Lista de Poemas
Jovem estudante
Que fazeis vós com esse copo que vos está na mão, jovem estudante?
Vê-de que o licor que do diabo bebeis não é p’ra vós que é bom, doutor aspirante!
Quereis ser o que sonhaste, mas o estado em que ontem ficaste não conduz a vossos intentos,
Que lógica teve e tem, presença vossa nestes mui pouco académicos eventos?
De queixo erguido pelo traje que trajam, oponham-se ao que outros fizeram e fazem, e façam
P'lo justo orgulho futuro dos que muito vos amam e por e com amor vos pagam
Essa festa que quereis fazer fará de vós menos do que quereis fazer de quem sois
A cilada está montada, cai o estudioso a quem falta a lição estudada, pois
Que um caminho muito está trilhado, deixado com o propósito de vos ter o sonho apagado
A chama do fósforo acende fácil mas queima rápido e já não vale nada, é meu recado
Com dor
Amor rima com dor por isso intimida
Amar é por-se a jeito de ser magoado
Entregar-se é o real acto de valentia
Os cobardes esses não se dão a ninguém
Olhar certeiro
Quem p'ra lá não deita os olhinhos
Distraído tanto anda da vida
Ou mente com todos dentinhos
Achando a gente convencida
Nunca mente a forma de um traseiro
Que é para onde sempre eu olho primeiro.
Quando o cu é bom com ele está um bom coração.
Se é triste a vista que viste
Não penses que vale a pena
É que nenhum esforço o vale (a pena)
Quando mal feita de formas é a pequena.
Oh tempo não me faleças
Por tanto querer fazer antes da hora de falecer
É que o tempo me falece às vezes mesmo antes que comece
O sentir-me tão capaz é de minhas qualidades a que mais me tira a paz
Por me crer pronto para tudo, dou por mim a caminhar para nenhures
Por poder ser tanta coisa, é o mais certo que venha a ser coisa nenhuma
Estudei, a teoria toda para conquistar o mundo
Mas na prática que importa não sei ser prático, ter simplicidade em actos e acções, e tacto no trato.
Pode saber-se tudo sobre o mundo, e mesmo assim deixá-lo sem que ele fique a saber algo que importe de nós.
Uma rua sem importância à qual não tinham nome que dar, já era o bastante que chegue p'ra me contentar.
A esse sonho que era meu, a vontade de que padeço é despi-lo mais do que até persegui-lo.
Eh touro lindo
O problema é o touro
Tu serás forcado
A regra é de ouro
Pegá-lo é complicado
Mas ao fugires p´la arena
Amigo sinto imensa pena
Essa tua noite vai ser sofrida
Viver com medo, que puta de vida
Eu, Luso
Estou triste
Razão para, não existe
Existo como português
Por isso, digo, é com tristeza que estou
Não sei o porque ela me ficou, nem quem foi que ma fez.
Levanto-me e o primeiríssimo pé que fora de portas se põe já leva atraso
Chego despreocupado, é-me estrangeiro ver-me julgado, ao que parece há quem faça caso
Como que se por acaso, não fosse lusitano o sangue que me corre na alma.
Torno com resposta calma, e fico perplexo com as aspirações que meus conterrâneos irmãos têm p’ra mim.
Não sou bancário do norte da Europa, empresário americano, nem empregado de escritório japonês, que pelo minuto de atraso quase ficou sem escritório
Com orgulho por ser de quem me fez, é como devia acordar e sentir aquele que se diz bom Português.
Oralidade 1
Era que se me amavas
Com outra fome o mamavas
O fundo a que vai o teu chupar
Tanto como a força do teu foder
É pura mostra do teu amar
É final prova de teu querer.
Capital questão
Comprar ou não comprar, eis a capital capitalista questão
É uma que muito me massa, é meu costume ter uma em mão
Ontem sonhei com isso, hoje acordo e está em promoção
Tem-no o primo, tem-no o vizinho, tem-no a pessoa quero quero mas talvez não a tenha por não ter.
Fica caro mas reparo que tendo não fico à parte, disso tenho-me visto farto
Ter é poder e quero o poder de ter, por deter
Tem dinheiro compra, não tem pede emprestado, ou vai-se pagando mal pago.
Agora que o tenho, não é por ter que melhor me venho, nem me sabe melhor o comer.
Por ti por tu gal
Pedaço de terra de fado
Bem à beira atlântico atracado
Espadas erguidas em luta por cada metro
É pois sabido e certo, que batalhas foram e são perdidas
A guerra essa será finalmente nossa
Como nossa é a ilustre história que nos deixou mossa
De pé estamos e ficaremos, deixamos só quando morremos.
Povo Portucalense
Os homens que deixaram as armas e os barões assinalados
São os mesmos que hoje se deixam só p'lo areal moreno sentados
Pelo mar entramos com sonhos de o que p’ra lá dele estava conquistar
Agora se por ele a dentro vamos é só com intensões de mergulhar
O eleito povo para fazer erguer o quinto império
Vive conformado, envolto em marasmo que é mistério
A língua de Camões Bocage Pessoa e Saramago
Teve importância perdida, que hoje pouco passa de passado vago
Que Deus outra vez queira, o homem português sonhe, e a obra renasça
Que a pouca terra que nos é pertença, não seja o pouco que satisfaça
A nação que soube passar além do Bojador
Não pode mais viver de Fátima, fado, e de sua dor
A dor que deveras sente esta com ilustre história gente
Mudaram-se os tempos e por consequência as vontades, indubitavelmente
Não percamos a precisa crença de que tudo ainda muito vale a pena
Temos história que bem prova o tanto que a alma deste povo não é pequena
E bate-me cá dentro ao de leve mas não levemente
Um patriotismo que chama por mim certamente
Heróis do mar neste retângulo à beira atlântico atracado
Nobre povo eu imploro que te queiras ver das amarras que trazes libertado
Nação que por ser valente nos livros se inscreveu imortal
Levante-se de novo o esquecido esplendor de Portugal
Entre as brumas do que é a nossa memória
Que volte D. Sebastião cavalgando p’rá vitória
Na outrora portentosa pátria que se volte a ouvir uma voz
Com igual potência que se fez ouvir a de nossos egrégios avós
Às armas? Às armas não precisamos recorrer p'ra usar, agora já não se ataca por terra ou mar
Não contra os canhões, sim contra quem nos oprime ó irmãos, marchar marchar!
Ao som de Grândola vila morena, fizemo-nos país de fraternidade
Mas hoje quando estou dentro de ti, já não te reconheço ó cidade
Não parece ser já o povo português quem mais em ti ordena
Ó histórica Grândola vila morena
Por tuas ruas se ouve dizer, quem sou eu, quero saber o que faço aqui
Porque Lisboa capital me abandonou, se mal lhe fiz já me esqueci
Creio que eles não sabem e possivelmente nem sonham, que adormecido o povo o faz, sonha
E porque o sonho comanda a vida, a revolução se formará na fronha
Vemo-nos à rasca mas o desenrasque foi constante desta vida lusitana
Valência por demais valiosa e que só o primado povo português emana
O orgulho que tenho desta pátria só com estes versos é que eu o percebi
Esta tristeza que em versos vos trago, foi da voz de vossos avós que a recebi.
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