Escritas

Biografia

Luiz Renato de Oliveira Périco em poemas publicados em antologias e revistas literárias, como Toró, Ruído Manifesto, Mallarmargens, Lavoura, Sepé e Littera7. Publicou os livros Forma Amorfa (Viv Editora, 2021) e kairós (Editora Patuá, 2023),

Lista de Poemas

Total de poemas: 11 Página 1 de 2

AO MONSTRO COM CARINHO

mas vê só se pode
queria ser Leminski
mal consegui um bigode


Leminski é coisa séria
tem toda a solenidade
e a pompa da pilhéria
tem todo aquele mistério
de quem não se leva a sério
não pode ser seu discípulo
quem tem medo do ridículo
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CIRCUNCISÃO

Os pais levam seu filho até o Templo
A fim de oferecê-lo à sagração
O povo da Eleição e da Aliança
Em si leva o sinal dessa incisão
O sacerdote afia o fio da faca
Para que o corte tenha precisão
E cheio de temor e de tremor
De Deus toma a criança em suas mãos
A lâmina que corta o seu prepúcio
Deve cortar também seu coração
(Selah)
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DÍSTICO

Deus mora nos detalhes. Por exemplo:
Contemplo o seu sorriso - É o Seu Templo.

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sem título

Há pó sobre os meus livros
Os lidos e os não lidos
Há pó sobre a estante
E sobre a escrivaninha

Há pó sobre os móveis
Imóveis no escritório
E vê-se à contraluz
Que há pó até no ar

Passo o dedo na mesa
E desenho uma linha
Esse pó no meu dedo
É sua vida e é a minha
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haikai

kanjis e flores -
a moça tatuada
é um sumi-ê
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haikai

um passarinho
invadiu minha casa -
ou eu seu ninho?
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haikai

risos na mesa –
ainda não aprendi
a usar o hashi
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R.G.

Leio meu nome Meu sobrenome
O nome do meu pai O nome da minha mãe
A data do meu nascimento O local do meu nascimento
Mas eu me identifico mesmo é
Com aquela sequência aleatória de dígitos
Que até hoje não decorei
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haikai

nuvens escuras -
desprevenidamente,
roupas no varal
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sem título

Como os presos que desenham riscos nas paredes das celas
As árvores marcam a passagem dos anos desenhando anéis anuais no seu próprio tronco
Um anel a cada ano
Um anel a cada ano
Um anel a cada ano
Há troncos de árvores tão longevos e robustos
Que se contam seus anéis-anos aos milhares
Árvores mais antigas que as culturas mais milenares
Quantas lembranças não guardam os troncos dessas árvores
Quantas histórias não se lê nos seus anéis
Mas hoje é dia de ver as suas folhas caindo ao chão
Levadas pelo vento
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