Lista de Poemas
Cala
Não consegue dizer nada
Mais nenhuma palavra
Minha boca cala
Não permite nem que eu minta
Minha boca agora
Só sente o gosto
Da sua língua
Que me cala
Não permite
A minha fala
Só me permite saborear
Minha boca cala
Mas mesmo sem usar letras
Também fala
Pelo meu beijo
Em forma de gesto
Tudo o que eu desejo
Te demonstrar
E a minha boca
Não conseguiria declarar
Então, sua boca veio
E a minha cala
Mas, sim, fala
Tudo o que precisamos ouvir.
Arrepios
Que começa a tocar no rádio
De repente
E traz aquele arrepio gostoso
Descendo pela espinha
Levantando todos os pêlos
Você é aquela brisa do mar
Que refresca quando é o calor que domina
Soprando bem devagar
Causando aquele relaxamento
Balançando meus cabelos
Você é aquela sensação quentinha
De vestir um casaco num dia frio
E se encolher debaixo das cobertas
Pra se acolher
Pra se esquentar
Você chega
Você toca
E arrepia
Todos as partes que conseguem se arrepiar
É algo incontrolável
Que meu corpo responde
Sem pensar
Você tem esse poder
É a água que mata a minha sede
Que hidrata o meu corpo
É o combustível vivo
Que acende o meu fogo
E deixa se alastrar
Continue causando
A sensação
Arrepiando meus poros
Com suas mãos
Arrepia até a alma
Me encosta com a tua palma
Arrebata
Que nunca te direi "não".
Jantar (Primeira Vez)
Fim de expediente
Você me convida
Para um jantarzinho surpresa
Tudo feito no seu apartamento
Com direito à sobremesa
Duas taças
Um vinhozinho
Muitos sorrisos sob a mesa
Entre uma garfada e outra
Você olha discretamente
Para a minha boca
Entre um gole e outro
Você tira a minha roupa
Com seus olhos insinuantes
Pelo menos, por enquanto
Achando que eu não ia observar
Ou adivinhar
A verdadeira intenção desse nosso jantar
Depois da gente brindar
E a comida saborear
Você diz que tem algo preparado
Eu fiquei meio tensa
Pois estava tudo no seu quarto
Você pediu para eu fechar os olhos
Me guiou até chegar lá
Ao abrir a porta, senti o clima de romance
Que fez meu coração disparar
Dei de cara com velas vermelhas acesas
Que deixaram um aroma agradável no ar
No chão, rastros de pétalas de rosas
Que terminavam em cima da cama
Vi morangos com leite condensado
No criado mudo
E uma música gostosa
Tocava ao fundo
Eu tive certeza
Que tudo já havia sido
Planejado de antemão
Não foi à toa o convite surpresa
Numa noite de sexta
Tudo tinha uma razão
Seria a primeira vez
Então, do saboroso jantar
Partimos pra deliciosa sobremesa
Que só foi terminar de manhã.
Fantasia Textual
Um simples espaço
Quando tudo era vácuo
E a história se iniciou
Fomos escrever
Você me apresentou verbos
Um tanto quanto diferentes
Parte da minha vida eles não faziam
Eu nem sabia que existiam
Havia muitas vírgulas
Histórias mal contadas
Erros de português
Falta de concordância
Ah, mas você...
Trouxe tantas palavras
Me trouxe catarse
Onomatopéias
E interjeições
Caramba! Poxa vida!
Você me fez mudar
Criar um hábito diferente
Mudar pontos de vista
Para fazer a caneta dançar
Na folha pautada
Você, meu conto de fadas
A fantasia que eu sonhava em realizar
Textualmente me enlouquecendo
Com seu sarcasmo me satisfazendo
Com seu humor me preenchendo
Nunca pensei que poderia aguentar
Achei que não chegaria lá!
Ironia dessa vida
Eu que nunca coloquei ponto final em nada
Pois jamais consegui terminar
Tudo aquilo que eu começava
Ah, mas você...
Se tornou o sujeito preferido das minhas orações
E eu me coloquei nos predicados
Me fiz em rimas
Me transformei em pontos de exclamação
A cada declaração
Somos dois pontos: enamorados
Eu tento descrever
Tudo o que estou sentindo com você
Minha mente viaja
Eu não paro mais de escrever
Cada beijo seu
Vira um poema
Cada toque é poesia
Nessa minha textual fantasia
Na qual você sempre fez parte
Em inúmeras noites tão vazias
Ah, você...
Me ajudando a escrever
Mudando o pronome
Fazendo o "eu"
Virar "nós"
E não vejo a hora de ficarmos a sós
Para que não haja pontas soltas nessa história
De dois personagens
Com tanto para viver
Inventar e criar
Para amar e celebrar
Amar...
O tal verbo que sempre quis conjugar
Sempre presente em meus textos
Você me fez sentir
Então, chega de me prolongar
Na minha loucura de linguagem
Dessa fantasia textual
Você é meu
E ponto final.
Amor no Rádio
Falar pra você vir me beijar, meu doce vampiro
Como citou a Rita Lee
Satisfazer sua vontade e também me saciar
Como cantou Lulu
Cuidar bem de você, meu amor
Sendo quem for
Como Paralamas me lembrou
Eu ouço nosso amor no rádio
Ele tem sabor de fruta mordida
E quem disse foi Cazuza
Até parece que ele já nos conhecia
Eu quero me encostar na tua
Como mencionou Ana Carolina
Ah, amor, meu grande amor
Ao contrário do que Barão Vermelho cantou
Chegue na hora marcada
Você tem a minha paixão
E as minhas palavras
Quero um amor maior que eu
Assim como Jota Quest eternizou
E sei que você pode me complementar
Quero ler em seu rosto uma mensagem de amor
E matar essa vontade de te encontrar
Vamos escrever a nossa própria música
Sem precisar plagiar
Sejam as ideias, as frases, os temas
Teremos nossa canção exclusiva
Pra cantar através dos anos
Para filhos, netos e outros tantos
Porque o amor é lindo, sim
Feio é quem não sabe interpretar
E dançar a sua melodia.
Barco
Ancorado no cais
Jamais saiu do lugar
Tem medo do caos que vai encontrar
Se atravessar o alto mar
Barco
Sabe que há marés
E que elas viram a qualquer momento
Sabe que há ressaca
Também sabe da mudança dos ventos
E que é preciso mudar a posição das velas
Para continuar a navegar
Barco
É preciso saber para onde ir
Antes mesmo de sair
Sem um rumo definido
As ondas podem levar a qualquer lugar
Se não tiver um objetivo
Parado onde está
É tudo mais certo e seguro
Não há perigo para enfrentar
Mas no cais
Não há nada diferente para descobrir
Muito menos paraíso a desbravar
Barco
Dias e noites passaram
Nunca virou a bombordo
Nem a estibordo
Uma leve crosta criou-se a sua volta
Castigo por não sair do lugar
Barco
Solte suas cordas
Você não foi construído
Para ficar onde está
Há rios, mares
Oceanos infinitos
Para poder velejar
Tenha coragem de sair do lugar!
Barco! Viaje!
Há muitas milhas você pode chegar.
Só
Algo que não há
Procurando se encontrar
Se viu só
Como uma nota Dó
Sem outras notas para a música compor
Dentro de si
Começou a observar
Se perdeu
Mas tenta se achar
Dentro de si deu um nó
Difícil de destrinchar
Ela, só
Não pensou que chegaria nessa etapa da vida
Em eternas despedidas
Mas que nunca se vão
Ela é só
Só alguém que queria mais
Caminhar ao lado de quem quer voar
Descobrir algo novo além do cais
Mas quis tanto
Que tudo virou caos
Do peito torpe ao pensamento tenro
Tudo nela agora é vendaval
Só, no meio do vento
Sem saber pra onde vai
Só sabe que dentro de si
Mais nada há
Achou que havia se preenchido dela mesma
Mas foi sentimento substancial
Do seu já conhecido vazio existencial
Sensação que já é normal
Dentro de si
Ela é só
Mas poderia ser pior
Ela prefere ver que ainda há sol
Num dia que pode ser lindo
Se ela se deixar iluminar.
Depois Do Amor
Sinto seu coração bater
Sensação melhor não há
Meu peso sob seu corpo não parece te incomodar
Seus dedos compridos se entrelaçam em meus cabelos
Carinho suave que quase adormeço
Ouço nossas respirações no silêncio
Que há pouco foi irrompido pelo barulho dos nossos sentimentos
Você beija a minha testa
Não quer se mexer muito para não me atrapalhar
Mas nós já nos mexemos demais
Agora repouso em tem peito
Ouço o som do pulsar
Faço o teu corpo de cama
O teu cheiro é um incenso que me acalanta
Quase adormeço
Para ter os melhores sonhos
Mas para quê?
Se eu já sonho acordada diariamente com você
Suas mãos descem até minhas costas
Sinto sua proteção
Ponho uma das mãos em teu peito
Que fiz de travesseiro
Me ajeito
Fecho os olhos
Você me nina
Eu me deixo relaxar
Não há roupas mas não sentirei frio
Sua pele na minha agora aquece
O que ainda agora era arrepio
O beijo quente que me deu calor
O toque que gerou ardor
Agora me envolve, me acaricia
Demonstrando nas suas digitais pelo meu corpo
Todo seu apreço
Me protegendo de amor.
Verdades
Que são doloridas
Facilmente decifradas
Que gritam pelo olhar
Verdades não ouvidas
De palavras ressentidas
Facilmente percebidas
Pelo jeito de falar
Você tenta e disfarça
Mas é a mim que quer amar
Fez uma troca consciente
Pois ela era mais conveniente
Mas é no meu abraço que você quer morar
Ela te acaricia de um modo insistente
Sabe que tem outra na sua mente
Você não tem capacidade de esconder
Que meu homem você gostaria de ser
Você a beija de um jeito inconsequente
Faz isso na minha frente
Mas do meu toque diferente
Você não consegue esquecer
E eu jogo essa verdade na sua cara
A tensão é latente
Seu coração dispara
Só de pensar em me ver
Você trabalha seu autocontrole
Pra não me agarrar, pra não me beijar
Seu eu passar e olhar pra você
Verdade seja dita
Seja escrachada
Seja gritada
Seja ouvida
Você ama me querer
E a verdade é que você está com ela
Porque ela é rica
Mas tem que fazer com ela
O que eu fazia com você
Só que jamais será igual
Que pena
Você escolheu assim
Ficou com ela, se sentindo sozinho
Sem o meu calor
Sem o meu fogo
Sem mim.
Memórias de Um Poeta Falecido
Por que choram em cima de mim?
Que eu me lembre eu era motivo para rir
O que fazem todas essas pessoas aqui?
Muitas delas mal me cumprimentavam quando eu passava
Fingiam que não me viam
Mal me olhavam
Então, por que choram agora?
Eu era só mais um
Um, chamado de louco
Que escrevia para uns poucos
Porque nem todos tinham a capacidade para entender
O que essas pessoas fazem aqui?
Me olham com pesar
Como se assim
Pudessem se desculpar
Mas não adianta mais nada
Agora que a vida acabou
Parece que choram mais pelo remorso
Do que pela tristeza de alguém que se foi
Eu era só mais um
Um simples e reles poeta
Que nunca foi considerado ou lido
Que agora só está sendo lembrado
Porque morreu
Ah, se eu pudesse me levantar daqui!
Ou se alguém aqui pudesse me ver agora
Eu enxotaria a todos!
Diria: "fora daqui, seus tolos!"
Nenhum deles nunca fizeram questão de mim em vida...
O que fazem aqui, então?
Por que ousam chorar no meu caixão?
Gente hipócrita
Que só enxerga valor e bondade em alguém
Quando esse alguém aqui não mais está.
Comentários (3)
Muito bom
lindo poema
Um notável texto de sua autoria Poeta PATY LEITE, bom dia! Li este seu texto “PEIXE FORA D’ÁGUA” e gostei bastante de sua forma de se expressar. Você é uma daquelas pessoas que sabem o que, e do que está falando. Mesmo sendo agente literário, e prestando serviços para várias editoras, recentemente publiquei alguns de meus escritos em uma antologia produzida pela Editora Palavra é Arte. O sistema que eles utilizam para o edição de livros é algo inédito. Nós autores não gastamos nada com produção da obra. Os exemplares nos são disponibilizados no sistema de venda consignada. Isto quer dizer que se alguns exemplares não forem vendidos, podemos devolvê-los, e estes serão doados a bibliotecas públicas e presídios, inclusive das cidades onde moramos. Como gostei muito da forma como você escreve, pedi permissão à editora para convidar você e mais oito outros autores, para participarem de uma das próximas edições. Se um de seus objetivos quanto à Literatura é ter seus textos publicados em forma de livro impresso, acredito que esta seja uma boa oportunidade. Por isto peço permissão para que façam contato com você e lhe enviem o material referente à publicação. Espero que desta forma, eu esteja retribuindo a sua amizade. Se for dar resposta a esta minha mensagem, gostaria de pedir-lhe que, por gentileza, envie sua resposta para o meu e-mail pessoal que é este: agenteliterarioburnier57@yahoo.com Um abraço fraterno, Marc Burnier
Português
English
Español