Lista de Poemas

MAIS TE VOU AMAR


Mais te vou amar.

Mais te vou amar, enquanto em um milímetro dedistância nos fronteirarmos.

Mais te vou amar.

Mais te vou amar, sempre e quando quilómetros eléguas nos dividirem o espaço em dois com o acréscimo das viagens e voltas.

Mais te vou amar.

Mais te vou amar, enquanto o álbum da minha mentepoder tocar o trecho que me fez encarar o amar como lógica e terapia docoração.

Mais te vou amar.

Mais te vou amar, enquanto os meus olhos poderem vera rosa, clara avioletada que mais cores ouvi falar sem o mínimo interesse de asconhecer.

Mais te vou amar.

Mais te vou amar, mais te vou amar e amarar-te comas cordas de palavras temperadas. Cozidas do coração meu e evaporadas da bocaminha tal como as escrevo com os dedos fustigados pelo roçar dasesferográficas.

Mais te vou amar.

Mais te vou amar, enquanto o teu sorriso fazerbalançar as flores das árvores aos arbustos e destes às ervas daninhas.Alimentando de néctar os passarinhos e os insetos neste jardim onde nosencontramos deitados e de braços cruzados a nuca formando quatro ângulos.

Autor: Kussu Kappo

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FUGA



Meu amor eterno.

Os rios perderam os leitos e as manhas foram invadidaspelo entardecer.

As hortas perderam o sabor, por isso fugam na mesmapanela.

As primaveras presenciaram o seu partir e por cá nuncamais voltaram.

Sou ladeado pelos charcos das lágrimas o que nunca foi tudonem menos para te esquecer.

Antes pelo contrário, cá estou para te figurar embora nãoposso falar por tua voz.

Perdi-me, mas não a ti.

Autor:

Kussu Kappo

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TENTAR ESCREVER

Desdobro-me do cansaço

E fujo da casa da comodidade

Entre percas acalcanhadas de copados

Entre passadas de cigarros pesados

É hora de escrever

Mesmo sem inspiração

Marcar alguma distância e incendiar o arredor

Estou farto.

Porquê não escrever o que menos vale sem o apenas?

Mesmo que termine numa penitenciária

Desde que possa engravidar as cavidades dos blocoscom minhas palavras

E que rompam murros

E que mudem mundos.

Esta liberdade comprida

Me deprime

Não venho dum bairro que chove de frustrações eencharcado de bombas

Nem as minhas axilas trazem suor avermelhadas

Apenas preciso escrever

Longe dos bons momentos que me circulam

Mas que me incomodam

Tentar encapuzar-me nas vestes dos tais menos bons

Tentar escrever o ciclo de dúvidas não saturadas

E absorver como os bons quase não existem

E abster-se dos maus que persistem

E não me percebem.

Autor:Kussu Kappo

Braga,07 05 2014 02:19

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CENTÉSIMA VIAGEM

Na descola da alma

No abandono da lama

No agitar dos braços dos que ficam

No cansaço do pescoço pelo inverso do sentido em marcha

Me vi deslocado

Mas partilho que a sensação não foi a biscoites

Ainda que descartes que tenha sabido a semi metal

Apenas procurei um lema para pôr lume no mesmo incesto.

Sem conversão?!

Mastiguei palavras desditas do mundo que conheces

Mas ainda fustiguei e engarrafei a mente que desconheces

De mentiras engrossadas nas carruagens

Do comboio letrado como a centésima viagem.

Autor:Kussu Kappo

Braga26 02 2014 00:39

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