Lista de Poemas
JUIZO FINAL (II)
Quero saber, meu chapa, é quando o Boss
Ficar de saco cheio dessa raça
E decidir cortar a luz dos sóis
E descer pra repor ordem na casa.
As gentes ficarão em maus lençóis
Porque quando Ele chega, sempre arrasa.
Vai pegar cada qual pel' próprio cós
E botar sem dó chumbo e ferro em brasa.
Quem quiser chorar, chore desde já, Quem viver chorará
Já que é certo não dar tempo depois.
Se quer se arrepender esqueça, pois
de se salvar, nem Ló desta vez há.
De ninguém restará sequer a ideia,
Eu, tu, ele, nós, vós, eles: diarreia!
Ficar de saco cheio dessa raça
E decidir cortar a luz dos sóis
E descer pra repor ordem na casa.
As gentes ficarão em maus lençóis
Porque quando Ele chega, sempre arrasa.
Vai pegar cada qual pel' próprio cós
E botar sem dó chumbo e ferro em brasa.
Quem quiser chorar, chore desde já, Quem viver chorará
Já que é certo não dar tempo depois.
Se quer se arrepender esqueça, pois
de se salvar, nem Ló desta vez há.
De ninguém restará sequer a ideia,
Eu, tu, ele, nós, vós, eles: diarreia!
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CAMICASE
Se luto contra tudo contra todos
é que estou em combate também contra
mim. Se trago a ofensa já na ponta
da língua é que conheço os desaforos
tantas vezes cravados em meu corpo.
Se tenho engatilhada a arma que aponta
tonta para inimigos cuja conta
perdi é que também caio em desgosto
comigo. Se desdenho do ser ou
não-ser das coisas tanto se dá por-
que não concebo meu próprio sentido.
Se do mundo aparento gostar pou-
co jamais requestando seu favor
é que não finjo. Vou: limpo, despido.
o2-o3.11.99
é que estou em combate também contra
mim. Se trago a ofensa já na ponta
da língua é que conheço os desaforos
tantas vezes cravados em meu corpo.
Se tenho engatilhada a arma que aponta
tonta para inimigos cuja conta
perdi é que também caio em desgosto
comigo. Se desdenho do ser ou
não-ser das coisas tanto se dá por-
que não concebo meu próprio sentido.
Se do mundo aparento gostar pou-
co jamais requestando seu favor
é que não finjo. Vou: limpo, despido.
o2-o3.11.99
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O ESPANTALHO
Para Francisco Carvalho
Vozes ouvi ditando-me petardos
Ousados ditirambos trovas marcos
Outrora pertenci aos Goliardos:
Agora porém faz-se o ouvido parco
Astros vi cujas luzes e estilhaços
Deixaram-me os cabelos eriçados.
Mas ver também enfada e hoje me escasso
O pelo ralo o olhar cinza embaçado
O corpo qual quebrado por um auto
E minh'alma indo abaixo pelo ralo
Se algo tive tomaram-me de assalto
Ou eu mesmo matei, Sardanapalo
Após tanto viver, esse ato-falho,
Que fui? Que sou? - Poeta ou Espantalho...
Vozes ouvi ditando-me petardos
Ousados ditirambos trovas marcos
Outrora pertenci aos Goliardos:
Agora porém faz-se o ouvido parco
Astros vi cujas luzes e estilhaços
Deixaram-me os cabelos eriçados.
Mas ver também enfada e hoje me escasso
O pelo ralo o olhar cinza embaçado
O corpo qual quebrado por um auto
E minh'alma indo abaixo pelo ralo
Se algo tive tomaram-me de assalto
Ou eu mesmo matei, Sardanapalo
Após tanto viver, esse ato-falho,
Que fui? Que sou? - Poeta ou Espantalho...
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PARA JOSÉ ALCIDES PINTO
Satanás, onde finda, onde começa
x
Deus? Onde principia o canto, a praga
Onde termina? E a FÚRIA, a pena, a chaga
De se saber inútil a promessa,
E a tara, a compulsão mais inconfessa,
O ódio e a poesia, onde? E a fraga,
O dragão da maldade e sua adaga,
Onde? E a pornografia, reza-avessa?
Onde nasce e se acaba o amor messa-
Lino, em que Estreito límbico? E em que plaga
Surge e culmina a dor d'alma possessa?
Onde o final e a gênese da Saga?
E onde tem tido origem e onde cessa
Este mesmo que agora, louco, indaga?!
19.o6.o8
x
Deus? Onde principia o canto, a praga
Onde termina? E a FÚRIA, a pena, a chaga
De se saber inútil a promessa,
E a tara, a compulsão mais inconfessa,
O ódio e a poesia, onde? E a fraga,
O dragão da maldade e sua adaga,
Onde? E a pornografia, reza-avessa?
Onde nasce e se acaba o amor messa-
Lino, em que Estreito límbico? E em que plaga
Surge e culmina a dor d'alma possessa?
Onde o final e a gênese da Saga?
E onde tem tido origem e onde cessa
Este mesmo que agora, louco, indaga?!
19.o6.o8
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O Poeta de Meia-Tigela nasceu Alves de Aquino a 28 de agosto de 1974, em Fortaleza, Ceará. Reescreve ininterruptamente o seu Concerto N. 1Nico em Mim Maior para Palavra e Orquestra — Realidade de Combinações Puramente Imaginárias, cujo 1°. Movimento foi publicado em 2010.
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