Lista de Poemas
Luz acesa
É que sou sobrevivente.
Tantas faces insensíveis.
No caminho estão presente.
Desta busca a felicidade
É que rondo de luz acesa.
Busco todas as possibilidades
Se não as encontro abasteço de tristezas.
Desta busca ao verso inexistente
Escrito com alma latente.
É que perdi os melhores poemas.
Buscando a rima rica
Que pra mim pouco se aplica.
Fui tropeçando em pobres fonemas.
Dê-me
Ainda que não seja o último
Dê-me agora.
Entenda minha vontade
Por favor, não demora.
Dê-me você neste momento,
O horizonte nos contempla.
Faremos tudo muito intenso.
Beijo amor e sentimento.
Tenho em você mais do que um par.
Mais do que o silêncio no olhar.
Dê-me, pois tenho e não nego,
Um jeito único de te amar.
Dê-me, não quero mais esperar.
Dê-me teu olhar.
Dê-me o sonho.
Dê-me a vida e aceite tudo o que tenho pra te dar.
Dê-me teu amor pra eu te amar.
Empréstimo
Dieta
Tomo outros rumos.
Escrever já não me alegra.
Meus versos se esvaziaram.
Esqueço até de regras.
Já estou no mata piolhos,
Faltam-me dedos para alçar.
Sendo assim não vejo,
Razão para continuar.
Antes era fácil.
Eu espetava umas palavras,
Temperava com pedacinhos de sonhos,
Polvilhava com abundantes ilusões.
Pronto. Só degustar.
Agora não.
Palavras não me apetecem.
Temperos a vida já não contém,
Ilusões não fabricam mais.
Sonhos ficaram lá... Bem pra traz.
Entro numa dieta rigorosa.
Consumirei apenas aqueles olhos magros.
Mergulhados sobre os meus.
Sem os deliciosos beijos doces,
Sem os apertos gordos ofegantes.
Momentos pouco picantes,
Sem as cenas do romance.
Deixo a magreza poética me vencer,
Não farei forças para reagir,
Não vai fazer diferença.
Pra mim chega.
...Não quero mais escrever.
(Publicado na Antologia Poesias Encantadas V
Conta-me
Fala se a saudade te maltratou.
Se algum cheiro de comida lembrou o cardápio que degustamos.
Se você procurou meu rosto olhando na rua para um desconhecido.
Diga se pensou em algum momento ter escutado a minha voz.
Se, ainda que apenas um segundo, lembrou-se do quanto amo você.
Se o cheiro de algum perfume te fez respirar fundo pra tentar sentir o meu.
Se uma lágrima esteve em teus olhos ao lembrar-se das minhas.
Se você contemplou perdidamente o nada e se viu com um sorriso no rosto pensando em nós.
Se em algum momento riu das brincadeiras que fizemos juntos.
Se estive em teu sonho na última noite.
Se o toque do lençol em teu corpo te fez lembrar meus carinhos.
Se o desejo de amar te fez pensar em mim.
Se ao acordar tocou a colchão buscando meu corpo.
Conta-me.
Eu ficarei feliz em saber.
Pois nunca escondi o quanto eu amo você.
Pensamento soprado
Como quem sopra um balão
Soprei meu pensamento ao vento.
Fiquei vibrante aqui no chão
Ao subir deu-me um alento.
Vai pensamento
Corta os ares da cidade
Siga firme em silêncio
Vá, como eu, sem maldade.
Vá dizer aos sofredores
De todos os cantos do mundo,
Que ainda existem amores
Buscando-te a cada segundo.
Vá levar a esperança,
Onde impera a tristeza
Leve alívio às crianças
Torne farta sua mesa.
Leve uma mensagem de fé
Aos descrentes e abandonados.
Lembre que na baixa da maré
Também podem ser abençoados.
Leve cura aos enfermos,
Conforto a todos os seus.
Lembre a eles que nenhum termo
Supera a vontade expressa de Deus.
Leve água aos nordestes do mundo
Pra colheita incrementar
Umidade bem no fundo
Pra vertentes brotar.
Como última missão te peço,
Leve motivo a todos os povos
Pra superar os tropeços
E acreditar em tudo de novo.
Prefiro o grito
O grito da dor ao bater da pedra.
O grito do espinho furando a pele.
O grito de resistência apoiado na inocência.
O grito do muro de alma pichada.
O grito do sapato furado no solado.
O grito dos pés pisando brasas.
O grito da ressaca mesmo sem ter bebido.
Prefiro o grito da justiça,
Que na noite extrapola a razão.
Prefiro o grito, mas por covardia,
Ou por bom senso, calo-me.
Travesseiros
Na cama coloquei dois travesseiros.
Quiçá amanhã um terá teu cheiro
Ou repousará ainda inteiro.
Sinfonia, bem baixinha, de Chopin.
Foco de luz no quadro de veleiros.
Pra lembra-te amanhã
Ou esquecer-te por inteiro.
Perfume pra deixar em você o meu cheiro,
Roupa de grife parecendo natural.
Peças pensadas no tabuleiro
E uma ansiedade sem igual.
Poderá ser um fato magistral
Ou afundar em ilusão.
Vejo-te deusa colossal
Imagino-te em extrema excitação.
Encanto-me ao vê-la se aproximar
Meu desejo haverá de se realizar.
Champanhe e taças pra brindar.
Um deslumbre! Ela acaba de entrar.
Desejo-te
Talvez nem devesse dizer.
Na verdade não te amo.
Eu vivo em você.
Quando digo que te quero.
É só força de expressão.
Na verdade não te quero.
Já moras em meu coração.
Quando digo que te desejo.
É porque te desejo.
Não tem nada de mentira.
Quando digo que serás minha.
É porque serás minha.
Meu querer muito te admira.
Hoje
Quero te falar.
Bater no teu ombro e dizer:
E ai amigo como vai você?
Confessarei alguns segredos.
Contarei alguns medos.
Falarei de tristezas,
De planos.
De futuro.
Das frustrações.
De amores.
De paixões.
Mas acima de tudo,
Eu quero pedir-te:
Ensina-nos a sorrir.
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Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)