Lista de Poemas

como da primeira vez...

Como da primeira vez

Sinto seus lábios no meu rosto
Amámo-nos com se fosse a vez primeira!
E no encanto do momento havíamos posto
Olhos nos olhos e silêncio na noite inteira.

O tempo parou é nosso o mundo!
Unidos no silêncio então nos amámos
Caímos num sonho belo e profundo
Cumpriu-se, num só corpo nos tornámos.
Fiquei vencida no teu corpo como frágil flor.
Aí é meu lugar, aí descanso e ainda habito
A mim te entregas com paixão e amor
E num louco desejo, soltamos um grito.

Surge uma tempestade, louca de efusão
Até nossos pensamentos ficam ausentes
Só os sentidos vivos como cratera de vulcão
Explode em nós o Amor como água nas nascentes.

rosafogo
natalia nuno
👁️ 421

loucura...

mais um dia
sempre o mesmo
do começo ao fim,
ruidoso corrupio
sinto o desnorteio em mim
no sonho me refugio

deito um olhar derradeiro
ao rio e ao salgueiro
no vazio da madrugada
as aves livres no céu
cativo só o pensamento meu
apaixonadamente canto
ao romper da aurora
quando estou feliz
ou quando o coração chora

fantasio,
danço em campo de margaridas
me arrepio,
das rolas ouço o arrulhar
tornei-me louca
é nas lembranças que procuro
minha vida resgatar

natalia nuno
👁️ 379

sonhos que me navegam...

Sonho que sou menina
Não quero nunca despertar
Remonto à origem do meu caminhar.
Conquisto o azul celeste
As asas me dão coragem
Visto-me de penas, de alegre plumagem.
Ando perdida num mar de açucenas
Sei apenas...
No sonho sou menina
Perdida na neblina.

Meu sonho!
Me reconforta a esperança
que em ti ponho.
Salpica, saplica-me de alegria!
Não me fales de dissabor
Deixa um sussurro em Poesia
Tira do meu coração a nostalgia
Abre novas janelas ao amor.

Ajuda-me a dizer não
a todos os nãos
Sim á felicidade
Deixa-me agarrar com as mãos
Da vida a cumplicidade.
Porque a vida é um trino ardente
E eu ainda me sinto gente.

rosafogo
natalia nuno


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do que fui sou a saudade...

Eu, sou aquilo que sou.
Que nem eu sei descrever bem!?
Só sei que a Vida passou.
Por mim com algum desdém!
Já não sou folha viçosa.
Sou lágrima dum adeus!
Mas já fui rosa, e que rosa!?
Apagaram-se olhos meus.

Sou então aquela que fui!?
Digo sem receio nem agravo
Sou como tudo o que rui.
Mas já fui livre que nem ave!
Fui labareda ao vento,
Fui chama que ateou...
Hoje só espero o momento
De perceber quem ainda sou!

Se calhar não sou ninguém?!
Ah! Do que fui sou a saudade!
Pois se houver por aí alguém?!
Me conte do que souber a verdade.

rosafogo
👁️ 438

estendo o olhar...

um murmúrio perdido que ninguém ouve ela traz da infância, quando habitava um lugar de luz, hoje sombra escurecida... é pássaro que dá bicadas no vazio e ninguém dá pela sua presença. sussurra palavras trémulas e distantes que ninguém ouve e são como enfaroladas nuvens prestes a derramarem num chão com rumor a agonia, e ao mesmo tempo é ainda juventude ou apenas memória numa confusa dualidade... pôs o sorriso no esquecimento, por desejo ou capricho escreve poemas acariciando as palavras que despertam na sua memória, o sonho é a chave do seu viver... o seu corpo é a languidez da tarde onde o Sol já dormita, astro que sempre a acompanhará no silêncio turvo dos versos, numa solidão crescente, até que um dia o pulsar acabe...e nada mais perturbe o seu silêncio, nem lhe negue os seus desejos...um agasalho a cobre, feito de livros e folhas de papel onde a aguarda sempre um poema que quer conquistar...

natalianuno
👁️ 381

a pingar nostalgia...

quando me encosto à solidão
ninguém me pergunte nada
que irei permanecer vazia
de memória esfarelada
com pedaços de noite e ideias cegas
de nostalgia
na mão a folha do poema pronta
a boca de palavras inundada
o poema treme de comoção
pronto a nascer
ninguém nos faça afronta
que somos caudal de rio
pronto a correr...

a pingar melancolia,
nasce o poema quando ainda a noite
se prepara para dar vida ao dia...
fantasias na minha imaginação
palavras agitadas irrompem da minha mão
e num só instante o tempo passa pelo tempo
e tudo me é indiferente
e a palavra fica doce e inocente

surge a lua na janela desaba no vidro baço
e nem eu lhe mostro o que faço, nem ela
se quer retirar, mostra-me o seu rosto lunar
duma beleza sombria, pouco a pouco
uma chuva macia e o choro do vento louco
a minha sombra tomba na escuridão
choro os dias que sonhei então
e o rosto já não é o meu
e na minha essência de lua sou estrela
sem fulgor que emudeceu...

natalia nuno
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levo meu barco...

Em meu barco faço minha travessia
Sou capitã, não me deixo naufragar
Para as aventuras deste dia
Levo comigo quanto preciso e que hei-de amar.
Irei vasculhar todos os mares
Penetrar em àgua profunda
Abarcar em marés de luas e luares
E deixar ao longe a terra moribunda.

Sei de cor e salteado
Sou do Povo, dele venho!
Falo sempre assim e assado!?
Tenho a importância que tenho.

Melhor do que quem quer que seja
Sou bicho raro, sou ignorante?!
Pertenço ao Povo,sua voz em mim rumoreja.
Levo meu barco distante.
Não devo nada a ninguém!
Faz tempo, a pobreza enfrentei
Sigo sempre mais além,
Tempestades enfrentarei.

Deste barco não arrancarei pé
Sou marinheiro de fé.

Sou poeta desde a juventude
Bom poema não consegui escrever
Mas vou tentando amiúde
Quem sabe?!
No Céu quando morrer!?

rosafogo
natália

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MEMORIA DUM TEMPO ÍDO

MEMORIA DUM TEMPO ÍDO

Já choram de novo os beirais
Me embalo com o seu choro
A solidão pesa demais
Por um dia de sol imploro.
Cai a chuva como pranto
Desesperada no chão
Também o meu desencanto
Açoita o meu coração.

Já choram de novo os beirais
Lágrimas do céu em desespero
Cantam os pássaros seus ais
E eu à Vida que tanto quero.
Não levo pressa de chegar
Quem sabe numa madrugada molhada
Ou quando o tempo amainar
E a Vida p'ra mim fôr nada.

Já não choram mais os beirais
Se calam em descanso merecido
Já são memória nada mais
Memória dum tempo ído.

Agora sou eu quem chora
Porque já se encurta a Vida
Meus sonhos foram embora
Ando de sonhos despida.

rosafogo
natalia nuno



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escrevo o que sinto...

sem saber como
levo a vida esgotada
ainda agora era manhã
já é noite cerrada
passou o alvoroçer
já lá vai a madrugada
a tarde deixou de ser
fico nesta suavidade
fundo-me com a minha sombra
eternamente a saudade
no silêncio da alma
tudo acalma e serena
nesta estação amena
e o feitiço da lua
faz-me reencontrar a paz
escrevo o que sinto
e o coração se satisfaz.

na minha alma há musica
porque a esperança em mim germina
amanhã serei de novo menina...

natalia nuno

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solto a alma...

Sonhei que meu livro da memória
se fechava...
E o céu passava de azul a vermelho
e sangrava.
Os amores perfeitos e as violetas
continuavam no jardim,
E me procurava, mas nada sabia de mim.

Tudo é tão vago e tão breve
Saio do sonho à procura
Ansiando que me seja leve
O limite dessa brevidade.
O tempo já nada cura
E só me permite a saudade.

Não sei se foi de tarde ou era aurora
Ou de noite que sonhei em desatino
Mas lembro do sonho agora
Da certeza que é senhor do meu destino.

As violetas continuam no jardim
Os amores-perfeitos pulsam-me nas veias
Só não sei pra onde vou, e de onde vim?
Sonho utópico, envolto em teias.

natalia nuno

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Comentários (11)

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natalia nuno
2021-11-06

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo
2018-12-15

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck
2018-12-14

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66
2018-10-22

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino
2018-10-17

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.