Lista de Poemas

Praça Maior

Andando pela praça noite adentro
Fico pensando todo o tempo
Em tudo o que me aconteceu

Sinto junto com o sereno
Seu corpo molhado e pequeno
Pousando devagar sobre o meu

Vejo no olhar do estranho
Teus olhos castanhos
Piscando pra mim

Lembro sob a luz da lua
Da meia luz do seu quarto
Mostrando enfim

Você toda nua é assim
Algo tão sublime e singular
Nem todas as flores desse jardim
Podem teu perfume afastar...
Mas cheguei ao fim
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Sim, eu espero

Sim, eu espero
Deixo a chuva cair
Tomara que caia
Deixo o tempo passar
Suave como sua pele
Preciso como seu corpo
Eu espero,
Deixo tudo ir-se, tudo passar
Os carros, as vistas, as lamas
Esqueço tudo, deixo esvair-se
E tudo vai ficando distante
Como você naquela manhã de outono
Abandonando e abandonado espero
Enclausurado numa trama sem sentido
Enquanto tudo gira, nasce e morre
E o que sinto não é só aparente saudade
Mas dor e amor,
Por deixar passar
Enquanto sigo esperando...
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Um pescador

Vim pescar palavras
Vejo peixes fisgados por gaivotas 
Felizes são as gaivotas
Porque vivem sem palavras
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Confissão

Estou doente, doutor
Não sinto nada.
Já não há mais esperança, senhor
É o fim da estrada.
Qual é o diagnóstico, doutor?
Suspeito que seja contagiante,
Talvez uma peste, senhor 
Vinda do estrangeiro.
Me arrebata a indiferença
A falta de crença
Não, não me recomende repouso, ficar deitado
Eu continuarei a pensar, buscar significado
Para algo insuperável.
Ah, doutor, como eu queria ver as estrelas de perto
Qual seria a sensação?
Estaria lá o sopro que precisa meu corpo?
O remédio para meu coração?
Não, doutor, esse eu já tomei, só me faz dormir
Eu não preciso de mais anestesia
Eu só quero sentir!
De verdade, cansei de hipocrisia
Eu quero voltar a cantar e chorar
Doutor, não acredito em você e na sua ciência 
As luzes! Era para ser tudo melhor
Talvez hoje eu sentiria algo
Eu deveria despertar para a humanidade, não?
Ah, a alma! O que faria de nós irmãos, o espírito.
Tudo escorre entre as nossas mãos, como um comprado líquido 
E eu não espero mais nada
Não sinto mais nada
Já não caminho e já não se faz mais a estrada
Que me conduziria ao meu sonho
Que se perdeu em alguma curva
E se despedaçou como vaso seco atirado ao chão
Agora estou aqui, diante de ti, 
Reclamando minha sorte
De ser condenado a viver o absurdo
E na minha liberdade escolher
O que ouvir e ver, já que nada mais posso sentir,
Até o dia de minha morte.
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Rock Rural Nupcial

Uma casa no campo
Cheia de flores
Cheia de mel e cores
Onde a gente possa se encontrar

Uma casa no campo
Onde haja muita sombra
Onde todo ar é puro
E tenha água limpa pra nadar

Meu amor, vem comigo
Vamos construir nosso lar
Longe desse movimento urbano
Pra onde a gente é livre para amar
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Clube da Esquina 3

Sonhos não envelhecem?
Adormecem!
E por que?
Tanto tempo passa
E quando se nota
Já foi
Já não tem mais volta
Já não tem mais sono
Já não tem mais sonho
Mais lágrimas 
Mais amor
Só dor
Dor e dor
Seca

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Um medíocre

Prender o amor, a dor
Segurar o choro, o arrepio da pele
Ser forte, racional, natural 
Desumano
A beleza de ser humano
De sentir, sentir, sentir!
Eu quero viver, viver!
Antes da morte e depois o que viér
Não sei
Quem sabe?
É a solidão a paz, 
Até quando não suportar mais 
O contato, da sorte um retrato
O contrato, abaixo assinado
O suspiro de quem caiu apaixonado
E não mais cantou, nem subiu ao palco
Porque cedeu a mediocridade

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Não quero esquecer que vivi...

Não quero esquecer que vivi...
Ao tocar sua mão
Ao notar a arte dos seus lábios, soprando o café
Ao ver nossos rastros na areia que o mar não ousou tocar
E o olhar lacrimoso pela janela do ônibus, que não mais voltará
São palavras cruzadas, 
Canções mau cantadas, 
Que não farão você voltar
Mas que retardam o amor, 
Pois meu maior temor 
É deixar de sentir...
Mesmo que não me perdoas, 
Mesmo que nunca me entendas
Não quero esquecer que vivi...
Ao tocar sua mão
Ao notar a arte dos seus lábios, soprando o café
Ao ver nossos rastros na areia que o mar não ousou tocar
E o olhar lacrimoso pela janela do ônibus, que não mais voltará
Pois tocou-me a brisa do amor 
E eu não quero esquecer quem me amou 
E eu fiz sofrer...
 

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Perdão, Perdão, Perdão

Em prece e quieto
Eu descanso
As dores do corpo 
Procuro remédio pro meu coração

Sinto a dor seca no peito
Por não ter dado chances
Ao sopro da vida
Que alimenta o fogo da paixão

Eu quis controlar a balança 
Escolher sobre vidas, anulando a emoção 
Errei em interpretar sentimentos
Sempre foi o medo ao invés da razão

Perdão, perdão, perdão

Em silêncio 
No canto do quarto
Espera calado
O meu violão

Estendo-lhe a mão 
Mas sinto-me machucado
Eu já não posso tocar
O seu coração 

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Um manco de coração

A paixão perdeu-se 
Cedo, fiquei com passos em falso
E no medo de cair 
Equilibrei-me, meio tonto, num pé só 
Me afastei do invisível 
Deixei de sonhar
E quando você veio
Agarrei-me na razão 
Sem você e sem paixão segui
Como um manco de coração

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Comentários (1)

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mairon
2020-07-16

Fico feliz que te agrade, obrigado Thais!