Lista de Poemas

Sofra

Está se divertindo?
Está feliz por acaso?
Então eu acho que eu tenho que te lembrar de algo

Você tem que sofrer
Tudo aqui seria melhor sem você

Você tem que sofrer
Tudo seria melhor se você desaparecer

Nós temos que te relembrar
Sempre, eu digo sempre
Que para você já não há mais lugar

Isso, se esconda
Se humilhe com essas lágrimas
Pois é só isso que lhe resta

Não há perdão, na verdade nunca teve
Esse mundo é injusto, podre
E estamos aqui para te lembrar que isso não será breve

Você tem que sofrer
Nunca houve redenção para você

Você tem que sofrer
Tudo seria melhor se você perecer

O que é isso agora?
Está rindo?
Enlouqueceu finalmente!

Nós todos sabíamos
E aqui vou deixar claro
Não haverá mundo que te aceite

Você não desfrutará do céu
Nem mesmo terá o amargo do inferno
Pois você estará aqui conosco, sim a viver
Por que tudo que lhe resta agora é o sofrer

Você tem que sofrer
Ainda pergunta o por que?

Você tem que sofrer
Somente por ser você

Mesmo que não fizeste nada para merecer
Mesmo que somos nós os culpados por todo esse escurecer
Ainda sim dizemos
Sofra, pois você tem que sofrer
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Vida

A vida é algo estranho não é?
Está a nossa volta, está sempre com a gente
Somos exemplos dela, seres viventes

Algo belo, fascinante
Aparece de várias formas, de várias maneiras
A vida é assim, algo quase inerente

Quase por quê? Pois bem eu lhe falo
Ela pode não ser tão duradoura
Tão pouco respeitosa
Ela vai e vem, ela é mesmo uma figura

Há quem adora a vida
Há também os que abominam
E no meio desses dois lados
Também há os que só a contemplam

Pois essa é a vida, sem alma e nem corpo
Sem coração, sem pensamentos
Pois não é a vida que faz a vida
Confuso isso? Calma que eu já te conto

Somos nós que pesamos a vida
Nós mesmos que a condecoramos
Com cada detalhe, conforme a vivemos

A vida não é injusta, nós que somos
Pois a gente que faz ela, sem coro e sem respeito
“A vida então como ela é, apenas dá o troco”
Não, não meu amigo… Nós que a indispomos

Pois a vida é estranha
Ela pode vir até mesmo aos mais tolos
Mas de nada posso culpar algo assim
A vida é mesmo fantasiosa...
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O que tenho a dizer?

Por que começar a escrever?
O que mais tenho a dizer?
Sendo essas palavras, sem sentido
Não tendo nada por si contido

Não sei mais o que fazer
Nada mais a tecer
Compreendendo por um único momento
Um flash de objetivo

Por que continuo a indagar?
Sendo também o questionar
Esse vazio a afirmar
E nada mais a dizer

Com o pressuposto de resolver
Tal quebra-cabeça sem nem poder
Tê-lo então concluído
Por que não parar?

Quando terminei de escrever?
Percebo que tinha algo a dizer
Que naquelas Palavras sem sentido
Havia a essência de algo por si perdido

Desculpe…
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Dependência

Nossa, minha nossa
O que eu farei agora?

Tão perdido, tão perdido
Acho que estou enlouquecendo

O que eu faço, sério, o que eu faço?
Não percebe o tamanho desse estrago

Agora já era, não dá mais
Aliás dá sim,
Por favor me deixe me levar um pouco mais

Um pouco mais de quê? Ainda pergunta isso?
Você sabe muito bem qual é o vício!

Então por favor, por favor…
Nesse caso, se aproxime mais um pouco
Sim, sem nenhum pavor

Mas o que? Ainda não percebe?
Está na minha frente, sim acontece…

Não te disse antes? Que é você a quem eu também dependo?
Sim, isso mesmo… essa é minha outra adição, meu único caso

Pois estar com você vale mais que qualquer outro ofício
É melhor assim, do que ter que me recorrer àquele vício...
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Uma vez encontrei uma flor

Tinha essa vez,
Sim, aquela vez
Que por um acaso fitei
Aqueles olhos que brandiam mistério

Sabia que talvez
Essa não seria a primeira estupidez
De fato, eu me alienei
Cegado por essa visão do etéreo

Por mais que eu me pergunte o por quê
De eu sempre voltar a você,
Ainda sim não há mais como evitar
De eu voltar para esse lugar

Sim, tinha essa vez
Aquela vez
Que por acaso lhe disse
O que eu faria por esse momento eterno

Mas eu sabia que talvez
Essa seria a última estupidez
De fato, não mais a verei
Dor que agora terei que passar por esse Inferno

Por mais que me pergunte o por quê
De eu não poder mais voltar a você
Não há como deixar pra lá
Terei que continuar nesse lugar
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Um breve sopro

A quem mais poderia me dirigir
Se não para aquela pessoa
Que simplesmente me atordoa
No momento que a vejo vir

Vagueando estou eu, sem perspectiva
Sem nenhuma pista
Com falta de iniciativa
Relembrando aquela gentileza

Não havia o que fazer,
Era isso que me fez ceder

Entendo minha posição
Assim como sua situação
Mas prefiro continuar tentando
Com esse interno objetivo

Por isso, nesse momento eu digo
Quero ser egoísta
E também otimista
Eu quero viver isso

Mas ainda sim entendo a liberdade
Com isso a sua parte
Porém insistente vou continuar
E o meu lado irei-lhe apresentar

Não há o que fazer
É esse sopro que quero exercer

Não que seja turbulento
Como uma tormenta

Ou tão leve quanto a brisa

Mas que ao menos seja algo

Que você perceba...
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Meu lugar

Onde será meu Lugar?
Ao que eu posso complementar?

Não consigo afirmar nada
Além de que eu não pertenço de fato

Com isso eu te pergunto:

Eu poderia brandir minha espada?
Sem nada para defender no ato!

O que eu tenho para oferecer?
Sendo que nem eu entendo meu ser…

Como ainda estou aqui?
Um alguém que evita o agir

Mesmo ainda que todos me apontam
Eu exito, inconformado e sem prosseguir
No amargo das palavras que me atormentam...
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Ser e estar

Eu estava errado, e eu sei disso
Mas o que posso fazer?
Senão olhar para o que já foi visto
E dar um retoque de amargo promíscuo

Eu estava incomodado, emaranhado
Nesses pensamentos sem algum dever
Algo que só diria quem estivesse nesse estado
Nesse lugar de delírio, algo que pertence a um derrotado

Do que adianta… O que consta?
O que se pode fazer nesse faz de conta?
Afinal nele só há sofrência além do esperado
Um estado do ser de alguém sem futuro

Se não há futuro,
Por que não olhar no presente?
Este momento que se diz no próprio nome
A dádiva do agora, aquilo que está vigente

Eu lhe digo portanto:
Não há “presente” no agora
Pois o atual é que se faz os sentidos
Com isso eu digo,
É o que faz “ser” os mais sofridos
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Distante

Andando nesse dado tempo
Com um sentido meio isento
Do que os outros chamam de pensar

Mas ainda sim me lembrava
Que depois dessa meia caminhada
Para aquela verdade eu tinha que voltar

Nessa melancólica jornada
A tese dessa história há tempos foi dada
Num ato que eu vinha a clamar

Aqui estou de novo
Nesse mesmo caminho
Talvez seja um ciclo

Estou então perdido?
Assim, sem algum acerto?
Sim… desonrado

Sei que de nada vale
Voltar para aquele lugar
Sem nem ao menos querer estar

Sei também que por mais que eu fale
Não há o por que continuar
Nesse estado vago, mal estar
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Tempo

Tempo? Que tempo é esse que você precisa?
Tempo é o que você tem de sobra
Com esse vagabundo interior
Que à parte do tempo vagueia

Ainda não entendo… Qual é a desse tempo?
Não fazes nada, e ainda quer mais um momento?
Eu que deveria clamar por isso!
Não você, que não sabe pelo que eu passo
Nessa vida lotada de risco!

Por que está sofrendo? Ainda não conseguiu seu falso tempo?
Aprenda a viver, gaste todos esses minutos
Gaste tudo, como se não lhe restasse mais segundos
Para pensar em ter esse tempo bobo, ou se afogar em lamento

Hey, já parou de falar de tempo?
Vamos lá, temos mais o que fazer
Recomponha seu senso
Espera, por quê não está se movendo?

Por favor, fale comigo
Nem que seja por um momento
Rápido, estou sem tempo
O que aconteceu? Está doendo?

Deixe dessa loucura
Não vê que está tomando meu tempo?
Ficando ai parado, no mais irritante silêncio
Meu deus, não sei mais se aguento

Ainda não entendeu? Já deu meu prazo!
Decepcionante esse seu amargo
Espero que tenha conseguido aquilo
Longe desse mundo em que se oferece ensejo
Longe disso tudo, junto com seu odiável tempo
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