Lista de Poemas
Masculino singular
Se quiseres dormir,
Não sou o sono,
Nem tão pouco a cama.
Procure outro lugar.
Se quiseres despertar,
Sou o despertar.
Masculino singular,
Louco pra te acarinhar.
Se quiseres amar
Venha me encantar.
E em mim pra sempre
Poderás ficar.
Não sou o sono,
Nem tão pouco a cama.
Procure outro lugar.
Se quiseres despertar,
Sou o despertar.
Masculino singular,
Louco pra te acarinhar.
Se quiseres amar
Venha me encantar.
E em mim pra sempre
Poderás ficar.
👁️ 268
Decola
Sonhando com um pouso leve,
Percebe que seus pés nunca saíram do chão.
Inquieta é somente sua alma,
Que quer sobrevoar o mundo
Levitando sua fértil criação.
Nos ares a liberdade pra recriar num segundo
Um poema feito balão,
Pois o poeta fica imóvel,
Decola somente sua imaginação.
Percebe que seus pés nunca saíram do chão.
Inquieta é somente sua alma,
Que quer sobrevoar o mundo
Levitando sua fértil criação.
Nos ares a liberdade pra recriar num segundo
Um poema feito balão,
Pois o poeta fica imóvel,
Decola somente sua imaginação.
👁️ 335
Observante
Espio pela janela,
Coberta pela cortina telada
E vejo ao longe, pés enormes de figo.
Por entre eles desce uma
Pequena estrada em forma de meia lua.
À direita segue uma tira de mato
Como um satélite que se alonga.
Ah, antes que eu esqueça.
Acima. Muito acima.
Está o céu, parcialmente nublado.
Coberta pela cortina telada
E vejo ao longe, pés enormes de figo.
Por entre eles desce uma
Pequena estrada em forma de meia lua.
À direita segue uma tira de mato
Como um satélite que se alonga.
Ah, antes que eu esqueça.
Acima. Muito acima.
Está o céu, parcialmente nublado.
👁️ 275
Desocupados
Ocupam-se das noites,
Vagando vaga-lumes.
Tocando campainhas.
Quebrando lâmpadas.
Chutando papel.
Ocupam-se das noites,
Pichando muros.
Murando morais.
Ocupam-se das noites,
Nas praças periféricas e
Centrais.
Traficando, consumindo.
Rindo sem sorrir.
Ocupam-se das noites,
Na sarjeta fétida
Cheirando caviar.
Ocupam-se das noites
No presídio deserto
Que os torna mais incertos,
Que os torna mais desonestos.
Vagando vaga-lumes.
Tocando campainhas.
Quebrando lâmpadas.
Chutando papel.
Ocupam-se das noites,
Pichando muros.
Murando morais.
Ocupam-se das noites,
Nas praças periféricas e
Centrais.
Traficando, consumindo.
Rindo sem sorrir.
Ocupam-se das noites,
Na sarjeta fétida
Cheirando caviar.
Ocupam-se das noites
No presídio deserto
Que os torna mais incertos,
Que os torna mais desonestos.
👁️ 336
Cena
A noite colou folhas na árvore
Um riozinho límpido também fez,
A lua cheia não ficou fora dapaisagem,
Tudo perfeito e com grande nitidez.
Rabiscou um poema de amor
Decolou pensamentos sem limites
Sentiu-se livre para voar
Feito ave sem pressa de pousar.
Subitamente voltou para onde estava
Assim mesmo não desanimou.
Ainda que não fosse a vida quesonhava
Mantinha esperança pois nada desmoronou
👁️ 308
Lados
Sou um pouco mais do que fórmulas prontas,
Divido-me muito mais,
Minhas metades visíveis
São menores que às escondidas.
Sou mais talhado que minha fisionomia,
Meu interior é mais belo.
Minha introspecção não tem limites.
Mais do que isso, muito além de ser sincero.
Sou bem mais belo do que este desenho,
Que de mim fizeram quando nasci.
Sou descendente de um espírito empolgado
Que Deus reservou pra mim.
Sou bem maior do que meu tamanho,
Muito além do que você crê.
Aurora boreal da minha alma
É para quem consegue ver.
Sou bem mais ousado
Do que aquilo que dou a ver,
Meu pensamento decola fácil
E a noite, sonho encontrar você.
Sou bem mais frágil que as demonstrações
E do que deixo transparecer,
Minha emoção transborda o universo,
E em versos não sei dizer.
Divido-me muito mais,
Minhas metades visíveis
São menores que às escondidas.
Sou mais talhado que minha fisionomia,
Meu interior é mais belo.
Minha introspecção não tem limites.
Mais do que isso, muito além de ser sincero.
Sou bem mais belo do que este desenho,
Que de mim fizeram quando nasci.
Sou descendente de um espírito empolgado
Que Deus reservou pra mim.
Sou bem maior do que meu tamanho,
Muito além do que você crê.
Aurora boreal da minha alma
É para quem consegue ver.
Sou bem mais ousado
Do que aquilo que dou a ver,
Meu pensamento decola fácil
E a noite, sonho encontrar você.
Sou bem mais frágil que as demonstrações
E do que deixo transparecer,
Minha emoção transborda o universo,
E em versos não sei dizer.
👁️ 320
Ruído
Ao ouvir o ruído lacrimoso
Da desalegre chuva que chora
Senti-me beijado por todo o lodo
Da angústia que me invade agora.
Não sei como explico,
Só pra mim isso importa,
Neste momento solitário fico
E a chuva traz-me a vida morta.
Cada pingo é uma lágrima,
Cada lágrima uma lembrança,
Há, pudera outra vez criança.
Da desalegre chuva que chora
Senti-me beijado por todo o lodo
Da angústia que me invade agora.
Não sei como explico,
Só pra mim isso importa,
Neste momento solitário fico
E a chuva traz-me a vida morta.
Cada pingo é uma lágrima,
Cada lágrima uma lembrança,
Há, pudera outra vez criança.
👁️ 286
Pedinte
Não. Não quero ver o dia amanhecer.
O amanhã será como hoje.
Talvez mude o clima,
A chuva,
O sol,
Mas amanhã e outros amanhãs
Serei o mesmo.
Incontestavelmente o mesmo.
Acho que é assim,
Nem bom,
Nem ruim,
Risco do meio.
Amanhã será escuro.
O pão,
Será seco,
A mesa - o beco,
A porta - a pedida.
Meu amanhã será teu hoje,
Pois vivo do que você sobra.
O amanhã será como hoje.
Talvez mude o clima,
A chuva,
O sol,
Mas amanhã e outros amanhãs
Serei o mesmo.
Incontestavelmente o mesmo.
Acho que é assim,
Nem bom,
Nem ruim,
Risco do meio.
Amanhã será escuro.
O pão,
Será seco,
A mesa - o beco,
A porta - a pedida.
Meu amanhã será teu hoje,
Pois vivo do que você sobra.
👁️ 325
Portas de rua
PORTAS DE RUA
Adoro portas espelhadas
Do centro da cidade,
Nas ruas mortas dos fins de semana,
E, passo na rua, sua,
Onde o trem dorme sossegado
E o pipoqueiro nem existe.
Adoro estas portas espelhadas
Onde acomodo os cabelos
E a camisa
Nas
Calças.
E vaio o vento
Que balança a chaminé.
Desperto o meu medo,
De faro aguçado.
Acordo um telefone
Mudo,
Surdo,
Numa sala trancada.
Esperança,
Num desses espelhos,
Estarás amada,
Retocando o batom,
Pela janela oposta.
Adoro portas espelhadas
Do centro da cidade,
Nas ruas mortas dos fins de semana,
E, passo na rua, sua,
Onde o trem dorme sossegado
E o pipoqueiro nem existe.
Adoro estas portas espelhadas
Onde acomodo os cabelos
E a camisa
Nas
Calças.
E vaio o vento
Que balança a chaminé.
Desperto o meu medo,
De faro aguçado.
Acordo um telefone
Mudo,
Surdo,
Numa sala trancada.
Esperança,
Num desses espelhos,
Estarás amada,
Retocando o batom,
Pela janela oposta.
👁️ 349
Jornais velhos
Com a rapidez nas informações, hoje em dia, tenho a sensação que todos os jornais impressos que chegam cedinho, são velhos.
👁️ 278
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Moacir Luís Araldi é gaúcho, residente em Passo Fundo- RS. Tem participações em várias antologias poéticas nacionais.
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
Membro fundador da Academia de literatura música e artes (ALMA)
Autor do livro Cabernet - 2013, Interlúdios - 2014, Horizontes -2019 e Charnecas floridas - 2021. Premiado no concurso Literário Cidade de Passo Fundo em 2017 e 2019 na categoria poesia. Publica em vários sites literários nacionais.
Membro correspondente da ACL- Academia Carazinhense de Letras.
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