Escritas

Lista de Poemas

ATROPELOS


Eu nunca poderei ter me dito
Jamais serei esquecido
No tênue caminhar
Quanta solidez
Cavalgada pelo destino
Não consigo desarticular
Do cotidiano inequívoco
Dos impulsos traídos
Na beira do caminhar
Das lembranças oriundas
Do mais eterno esquecimento
Quanto lamento
Não adianta relembrar
O tempo passouEntre os dedos ficou a estrutura enaltecida do olhar
Tão longínquo que só me resta esperar
Do tempo fluído que transborda ao alvorece
Às vezes sem êxito na busca de um olhar


Margarida Cabral




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TEMPO SOLTO

Hoje o meu peito está vazio
Não existem lágrimas...
Só olhar longínquo revendo o passado que tão distante ficou
Sobre muralhas erguidas ao longo do caminho
Parecem proteção que foram criadas com tanto tino
Em vidraças espalhadas nas lembranças
Que tenho receio de quebrar
De figurinos soltos com o passar do tempo
Que tornam-se estátuas inacabadas
Ficaram erguidas em ventos soltos ...
Sendo lapidadas no deserto do vazio coração
Que corre em busca do tempo
Olhando para o firmamento estrelado
Acreditando num eterno amor...


Margarida Cabral
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CANTO

Cante alegria
Cante ao luar
Cante a nostalgia
Cante o olhar
Cante o riso
Cante o rio
Cante o mar
Cante a luz
Cante a fonte
Não deixe apagar
Cante a flor
Cante a rosa
Cante o lírio
Cante a montanha
Cante o monte
Cante os animais
Cante a natureza
Não deixe de se inspirar
Seja um ser viajante
Não fique abelgado no seu ninho
Saia pra cantar...

Margarida Cabral


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ASSOALHO DO VENTO

Queria eu vê o assoalho do vento
Ir ao teu encontro
Sair por aí...
.Sem rumo certo
Tentando ti encontrar
Sentindo os arrepios pelo caminho
Se deslocando pra lá e pra cá
No inverno
No verão
No outono
Na primavera
Ou então no rio ou no mar
Nas flores do campo que desabrocham quanto vento açoita
Sentir a pele coberta de folhagem
O sopro no meu ouvido
Não sei se é da montanha ou do mar
Só imagino o vento passar
Articulando os dias entre o hoje e o amanhã
Sopra, sopra vento deixa este assoalho chegar...

Margarida Cabral



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OLHOS


Olhos que já tive

Tão acanhados sem vibração

Olhos que tenho com entusiasmo

Que refletem em meu rosto com tanto fervor

Sem senti medo de exibi-lo

Olhos que me guiam incendeiam o meu ser

Transbordam alegria sem temer

Sentir o belo renascendo a cada dia

Uma transformação sem ilusão

De carisma e viver

Vendo os meus olhos exuberantes neste meu caminhar

De luz, reflexão sem excitar

Trazendo o novo e o belo para nos acompanhar

Diante das incertezas que a vida nos dá

Sem obstruir o tempo

Continuo a imaginar
Margarida Cabral
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TUDO

Tarde do anoitecer
Sempre existirá esperança
Quando chegar o anoitecer
Tudo é poesia
Tudo é passageiro
Tudo pode ser eterno
De tudo que tenho
Tudo depende do olhar
De lágrimas, risos
Tudo depende do querer
De fantasias
De indas e vindas
Que se intercalam entre rios
Tudo navega conforme o curso
Que queremos navegar

Margarida Cabral
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