai p’ró céu p'la praticada injustiça, esse grande estupor. 
 

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