Marta Gonçalves
n. 1956
PT
Marta Gonçalves é uma poeta e escritora portuguesa cuja obra se distingue pela introspeção, pela exploração da memória e pela delicadeza da linguagem. A sua poesia mergulha nas profundezas da experiência humana, abordando temas como o tempo, a fragilidade da existência, as relações interpessoais e a busca por significado. A sua escrita é marcada por uma sensibilidade particular e por uma atenção ao detalhe, criando imagens vívidas e ressonantes.
n. 1956-07-23, Fortaleza, CE
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Biografia
Identificação e contexto básico
Marta Gonçalves é uma poeta e escritora portuguesa. Nasceu em Portugal e escreve em português.Infância e formação
Percurso literário
Marta Gonçalves estabeleceu-se como uma voz poética contemporânea em Portugal, com uma obra que tem vindo a ganhar reconhecimento pela sua qualidade e originalidade. Participou em diversas iniciativas literárias e antologias.Obra, estilo e características literárias
Obra, estilo e características literárias A poesia de Marta Gonçalves é marcada por um tom intimista e confessional, explorando as subtilezas da emoção humana. Temas como a memória, o tempo, a identidade, a perda e a beleza das pequenas coisas são recorrentes na sua obra. O seu estilo caracteriza-se por uma linguagem cuidada e evocativa, com um uso sensível de metáforas e imagens. Frequentemente, a sua escrita transita entre o lírico e o reflexivo, convidando o leitor a uma profunda introspeção.Obra, estilo e características literárias
Contexto cultural e histórico Inserida no panorama literário português contemporâneo, Marta Gonçalves dialoga com as tendências da poesia atual, mantendo, contudo, uma voz autoral distinta. A sua obra reflete as sensibilidades e as preocupações da sociedade atual, abordando questões existenciais de forma delicada.Obra, estilo e características literárias
Vida pessoalObra, estilo e características literárias
Reconhecimento e receção A obra de Marta Gonçalves tem sido alvo de atenção crítica e tem vindo a afirmar-se no circuito literário português.Obra, estilo e características literárias
Influências e legadoObra, estilo e características literárias
Interpretação e análise crítica A poesia de Marta Gonçalves é frequentemente elogiada pela sua capacidade de tocar o leitor em planos profundos, pela sua honestidade emocional e pela mestria na construção de versos que ressoam com a experiência humana.Obra, estilo e características literárias
Curiosidades e aspetos menos conhecidosObra, estilo e características literárias
Morte e memóriaPoemas
34Chuva na Quilha
A chuva vem de longe, abriga
o fim do ano. No arroio,
memórias memórias
trituradas nas tardes outonais.
Vem chuva na campina da alma.
Guardamos os anéis usados nos dias
do calendário. A água repõe salivas
e lembramos as flores idas na maré.
Esperamos os sóis que virão marcados
de cruzes. A madeira pesa o corpo
e levará o corpo. Somos sobreviventes
do oceano. Sua água chega na porta da casa
mesmo que se faça distante.
A chuva cinza os olhos.
O canto é anterior aos que sobrevivem.
Ainda que se conte o tempo.
Ainda que nas mãos o adeus.
Os mortos virão para o Ano Novo.
Estão sentados à mesa,
vestem linho.
Descerão na aurora
e quando o dia nascer
ficaremos só com a túnica
e a tempestade na quilha.
E o vento o vento presságios
nos olhos
trazendo cardumes. Trazendo a ferrugem
dos números.
o fim do ano. No arroio,
memórias memórias
trituradas nas tardes outonais.
Vem chuva na campina da alma.
Guardamos os anéis usados nos dias
do calendário. A água repõe salivas
e lembramos as flores idas na maré.
Esperamos os sóis que virão marcados
de cruzes. A madeira pesa o corpo
e levará o corpo. Somos sobreviventes
do oceano. Sua água chega na porta da casa
mesmo que se faça distante.
A chuva cinza os olhos.
O canto é anterior aos que sobrevivem.
Ainda que se conte o tempo.
Ainda que nas mãos o adeus.
Os mortos virão para o Ano Novo.
Estão sentados à mesa,
vestem linho.
Descerão na aurora
e quando o dia nascer
ficaremos só com a túnica
e a tempestade na quilha.
E o vento o vento presságios
nos olhos
trazendo cardumes. Trazendo a ferrugem
dos números.
1 115
Imagem
Vestida de branco, olho borboletas
voando flores vermelhas do jardim:
lagarta na folha do antúrio.
Há alguém na nuvem despertando o cansaço
das mãos.
voando flores vermelhas do jardim:
lagarta na folha do antúrio.
Há alguém na nuvem despertando o cansaço
das mãos.
1 079
Cristaleira
Vamos abrir juntos a janela
escutar a conversa da cristaleira.
Quero sorver o vinho mas me agarro
ao cristal.
escutar a conversa da cristaleira.
Quero sorver o vinho mas me agarro
ao cristal.
996
Juízo Final
Segurando em minhas mãos
olhos prisioneiros, mudarei
o mundo, antes de um anjo de palha
anunciar o fim.
olhos prisioneiros, mudarei
o mundo, antes de um anjo de palha
anunciar o fim.
937
O Coração se Redime
Maurício chegou nas nuvens
andava entre velhos eucaliptos.
Trazia na pele a quentura do mês
de janeiro. Me olhava manso. O chapéu
longo escondia a cor dos olhos. Era
longa a viagem de Maurício. Suas
mãos buscavam o sol. Sempre o sol.
Na tarde morna Maurício desenhou
um leque, depois outro, dezenas.
Neste desenhar ficou longe a sombra
do rosto.
A ferida nas mãos fechou nas asas dos pássaros.
Os leques ficaram esquecidos. Uma ternura passava
na alma. A dor morreu na pele. Maurício andava no mundo
com um velho violino. Crescia meu corpo. Nas manhãs de chuva
o coração se redime. A lucidez volta nos olhos e vejo Maurício
nas nuvens.
andava entre velhos eucaliptos.
Trazia na pele a quentura do mês
de janeiro. Me olhava manso. O chapéu
longo escondia a cor dos olhos. Era
longa a viagem de Maurício. Suas
mãos buscavam o sol. Sempre o sol.
Na tarde morna Maurício desenhou
um leque, depois outro, dezenas.
Neste desenhar ficou longe a sombra
do rosto.
A ferida nas mãos fechou nas asas dos pássaros.
Os leques ficaram esquecidos. Uma ternura passava
na alma. A dor morreu na pele. Maurício andava no mundo
com um velho violino. Crescia meu corpo. Nas manhãs de chuva
o coração se redime. A lucidez volta nos olhos e vejo Maurício
nas nuvens.
1 023
Homens de Lã
Todos os limites planaram
na linha do infinito. Descobrirei
o segredo das sementes, a calma
de suas raízes. O peixe, o barco
no mar. Anjos mergulhando sorrisos
no rosto. Terra orvalhada de chuva.
Montanhas vasando imagens do vento.
Antes da queda do poeta,
carneiros não deixarão os homens
roubar a lã.
na linha do infinito. Descobrirei
o segredo das sementes, a calma
de suas raízes. O peixe, o barco
no mar. Anjos mergulhando sorrisos
no rosto. Terra orvalhada de chuva.
Montanhas vasando imagens do vento.
Antes da queda do poeta,
carneiros não deixarão os homens
roubar a lã.
736
Lições de Vida
Nos lábios, secura de fome espera
o rio manso das palavras. Ando
soltando pássaros verdes e descubro
nos ninhos lições de vida. O galho
do salgueiro conversa com o vento.
No corpo, marcas de ferro. Nas cavernas,
lembranças embalsamadas.
Tudo o que escrevo está em mim.
o rio manso das palavras. Ando
soltando pássaros verdes e descubro
nos ninhos lições de vida. O galho
do salgueiro conversa com o vento.
No corpo, marcas de ferro. Nas cavernas,
lembranças embalsamadas.
Tudo o que escrevo está em mim.
1 001
Nuvens Brancas
Cavalos vermelhos voam no espaço
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
nuvens brancas desenham carneiros
o perfume da terra espera o homem
o homem quer sementes adubadas
plasmando o ar.
O poeta, de sandália azul, cobre a alma
com penas de pássaros.
986
Sutilezas
Brinco com seus lábios
já ausentes de meus olhos.
Imagino o relógio de sol
marcando peles brancas.
Lembranças envolvem sutilezas
que suas mãos ofereciam.
Doçuras carregam água de geleiras
e em cada verso que te oferto vejo
minha morte.
já ausentes de meus olhos.
Imagino o relógio de sol
marcando peles brancas.
Lembranças envolvem sutilezas
que suas mãos ofereciam.
Doçuras carregam água de geleiras
e em cada verso que te oferto vejo
minha morte.
987
Somos Poucos no Mar
Estamos apanhando mariscos nas pedras
água verde vai e vem jogando espuma.
Gaivotas voam, bicam peixes.
Somos poucos, quase nada na imensidão
humana.
Nossos corpos vestem roupas diferentes.
Enfeitamos os pêlos e músculos.
O choro sai das unhas
mas temos asas para fugir dos abismos.
água verde vai e vem jogando espuma.
Gaivotas voam, bicam peixes.
Somos poucos, quase nada na imensidão
humana.
Nossos corpos vestem roupas diferentes.
Enfeitamos os pêlos e músculos.
O choro sai das unhas
mas temos asas para fugir dos abismos.
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