Lista de Poemas
Esta noite
senti o mar incendiar-se
nas tuas mãos
arderam os olhos
nas tuas mão inteiras
enormes
esta noite no teu peito
inventei estrelas
que não conhecia
Pedido
um ramo noutro ramo
e a voz baixinho junto ao peito
Há dias eternos
Há mulheres raras.
Há dias raros ao lado de uma mulher eterna
TU
enlouqueces-me maravilhas-me atrapalhas-me apaixonas-me cegas-me confundes-me. Tu inspiras-me.
Tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu tu .....
Quero tanto de ti e tão próximo que anseio que fosses o ar, o chão, as paredes, tudo.
Que tudo o que tocasse fossem os teus braços. Que tudo o que sentisse fossem os teus lábios.
Como quando fecho os olhos e tudo o que não vejo és tu. Como quando não durmo e tudo o que sonho és tu.
Contigo não consigo respirar. Sem ti não consigo viver.
Quero estar tão dentro de ti que nem a luz do dia exista para mim. Quero abraçar-te tanto que todo o mundo colapse e desapareça num pequeno ponto entre os meus braços.
Toca-me com as tuas mãos. Faz-me desaparecer com a tua pele. Sufoca-me na tua língua. Arrasta-me pelo ar com o teu perfume. Mata-me de vez.
Odeio-te porque existes. Odeio-te porque não estás aqui. Amo-te tanto.
De repente tomo consciência da tua ausência e faz-se noite. Porque não me respondes quando te falo? Porque não te sinto quando estendo o braço? Porque te escondes?
TU
se fosses chuva, do céu só cairiam pérolas ... E até o chão gritaria de prazer
Segunda-feira
Há árvores céu e estradas sem fim.
Existe uma normalidade rectilínea em tudo o que me cerca
e no entanto choro.
Choro lágrimas anormalmente rectilíneas
vazias de árvores céu e estradas sem fim.
Interrupção
Uma epidemia de beijos está a espalhar-se rapidamente pelo país e começa já afectar Espanha e as ilhas. Nas ruas toda a gente se abraça e beija indiscriminadamente. Os hospitais estão cheios de pessoas aos beijos. Há engarrafamentos em quase todas as esquinas porque as pessoas saem dos carros para beijar e serem beijados.
Por todo o lado há bocas que se abraçam.
Há um fogo imenso
que quase conheço.
Deito-me a seu lado
e quando os olhos arderem
devagar, beija-me.
Pequenas coisas que me vão passando pela cabeça
No outro dia uma educadora de infância parou o carro no meio da ponte,
saiu, chegou-se à amurada e saltou. Segundo parece causou
engarrafamentos monstros. Não é preciso muito para atrapalhar o
trânsito. Basta um carro parado.
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Morri quinta-feira ao fim da tarde
a autópsia foi clara
causa da morte: saudades tuas
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Renasci junto a um oceano branco
levado por dois braços de mar salgado
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Não, não quero ser livre
quero ser cativo de amores
preso a paixões e tormentas tamanhas
Não, não quero ter ideias
só a paz de ver o mar
e as coisas mudas a sorrir para mim
Não, não quero ser contente
quero a raiva de todo o mal
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A vida é uma coisa engraçada que rola na minha mão.
Das vezes que a consigo ver de fora é giro olhar para as coisas. E tudo
parece estranhamente igual. O que é que eu tenho a ver com tudo isto? As
pessoas movem-se de um lado para outro, fazem coisas, mexem-se como se
movidas por uma necessidade necessária. Para que o mundo não pare e
continue a girar como antes. Quando a única finalidade que faz sentido é
sermos felizes. Quantas destas necessidades necessárias nos fazem felizes?
Fecho os olhos. Devo representar a farsa de uma máquina,
não porque acredite no que faz a máquina, mas porque a rosca não pode
viver sem um parafuso.
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Era interessante saber a largura dos dias
e sabermos com antecedência se cabemos neles
para não ficarmos com os pés de fora
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Preciso de uma droga que me reduza a pena. A vida é-me demasiado grande. E os meus pés tão pequenos. Os olhos vazios.
Ou eu me levantei ou o mundo encolheu. Estou a bater com a cabeça no tecto do mundo.
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Sou normal,
na maioria que sou em mim
estou perfeitamente na média
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Pássaros surdos loucos
De amor encantados
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Alguém escreveu sobre a mágica tarefa de viver, a mim ocorre a vã tarefa de viver
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O corpo estava acompanhado. Mas ninguém se sente só com o corpo.
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Alguém me perguntava com admiração. A beleza agride-te.
Sim. A beleza deve ser violenta.
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Pensamentos dum ouvido ao redor duma laranjeira
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Hóstia babada de ranho
Cona ungida de pano
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Aos céus sobe a espada que nos mata
e ficamos a vê-la subir ao alto
tão do chão
tão lentamente
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O erasmo era feio e tinha mau gosto para chapéus.
Pânico
Um medo irracional de pôr os pés no chão. Andava sempre aos pulos, ao pé-coxinho, por cima de mesas e tábuas. Acabou por se consumir e desfazer em fumo.
Está agora no meio de nós. é deus.
encontros e desencontros
só o bolor
como pode o bolor queimar tanto como queima?
mas mesmo nas cinzas resta fogo
mesmo no fogo restas tu
Comentários (5)
Parabéns Sr.Luis Henrique... belos textos poéticos.<br />Aproveito para vos dizer que estou muito feliz por ter resolvido o problema de meu computador. evidentemente com a sua ajuda. felicidades.<br />Ademir o poeta.
Sensacional
Vsrsis<br />Difusamente ser s
BOa poesia encontro aki
Parabéns poeta Ervilha!
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