Lista de Poemas
como vai você?
Madrugada lenta,
Onde escondeste o dia que não chega?
Morto neste colchão,
Abraço o silêncio e a solidão.
Atrasado chega o dia, bocejante,
E pede que me levante.
O hotel se torna borbulhante.
Já sei que a rotina será maçante.
Sem escolhas vou adiante.
Bom dia. Como vai?
Olá. Tudo bem?
As pessoas bem dormidas,
Não sabem da minha vida.
Das esquinas descabidas.
Das péssimas investidas.
À tarde os importunos se multiplicam,
Ficam ainda mais pedantes.
Sem escolhas vou adiante.
Tentando não parecer arrogante.
Boa tarde. Como vai?
Olá. Tudo bem?
A noite outra vez me escolta,
Sábia e cheia de contra indicações.
Sigo cabisbaixo conduzindo minha revolta.
Ainda encontro uma multidão
Chata e sem emoção.
Boa noite. Como vai?
Olá. Tudo bem?
Em fim fico só comigo,
Empalideço a fisionomia.
Deito em meu jazido.
Meu corpo parece
Embalsamado pra aula de anatomia.
Entre paredes melancólicas deste mausoléu.
Refaço minhas angústias.
Minha consciência atrevida,
Pra infernizar ainda mais minha vida,
Pergunta destemida:
Olá. Tudo bem?
Como vai tua vida?
Onde escondeste o dia que não chega?
Morto neste colchão,
Abraço o silêncio e a solidão.
Atrasado chega o dia, bocejante,
E pede que me levante.
O hotel se torna borbulhante.
Já sei que a rotina será maçante.
Sem escolhas vou adiante.
Bom dia. Como vai?
Olá. Tudo bem?
As pessoas bem dormidas,
Não sabem da minha vida.
Das esquinas descabidas.
Das péssimas investidas.
À tarde os importunos se multiplicam,
Ficam ainda mais pedantes.
Sem escolhas vou adiante.
Tentando não parecer arrogante.
Boa tarde. Como vai?
Olá. Tudo bem?
A noite outra vez me escolta,
Sábia e cheia de contra indicações.
Sigo cabisbaixo conduzindo minha revolta.
Ainda encontro uma multidão
Chata e sem emoção.
Boa noite. Como vai?
Olá. Tudo bem?
Em fim fico só comigo,
Empalideço a fisionomia.
Deito em meu jazido.
Meu corpo parece
Embalsamado pra aula de anatomia.
Entre paredes melancólicas deste mausoléu.
Refaço minhas angústias.
Minha consciência atrevida,
Pra infernizar ainda mais minha vida,
Pergunta destemida:
Olá. Tudo bem?
Como vai tua vida?
👁️ 271
Ruído
Ao ouvir o ruído lacrimoso
Da desalegre chuva que chora
Senti-me beijado por todo o lodo
Da angústia que me invade agora.
Não sei como explico,
Só pra mim isso importa,
Neste momento solitário fico
E a chuva traz-me a vida morta.
Cada pingo é uma lágrima,
Cada lágrima uma lembrança,
Há, pudera outra vez criança.
Da desalegre chuva que chora
Senti-me beijado por todo o lodo
Da angústia que me invade agora.
Não sei como explico,
Só pra mim isso importa,
Neste momento solitário fico
E a chuva traz-me a vida morta.
Cada pingo é uma lágrima,
Cada lágrima uma lembrança,
Há, pudera outra vez criança.
👁️ 297
Você
Quando amanheceu dei-me sem rumo,
Desnudo de qualquer amor.
Meu grito poético sem prumo
Tomado por súplicas de dor.
Onde guardarei os versos que pra ti compus?
Que me deixaram rouco de te querer.
Pra que lado sopra o vento que me conduz?
Onde você foi de mim, se esconder?
Desnudo de qualquer amor.
Meu grito poético sem prumo
Tomado por súplicas de dor.
Onde guardarei os versos que pra ti compus?
Que me deixaram rouco de te querer.
Pra que lado sopra o vento que me conduz?
Onde você foi de mim, se esconder?
👁️ 369
Um minuto de angústia
Nestes dias em que a chuva teimosa umedece a rua, fico a observar as pessoas correndo, lamentando os pés e a roupa molhada, o atraso, a possível gripe.
O céu parece enraivecido, todo coberto e fantasiado de negro. Aqui debaixo o fitamos no desejo de ver o sol, todo poderoso, penetrar nele, rasgando a máscara e alegrando os seres terrenos.
Neste vago cotidiano, onde nós, frágeis humanos buscamos dia após dia, um lar, uma casa para morar, e ver na vidraça as gotas caindo e ficar ao redor do fogo aquecendo e alimentando a esperança, qualquer que seja, contida em nosso interior.
Mas quando a água é demasiada, chega até nós um medo, um pavor, uma insegurança e, em nossos assombros vimos muros caindo, casas desabando, pessoas fugindo de barco, outras morrendo afogadas.
É tempo de cheias, de barro bastante, mas até mesmo nestas épocas há muitas pessoas completamente vazias. É bom, mesmo assim, sentir a emoção de ver uma criança pisar descalça no atolador da estrada, ver o velho evitar a rua. É agradável fechar a porta quando a noite chega e adormecer, ouvindo o ruído lacrimoso das goteiras. Há os que nem dormem preferem acalentar noite á dentro, um sonho qualquer, mas que, necessariamente não se pode dormir. Seria ótimo ter certeza que, com chuva ou sol, o dia seguinte fosse de igualdade, de justiça e de realizações.
Neste dia chuvoso me deparo acidentalmente com uma cena angustiante.
Eu ia para casa, de certa forma, realizado, porque chovia. Na calçada, vi em minha frente, um corpo adormecido, exalando um cheiro forte de álcool. Pensei no conforto, na alimentação, naquela sensação gostosa que sentimos quando acordamos de madrugada com frio e reforçamos as cobertas. Pensei que ele era gente que vivia como bicho, lembrei-me dos muitos animais, por nós alimentados e cuidados com tanto zelo, enquanto nas calçadas fétida seres humanos são pisoteados e servem de alvos para gozações.
Naquele instante tive um ímpeto de pena, mas fui incapaz de fazer algo, me faltaram gestos e até as palavras.
À noite sonhei que junto à chuva havia uma suave melodia e todos compreendiam que os homens sobrevivem a tudo, exceto a solidão das noites e a consequente falta de afeto. No outro dia tudo continuou igual. Mas de sonhar ninguém por mais influente que seja, irá me proibir.
O céu parece enraivecido, todo coberto e fantasiado de negro. Aqui debaixo o fitamos no desejo de ver o sol, todo poderoso, penetrar nele, rasgando a máscara e alegrando os seres terrenos.
Neste vago cotidiano, onde nós, frágeis humanos buscamos dia após dia, um lar, uma casa para morar, e ver na vidraça as gotas caindo e ficar ao redor do fogo aquecendo e alimentando a esperança, qualquer que seja, contida em nosso interior.
Mas quando a água é demasiada, chega até nós um medo, um pavor, uma insegurança e, em nossos assombros vimos muros caindo, casas desabando, pessoas fugindo de barco, outras morrendo afogadas.
É tempo de cheias, de barro bastante, mas até mesmo nestas épocas há muitas pessoas completamente vazias. É bom, mesmo assim, sentir a emoção de ver uma criança pisar descalça no atolador da estrada, ver o velho evitar a rua. É agradável fechar a porta quando a noite chega e adormecer, ouvindo o ruído lacrimoso das goteiras. Há os que nem dormem preferem acalentar noite á dentro, um sonho qualquer, mas que, necessariamente não se pode dormir. Seria ótimo ter certeza que, com chuva ou sol, o dia seguinte fosse de igualdade, de justiça e de realizações.
Neste dia chuvoso me deparo acidentalmente com uma cena angustiante.
Eu ia para casa, de certa forma, realizado, porque chovia. Na calçada, vi em minha frente, um corpo adormecido, exalando um cheiro forte de álcool. Pensei no conforto, na alimentação, naquela sensação gostosa que sentimos quando acordamos de madrugada com frio e reforçamos as cobertas. Pensei que ele era gente que vivia como bicho, lembrei-me dos muitos animais, por nós alimentados e cuidados com tanto zelo, enquanto nas calçadas fétida seres humanos são pisoteados e servem de alvos para gozações.
Naquele instante tive um ímpeto de pena, mas fui incapaz de fazer algo, me faltaram gestos e até as palavras.
À noite sonhei que junto à chuva havia uma suave melodia e todos compreendiam que os homens sobrevivem a tudo, exceto a solidão das noites e a consequente falta de afeto. No outro dia tudo continuou igual. Mas de sonhar ninguém por mais influente que seja, irá me proibir.
👁️ 356
Fim do mundo
Fim do mundo
De todos os fins de mundo que já participei, este é o mais comentado. Vai ser muito bom. Contudo, tenho certeza que o próximo será ainda melhor.
👁️ 250
Se ainda posso homenagear a terra natal
Na terra onde nasci,
Os trilhos cortavam o pequeno lugarejo,
Como brilhantes luzindo a luz solar.
👁️ 298
Sou eu
Sou eu cansado
Vagando no eterno.
Expondo o interno.
O avesso.
A paixão.
Tira de mim
O que já está fora
O que extravasa,
Esta brasa.
A paixão.
Tira de mim
Esta dor
Estreita.
Que extravasa.
O avesso.
Esta brasa.
A paixão.
Vagando no eterno.
Expondo o interno.
O avesso.
A paixão.
Tira de mim
O que já está fora
O que extravasa,
Esta brasa.
A paixão.
Tira de mim
Esta dor
Estreita.
Que extravasa.
O avesso.
Esta brasa.
A paixão.
👁️ 276
Suco de maça
Aquela noite não quis sair. Preferiu ficar no aconchego da casa.
Na rua só fatos rotineiros, nuvens pesadas escondiam a lua, pela qual tinha grande atração.
Nos bares em frente a sua casa, os amigos riam e bebiam em mesas colocadas sobre as calçadas. Cenas absolutamente rotineiras. Na sua solidão fitava a rua pela janela de vidro e mantinha-se atento ao telefone celular. Como não surgia a tão desejada ligação resolveu fazer um suco. De maça. Se sua amada estivesse ali diria que era da fruta proibida. Sempre era assim. Esta insignificante lembrança deu-lhe certo alívio e conforto.
Gargalhou da própria sorte. Fechou os olhos e deixou rodar na memória os mais belos momentos que junto passaram.
A rememoração do perfume dela enchia a casa de certo cheiro de saudade. Mas o telefone permanecia mudo e aquilo o angustiava. E aquela voz que o faria feliz não era ouvida.
Só uma ligação e bastava.
Contudo o dia amanheceu. O telefone não tocou. Ficou aquela lacuna sem ser preenchida.
Na noite seguinte quando ela chegou e perguntou se havia esperado muito pela ligação, orgulhoso, mentiu que tinha dormido cedo.
Assim teve uma noite perfeita.
Dessas que valem por uma vida.
Na rua só fatos rotineiros, nuvens pesadas escondiam a lua, pela qual tinha grande atração.
Nos bares em frente a sua casa, os amigos riam e bebiam em mesas colocadas sobre as calçadas. Cenas absolutamente rotineiras. Na sua solidão fitava a rua pela janela de vidro e mantinha-se atento ao telefone celular. Como não surgia a tão desejada ligação resolveu fazer um suco. De maça. Se sua amada estivesse ali diria que era da fruta proibida. Sempre era assim. Esta insignificante lembrança deu-lhe certo alívio e conforto.
Gargalhou da própria sorte. Fechou os olhos e deixou rodar na memória os mais belos momentos que junto passaram.
A rememoração do perfume dela enchia a casa de certo cheiro de saudade. Mas o telefone permanecia mudo e aquilo o angustiava. E aquela voz que o faria feliz não era ouvida.
Só uma ligação e bastava.
Contudo o dia amanheceu. O telefone não tocou. Ficou aquela lacuna sem ser preenchida.
Na noite seguinte quando ela chegou e perguntou se havia esperado muito pela ligação, orgulhoso, mentiu que tinha dormido cedo.
Assim teve uma noite perfeita.
Dessas que valem por uma vida.
👁️ 343
Lados
Sou um pouco mais do que fórmulas prontas,
Divido-me muito mais,
Minhas metades visíveis
São menores que às escondidas.
Sou mais talhado que minha fisionomia,
Meu interior é mais belo.
Minha introspecção não tem limites.
Mais do que isso, muito além de ser sincero.
Sou bem mais belo do que este desenho,
Que de mim fizeram quando nasci.
Sou descendente de um espírito empolgado
Que Deus reservou pra mim.
Sou bem maior do que meu tamanho,
Muito além do que você crê.
Aurora boreal da minha alma
É para quem consegue ver.
Sou bem mais ousado
Do que aquilo que dou a ver,
Meu pensamento decola fácil
E a noite, sonho encontrar você.
Sou bem mais frágil que as demonstrações
E do que deixo transparecer,
Minha emoção transborda o universo,
E em versos não sei dizer.
Divido-me muito mais,
Minhas metades visíveis
São menores que às escondidas.
Sou mais talhado que minha fisionomia,
Meu interior é mais belo.
Minha introspecção não tem limites.
Mais do que isso, muito além de ser sincero.
Sou bem mais belo do que este desenho,
Que de mim fizeram quando nasci.
Sou descendente de um espírito empolgado
Que Deus reservou pra mim.
Sou bem maior do que meu tamanho,
Muito além do que você crê.
Aurora boreal da minha alma
É para quem consegue ver.
Sou bem mais ousado
Do que aquilo que dou a ver,
Meu pensamento decola fácil
E a noite, sonho encontrar você.
Sou bem mais frágil que as demonstrações
E do que deixo transparecer,
Minha emoção transborda o universo,
E em versos não sei dizer.
👁️ 330
Cena
A noite colou folhas na árvore
Um riozinho límpido também fez,
A lua cheia não ficou fora dapaisagem,
Tudo perfeito e com grande nitidez.
Rabiscou um poema de amor
Decolou pensamentos sem limites
Sentiu-se livre para voar
Feito ave sem pressa de pousar.
Subitamente voltou para onde estava
Assim mesmo não desanimou.
Ainda que não fosse a vida quesonhava
Mantinha esperança pois nada desmoronou
👁️ 316
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Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)