Escritas

Lista de Poemas

apatia...

os olhos em que ardia
e relampejava o amor
estão agora encovados
enegrecidos pela melancolia
a sua chuva é silenciosa
a sua luz escura
apenas obscuridade
onde só se lê saudade

em silêncio como as pedras
a voz, existe na mente apatia,
eu era aquele sol
e a vida aquela magia
hoje?! feneço como fenecem
as rosas, no devaneio
da solidão...

natalia nuno

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pensamento...

A vida passa como uma sombra, nada restará da passagem, a morte trará uma misteriosa e indevassável paz, ficará apenas a palavra escrita com a graça duma noiva que se entrega.

natalianuno
👁️ 203

abrigo...

Das palavras faço ninho
Sou pássaro esvoaçante
Pouso em roseirais no caminho
E em silêncio sigo errante.
Invento sonhos,trepo aos céus
Retomo a caminhada é o começo
Ao meu arco-íris digo adeus.
Nada mereço!
Acabou a fantasia,
A vida já não é nada!
Perdida em mim a alegria
Cruzados os braços, parada.


Reacendo forças, invento razões
Vou-me refugiando, vivendo ilusões
Aguardando tempestade,
Vou seguindo como cego
Vagabunda de saudade
Ando a tatear não nego.

Nesta curvatura da vida
Como me sinto perdida!
O amanhã impiedoso
Pássaro em reviravolta
Neste final duvidoso
Em mais um dia sem volta.

rosafogo
natalia nuno




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a alma suspensa... prosa poética.

o tempo passa e já pouco me move, com ele os dias vão e já não é vasta a alegria de viver como outrora, e a vontade de quando em quando anda escondida num esconderijo do meu cérebro, mas há sempre um relógio no meu interior que mansamente me desperta e me vai levando mais um pouco avante e aí me sinto como uma criança silenciosa que só agora acordou e vai acolhendo a vida conforme ela se lhe depara... e lá vou enchendo de palavras o ar que respiro. e ao mesmo tempo recordando a infância, relembrando o anoitecer morno das tardes de fim de verão no lugar onde nasci, as gentes que amei, as flores baloiçando ao vento e o perfume macio vindo dos laranjais, lá fico a sonhar, volto a noivar, sou menina do campo trago a luz da primavera nos olhos, a voz fresca como uma manhã orvalhada, nos cabelos o odor a hortelã e a alma suspensa como se fosse renascer de novo...e, milagrosamente saio do labirinto, acolho a vida sem nevoeiro, ao contrário, prometendo-me sol nos canteiros do meu coração...perco-me no infinito da memória, fecho os olhos e do sonho não pretendo mais acordar e nem o aroma das letras me trará de volta.

natalianuno
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agora que não me tenho...

palavras são borboletas que esvoaçam
e o meu olhar embacia enquanto passam
nos umbrais da minha alma ainda menina,
vou esculpindo versos nas noites consteladas
os anos me levam, nestas palavras devastadas
eu me reinvento, e
sonho-me a mim mesmo pequenina
escrevo um verso de saudade mais intenso
e quando esquecer o meu nome
escassa e magra será a liberdade
a memória consumida, e a vida
não pode ser mais chamada de vida,
ficarei repetindo palavras aprendidas
a memória presas, despojadas de certezas
na solidão da hora, tudo o que amei esquecerei
agora que não me tenho, as palavras se perdem
e já de nada me servem.

pertence-me o vazio das horas
o vazio das vozes que me falam
e a boca a mastigar indiferença
e na branca nudez da memória
já nem minha história!
nada sei, nada sinto, a mim mesma atada
em mim enclausurada.
e sei e sinto a direcção do vento
ouvindo-o com nostalgia
enquanto continuo esperando mais um dia
um dia de esquecimento...

natalia nuno
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Meu sonho nasce onde?

Meu sonho nasce onde?
Sonho duma vida cumprida
sonho que se desfolha
como o cair de folha a folha,
na cena da lembrança...
Dou comigo a sonhar-me,
vejo-me criança
e vou para mim a correr
dou a mão à madrugada,
vou sempre ao mesmo paradeiro
fico de vida cercada
nesse longuínquo Janeiro.

Meu sonho é oração rezada
nele volto ao passado
e há frescura e perfumes
no ar
descubro meu olhar molhado
deixo-me de saudade chorar
Nesta dormência, volto lá
ao tempo da inocência,
lá, onde venturas sonhei
e é lá, onde me sonho
que sempre me acharei.

natalia nuno
👁️ 231

minhas águas já se aquietam...

na saudade onde me aconchego
as lembranças são moinhos de vento
a rodar sem parar
fico a sentir distante a primavera
e meu rio pronto a desaguar no mar
dum outro lugar
colho flores p'lo caminho
assento meu olhar no poente
numa fugaz eternidade me sinto gente,
gente que traz saudade
encharcada de sonho, esquecendo
a realidade,
lembranças que a cada dia se repetem
sentidas e distantes, num mar
de marés
a cantar em mim os verdes da infância
descalços os pés
e o olhar doce de criança.

quantos porquês ainda procuro
faço o caminho da foz à nascente
caminho de lembranças, os pés em chão duro
mas levo comigo o sol na mente

povoo a minha memória de laranjais floridos
e deixo-me na penumbra desses tempos saudosos
onde os sonhos eram desmedidos
e meus cabelos negros sedosos.
as horas se alongam, perdeu-se meu verão
é agora inverno de solidão
deserto na minha alma e silêncio pesado,
perdi o caminho, é agora de cinzento toldado
meus dedos são asas e estão de partida
levo a infância...e na memória uma vida.

minhas águas já se aquietam...

natália nuno
rosafogo
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trovas soltas...

Guardei os sapatos de cetim
E o vestido de levar ao baile
untei-lhe perfume de jasmim
Ficou na memória o xaile
Pobre do xaile e de mim!

 Desvanecem-se os pormenores
A saudade é tudo o que resta
Dos bordados e bastidores
Dos meus primeiros amores
Quando a Vida era uma festa.

O futuro é corredor escuro
E o amor fogo que ardeu
E não há nada mais duro
Que na Vida o que se perdeu
Vejo-me ao espelho não sou eu
Já nem sei o que procuro.

Olhos às nuvens erguidos
Lembram mãos q' se apertavam
Lembram os beijos furtivos
Os abraços que se davam
Cartas escritas se rasgavam
Mas já esqueci os motivos.

Tenho que dar ordem à Vida
O tempo é quem tem a culpa
De me trazer esquecida
Sem sequer me pedir desculpa.
Dor sem peso nem medida.

Tardava em adormecer
Amar era um trinta e um
Mas pior era não ter
Na vida amor nenhum.

Que importa!?Que me importa!?
O que lá vai é esquecimento
Trago a viagem já morta
Promessas leva-as o vento.

 
rosafogo
natalia nuno
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magoa-me pensar...

Entre a minha memória inquieta
E o tempo que tudo repete
Há um regato a correr...
Que observo em silêncio...quieta!
às vezes desespero, mas já pouco
tenho a perder.

O tempo lembra-me que existo
Que trago comigo um passado
Me lembra de tudo isto
Estou cansada e ele cansado.

Tudo acontece devagar
Mas o tempo corre...!
Magoa-me pensar
Que tudo o que nasce morre.

Tantos anos trago comigo
São já um poema de saudade
Ou aquele livro amigo
Que ao ler nos dá felicidade.
O tempo passou por aqui
Por um instante, um apenas!
Será que eu não o vi?
Pesam em meus ombros
minhas penas.

rosafogo
natalia nuno
👁️ 204

pensamento

abro a gaveta onde guardo fotos com rostos que já não conheço e sinto-me a criança melancólica a quem tiraram a estação das flores em pena tanta, com tanta pena...

natalianuno
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Comentários (11)

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natalia nuno
natalia nuno
2021-11-06

Grata por todo o apreço dado à minha Poesia, a todos desejo muita felicidade e que vossos sonhos se realizem. Um abraço

rosafogo
rosafogo
2018-12-15

A todos agradeço o apreço precioso aos meus poemas...obrigado! Abraço-vos

charlesburck
charlesburck
2018-12-14

A distância não nos impede as canções, vc canta lidamente ao teu amor

atal66
atal66
2018-10-22

Fica-se com o gosto de mel e amoras ao ler os seus pensamentos ...um momento de puro deleite

quaglino
quaglino
2018-10-17

Poeta forte! Muito bom, muito bom mesmo. Quem sabe um dia chego lá. Parabéns de novo.