Lista de Poemas

Milagre

Milagre pra quem acredita
É coisa de Deus
É sopro de vida
Que vence a morte
Como coisa de sorte
Algo que aconteceu

Milagre na fé popular
É coisa de algum santo
Presente no altar
Uma imagem de gesso
Que recebe adereço,
Sacrifício e pranto

Milagre é o gol da virada
No fim do jogo
É escapar da queimada
Quem brinca com fogo
É não se afogar
Na corrente do rio

Milagre é não ser baleado
Ganhar na Loteria
Não ser assaltado
Ter sua família
Porque a vida é dura
E estar só é ruim

Milagre é deixar vela acesa
E Pra quem está na mesa
Diante do prato,
Faminto e cansado
Espera um minuto 
E se põe a rezar 

Também é pra quem foi escolhido
Na fila de emprego
Para começar
Na segunda-feira
Acordar mais cedo
E sair pra trabalhar
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Acordei

Acordei...
De acordo
Com o acorde
Que toquei

E saí...
À procura
De um emprego
Consegui...

Um tempo de trabalho
Em que deixo de ser eu

Um tempo de trabalho
Eu, um proletário seu

Em troca de pão
Em troca de grãos
Em troca de tudo
Que preciso
E não tenho

Pra poder
Dormir cansado
E acordar

Acordei...
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Semeador

Em busca de uma terra boa
Algo me aconteceu
Antes de eu semeá-la 
A fruta se ofereceu

Eu provei
O que pode fazer um semeador, se não crêr no futuro?
Ter esperança estando no escuro
E seguir tateando...

Não neguei
O que pode fazer um semeador, quando a safra se acaba?
Esperar para recomeçar
E seguir tentando...

O que faz de mim um semeador
O que faz de mim um sonhador
É seguir semeando
É seguir sonhando

Um bom lugar para respirar
Para a Paz encontrar
Ali lançarei as sementes
Ali irei sonhar
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Dia dos Pais

É um dia de memórias
Poucas
Que vazio
Inexplicável
Como sob sol sentir frio

Saudade tolerável
Importante é viver
Pelas luzes da cidade
Pelos vagalumes dos campos
Tenho ainda pouca idade

Eu queria mesmo é chorar
Cair em pranto
Lavar a alma
Mas a fonte secou
E a dor é seca, no peito

São memórias poucas
E ruins
Ferragens, curva, chuva
Você roxo, com faixa e caixão
São flores e flores, coroas
Foste rei
E fazes falta
Demais
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Andante

Sigo andando pelas ruas
Contando os dias pelas luas
Sem conseguir esquecer

Só, com lenço e documento
Empurrado pelo vento
Para qualquer direção

Vou mirando as estrelas
Atravessando por vielas
Parando só pra beber

Ando sempre a passo lento
Sou o senhor do meu tempo
Mas a liberdade é ilusão

Se o caminho se faz mesmo ao caminhar
Quero ver ao fim em que isso vai dar
Se ao chegar grades mais fortes prenderão-me
Ou se como um rio,
Por leito torto, chego ao mar

Se o caminho se faz mesmo ao caminhar
Quero ver ao fim em que isso dará
Se as espirais do inferno descerei
Ou se, finalmente, Beatriz ali estará
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Meu Amigo Violão

Meu amigo violão
Que sempre me estende o braço,
Dá-me a mão e no compasso
Ouve-me dizer

Meu amigo violão
Que ao abrir a boca,
Responde à minha voz rouca e
Ajuda-me a esquecer

Meu amigo violão
Que me oferece o seu corpo
Que tocado desafina um pouco
E faz-me perceber

Que nas noites de lua cheia
Como eu, existem milhões de amantes
Que te ajeitam de lado no colo
Para fugir da razão

E que por tanto dedilhar tuas veias
Como eu, em toques dissonantes
Fazem da ponta dos dedos calos
Para sentir o coração
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Traumas da Vida

Fiz-me forte desde cedo
Emocionalmente forte
Me peguei sem sentimento
Vivenciando a morte

Mas tenho fatos para esquecer
Fatos que me tiram a paz
Traumas da vida, pra mim?
São vidas deixadas pra trás 

Você me queria perto
Temias ficar só, assim
Mas eu vivia um momento de luto
E você era outro para mim

E você, meu grande amigo?
Não lembro se me despedi
Há muito que já não te vejo
És, hoje, outra vida que perdi
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Vela Vida

Foi na Baia Encantada,
Entre o mar e a estrada
Que eu pensei em mudar

Vendo um barco a vela tão bonito
Com seu nome feminino
Na sua poita balançar 

Quem sabe, conhecer o Brasil inteiro
Partir num belo veleiro
Ter histórias pra contar

Ir, com ventos de esperança 
Num oceano de bonança
Pra algum amor encontrar

Mas logo vi que sou da terra
Bicho grilo, do pé da serra
Que não aprendeu sonhar

Que vive num mundo de guerras
Onde a paz que se espera
Só alguns podem alcançar 

Acorde, você não é mais menino
Já badalou o sino
Vê se volte a trabalhar 

Assim, quem sabe um belo dia
Com alguma economia
Você possa velejar

Sim, ter o seu próprio veleiro 
Como fiel companheiro 
Pra sua popa batizar
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Eu vim do mar

Eu vim do mar
E pra lá eu vou voltar
Eu vim do mar 
E pra lá eu vou voltar
 
Fiz pra você 
Um barco de papel
Pra viajarmos 
Sob os tons azuis do céu
 
Eu vim do mar
E pra lá eu vou voltar
Eu vim do mar 
E pra lá eu vou voltar
 
O azul e o branco do mar
O azul e branco do céu
O branco do papel
O azul da água com o branco do teu véu
 
Eu vim do mar
E pra lá eu vou voltar
Eu vim do mar 
E pra lá eu vou voltar
 
Estou certo de que não me enganei
Não vim do pó
E ao pó eu não voltarei
 
Eu vim do mar
E pra lá eu vou voltar
Eu vim do mar 
E pra lá eu vou voltar
 
👁️ 365

Me sinto feliz

Me sinto feliz
Quando tenho tempo
De andar a passo lento
Entre parques e jardins

Nesse tempo
Vejo em mosaicos vivos
Muitas plantas coloridas
Que mesmo esquecidas
Preservam sua beleza

Ah, mais tem momentos de tristeza
Porque a vida também corre
E não posso controlar
Todo o tempo que eu teria
Se eu tivesse a alegria
De não ter que me empregar
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Comentários (1)

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mairon
2020-07-16

Fico feliz que te agrade, obrigado Thais!