Escritas

Lista de Poemas

Necrose


Certa vez
Eu vi um homem,
E ele estava só.

Assim como a noite
Tão escura,
Quanto suas ideias.

Não havia vida
Em seus olhos.

Não havia cultura
Em sua boca.

Tão vazio
Quanto o espaço
Que habitava.

Sobravam-lhe passos
Quando suas palavras
Findavam.

Suas vestes simples
Apenas refletiam,
A exclusão em que vivia.

Seus ouvidos cansados
Confundiam palavras,
Embriagados com tanta mentira.
Mesmo assim,
Este homem sobrevivia!

O cheiro que exalava
Facilmente se confundia,
Com sarjetas, esgotos, agonia.

Seus movimentos, lentos,
Não eram calculados,
Tal homem, não conseguiria.

Era fraqueza, luta!
Pelas sobras do meio dia,
Restos de uma sociedade
Rompida pela hipocrisia.

Não se via os traços de sua mão
Esfolada, os calos não permitiam.

Ao longe
Impossível saber,
Se era ele branco, preto ou amarelo.

Havia tantas vidas mortas
Naquele corpo, que dificilmente,
Algum sonho, sobreviveria.

Sim,
Eu vi este homem só!
Despido de toda carne podre ao seu redor.

Livre de pré-conceitos
Humilhado o suficiente,
Para não julgar.

Sem dinheiro, sem limites,
Sem crimes, para se condenar.

Este homem
Não tinha permissão da vida,
Para a morte lhe causar.

Não seria esta noite
Fria e só...
Que poderia repousar!

A sociedade uma vez mais
Teria que lhe usar,
Como exemplo!

Como lamento, como espelho.
De como um homem só
Embora livre!

Não lhe seja permitido
Chorar.
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Peças lascadas



Apenas mais uma sombra
Invisível á tantas outras
Que dormem.
Uma peça lascada
De uma cidade despedaçada.
Quadros vivos
De uma paisagem petrificada,
Pouco admirada
Lembrada ou amada.
Quem sabe ao amanhecer
Mais uma mancha de sangue
Se destaque na calçada.
Revestida por corpos
Pequenas diferenças
Que por hora não são nada.
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Ilusões

Não há ilusões
Não existem fantasias,
Falsas esperanças.
Apenas a realidade
Corrompida, suja e politica,
Não existe punição
Apenas acordos ,
Mensalão.
Mãos amigas
Inimigas e que sufocam
A nação.
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Feridas Abertas


Ao segurar a rosa desfolhada
Livra de todo pudor a morte,
Não é a sombra do medo
E tão pouco o medo da solidão.
A raiva contida no sorriso
E as palavras sutis,
Que marcam os desejos
Recusados pelo coração.
É teu suor, fedido, mórbido,
De quem não lutou, não desejou revolução!
É o espinho que sangra minha mão,
Quase estragando o macio das pétalas.
Morte certa pela beleza
Da vida, de um amor,
Trancado com medo de voar!
Pois o vento não consegue levar o sangue
Que seco sobra-lhe o chão.
Não faz brotar vida nova
Tão poucos sonhos belos,
Apenas cicatrizes de dias secos
Aonde a beleza das flores não curou.
Feridas abertas, não cicatrizam,
Mesmo feitas pelo amor.
👁️ 331

Letras soltas

Entre as letras
Soltas de uma oração,
Um pouco de fé,amor e ilusão!
Dedos cruzados
Olhares marejados,
Trazendo dias e levando anos...
Coração morno, sorrisos largos,
Buscando nos desencontros
Afagos e vontade de viver.

👁️ 240

Lugar algum



Alguma porta...
Alguma pedra,
Algum lugar!
Para atravessar...
Para jogar,
Para visitar!
Entre alguns pensamentos...
Entre alguns dias e noites,
Entre alguns corpos para se desejar!
👁️ 280

Pequeno conto


Um pequeno conto sobre amor

Com corações partidos,

Sorrisos e lagrimas.

Olhares trocados

Papéis rabiscados,

Juras de amor

Dor, sem pudor.




👁️ 297

Marcas


As marcas da mão

Escondem uma vida,

Leves toques e olhares

Disfarçam o sentimento.

Passado guardado...

Na mente, subconsciente,

Como noites e dias,

Respirados de forma intensa,

Como velhos amores...

Que chegam e não guardam lugar.

De tantos sonhos antigos

O presente persiste,

Em trazer o futuro...

Carregado pelo vento.

Ao acaso das escolhas

Quem sabe outras rotas,

Para quem deseja outras bocas,

Na procura desvairada...

Respirar a vida.






👁️ 254

Da felicidade


E a felicidade

Estapeou sua cara,

Somente pelo prazer

De lhe provar,

Que nunca poderia doma-la.

Tal pedaço do paraíso

Escondido por trás dos dentes,

Que serrados combinavam

Um tímido sorriso.

Continuava lá, sentado...

Há contar ás horas

Ás estações e migalhas,

Que tentava aproveitar.

Poderia ser mortal!

Ser intenso ou puro frenesi.

Á tal momento

Tudo que poderia,

Morrer ou viver...

Está ao alcance

De seus tristes olhos.

E suas mãos não desejavam,

Folhar alguma pagina, a mais
sobre a vida.

Deseja o momento eterno de
felicidade,

Cobiçava estar diante do paraíso.

Mas á vida...

Insistia em lhe mostrar

Que ao menos para si,

Alegria vã é acompanhada

Pelo sacrifício tolo.

E a eterna...

Por pequenos monólogos de
tristeza,

Anunciando a loucura popular,

Por segundos, explorada,

De algum tipo de sorriso.







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Na lona


Na lona

O beijo roubado,

O amor não vivido!

Sobre uma certa luz

Do sol, refletida na lua.

Na lona...

Escondido, delírio,

Sem motivo...

Para levantar,

O corpo só, estendido.

Na lona...

á navegar,

Dentro de um sonho,

No oceano de um olhar.




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