Juião Bolseiro
n. 1250
PT
Juião Bolseiro é um poeta português cuja obra se caracteriza pela sua profundidade existencial e pela exploração da condição humana, muitas vezes através de uma linguagem que evoca a tradição, mas com um olhar contemporâneo. A sua poesia aborda temas como a memória, a efemeridade da vida, a busca por sentido e a relação do indivíduo com o tempo e o espaço. Com uma voz poética introspectiva e, por vezes, melancólica, Bolseiro constrói versos que convidam à reflexão sobre a natureza da existência e a complexidade das emoções humanas.
n. 1250-01-01
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Biografia
Identificação e contexto básico
Juião Bolseiro é um poeta português. O seu nome completo e a existência de pseudónimos ou heterónimos não são amplamente documentados em fontes públicas. A sua obra está intrinsecamente ligada à língua portuguesa e ao contexto cultural e histórico de Portugal.Infância e formação
Detalhes específicos sobre a infância e formação de Juião Bolseiro não são facilmente acessíveis. Presume-se que o seu percurso educativo e as suas vivências pessoais tenham sido fundamentais para o desenvolvimento da sua sensibilidade poética e para a sua compreensão do mundo, moldando as suas reflexões sobre a existência.Percurso literário
O percurso literário de Juião Bolseiro é marcado pela sua incursão na poesia, um género literário que lhe permite expressar as suas indagações existenciais e a sua visão particular sobre a vida. A sua obra, embora possa não ser amplamente divulgada em termos de percurso cronológico detalhado, revela uma maturidade na abordagem de temas complexos e na utilização de recursos poéticos. A eventual participação em antologias ou publicações coletivas seria um indicador do seu envolvimento no meio literário.Obra, estilo e características literárias
Obra, estilo e características literárias A obra de Juião Bolseiro é notável pela sua profundidade existencial e pela exploração de temas como a memória, a efemeridade da vida, a passagem do tempo e a busca por sentido. O seu estilo poético tende a ser introspectivo, com um tom frequentemente melancólico e reflexivo. A linguagem utilizada por Bolseiro, embora possa evocar a tradição poética, é trabalhada com um olhar contemporâneo, buscando a precisão e a expressividade. Recursos como a metáfora e a imagem poética são empregados para traduzir as suas perceções sobre a complexidade da existência humana. A sua voz poética é, predominantemente, pessoal e confessional, convidando o leitor a partilhar das suas inquietações.Obra, estilo e características literárias
Contexto cultural e histórico Juião Bolseiro vive e escreve em Portugal, integrando o panorama cultural e histórico do país. As suas reflexões sobre a condição humana e a passagem do tempo podem, em certa medida, dialogar com as experiências coletivas e os momentos históricos vivenciados, ainda que a sua poesia se centre mais nas questões existenciais individuais.Obra, estilo e características literárias
Vida pessoal Informações detalhadas sobre a vida pessoal de Juião Bolseiro, incluindo relações afetivas, familiares ou experiências marcantes, não são amplamente divulgadas. A sua obra, no entanto, sugere uma personalidade introspectiva e uma profunda capacidade de observação e reflexão sobre a vida.Obra, estilo e características literárias
Reconhecimento e receção O reconhecimento da obra de Juião Bolseiro pode advir da apreciação crítica da sua poesia, da sua inclusão em publicações literárias ou da sua ressonância junto de leitores que se identifiquem com as suas temáticas existenciais. A sua contribuição reside na oferta de uma perspetiva lírica e reflexiva sobre a experiência humana.Obra, estilo e características literárias
Influências e legado As influências de Juião Bolseiro na poesia podem encontrar-se em autores que exploram a profundidade existencial e a condição humana. O seu legado manifesta-se na sua capacidade de evocar reflexão sobre a vida, a morte e o tempo através de uma linguagem poética cuidada e introspectiva, contribuindo para a diversidade da poesia portuguesa contemporânea.Obra, estilo e características literárias
Interpretação e análise crítica A obra de Juião Bolseiro é um convite à interpretação e à análise crítica das suas reflexões sobre a existência. Os temas da memória, da efemeridade e da busca por significado são centrais e permitem leituras que aprofundam a compreensão da psique humana e da sua relação com o mundo.Obra, estilo e características literárias
Curiosidades e aspetos menos conhecidos Informações sobre curiosidades ou aspetos menos conhecidos da vida de Juião Bolseiro não são facilmente encontradas em fontes públicas. A sua dedicação à poesia sugere um artista empenhado na exploração das profundezas da alma humana.Obra, estilo e características literárias
Morte e memória Não há informações disponíveis sobre a morte de Juião Bolseiro, o que indica que o autor possa estar vivo ou que os registos sobre o seu falecimento não sejam de acesso público.Poemas
18Buscastes-M', Ai Amigo, Muito Mal
Buscastes-m', ai amigo, muito mal
ali u vos enfengistes de mi,
e rog'a Deus que mi perçades i;
e dized'ora, falso, desleal:
se vos eu fiz no mund'algum prazer,
que coita houvestes vós de o dizer?
E nom vos presta, fals', em mi o negar
nem mi o neguedes, ca vos nom tem prol,
nem juredes, ca sempr'o falso sol
jurar muit', e dizede sem jurar:
se vos eu fiz no mund'algum prazer,
que coita houvestes vós de o dizer?
O que dissestes, se vos eu ar vir
por mi coitado, como vos vi já,
vedes, fals', acoomiar-xi-vos-á;
mais dized'ora, sem todo mentir:
se vos eu fiz no mund'algum prazer,
que coita houvestes vós de o dizer?
ali u vos enfengistes de mi,
e rog'a Deus que mi perçades i;
e dized'ora, falso, desleal:
se vos eu fiz no mund'algum prazer,
que coita houvestes vós de o dizer?
E nom vos presta, fals', em mi o negar
nem mi o neguedes, ca vos nom tem prol,
nem juredes, ca sempr'o falso sol
jurar muit', e dizede sem jurar:
se vos eu fiz no mund'algum prazer,
que coita houvestes vós de o dizer?
O que dissestes, se vos eu ar vir
por mi coitado, como vos vi já,
vedes, fals', acoomiar-xi-vos-á;
mais dized'ora, sem todo mentir:
se vos eu fiz no mund'algum prazer,
que coita houvestes vós de o dizer?
471
Ai Meu Amigo, Meu, Per Bõa Fé,
Ai meu amigo, meu, per bõa fé,
e nom doutra, per bõa fé, mais meu,
rog'eu a Deus, que mi vos hoje deu,
que vos faça tam ledo seer migo
quam leda fui hoj'eu, quando vos vi,
ca nunca fui tam leda pois naci.
Bom dia vejo, pois vos vej'aqui,
meu amigo, meu, a la fé, sem al;
faça-vos Deus ledo, que pod'e val,
seer migo, meu bem e meu desejo,
quam leda fui hoj'eu, quando vos vi,
ca nunca fui tam leda pois naci.
Meu gasalhado, se mi valha Deus,
e amigo meu e meu coraçom,
faça-vos Deus em algũa sazom
seer migo tam led'e tam pagado
quam leda fui hoj'eu, quando vos vi,
ca nunca fui tam leda pois naci.
e nom doutra, per bõa fé, mais meu,
rog'eu a Deus, que mi vos hoje deu,
que vos faça tam ledo seer migo
quam leda fui hoj'eu, quando vos vi,
ca nunca fui tam leda pois naci.
Bom dia vejo, pois vos vej'aqui,
meu amigo, meu, a la fé, sem al;
faça-vos Deus ledo, que pod'e val,
seer migo, meu bem e meu desejo,
quam leda fui hoj'eu, quando vos vi,
ca nunca fui tam leda pois naci.
Meu gasalhado, se mi valha Deus,
e amigo meu e meu coraçom,
faça-vos Deus em algũa sazom
seer migo tam led'e tam pagado
quam leda fui hoj'eu, quando vos vi,
ca nunca fui tam leda pois naci.
554
Vej'eu, Mia Filha, Quant'é Meu Cuidar
- Vej'eu, mia filha, quant'é meu cuidar,
as barcas novas viir pelo mar,
em que se foi voss'amigo daqui.
- Nom vos pês, madre, se Deus vos empar,
irei veer se vem meu amig'i.
- Cuid'eu, mia filha, no meu coraçom,
das barcas novas, que aquelas som
em que se foi voss'amigo daqui.
- Nom vos pês, madre, se Deus vos perdom,
irei veer se vem meu amig'i.
- Filha fremosa, por vos nom mentir,
vej'eu as barcas pelo mar viir
em que se foi voss'amigo daqui.
- Nom vos pês, madre, quant'eu poder ir,
irei veer se vem meu amig'i.
as barcas novas viir pelo mar,
em que se foi voss'amigo daqui.
- Nom vos pês, madre, se Deus vos empar,
irei veer se vem meu amig'i.
- Cuid'eu, mia filha, no meu coraçom,
das barcas novas, que aquelas som
em que se foi voss'amigo daqui.
- Nom vos pês, madre, se Deus vos perdom,
irei veer se vem meu amig'i.
- Filha fremosa, por vos nom mentir,
vej'eu as barcas pelo mar viir
em que se foi voss'amigo daqui.
- Nom vos pês, madre, quant'eu poder ir,
irei veer se vem meu amig'i.
752
Ai Meu Amigo, Havedes Vós Per Mi
Ai meu amigo, havedes vós per mi
afã e coit'e desej'e nom al,
e o meu bem é todo vosso mal;
mais, pois vos eu nom posso valer i,
pesa-mi a mi porque paresco bem,
pois end'a vós, meu amigo, mal vem.
E sei, amigo, destes olhos meus
e sei do meu fremoso parecer
que vos fazem em gram coita viver;
mais, meu amigo, se mi valha Deus,
pesa-mi a mi porque paresco bem,
pois end'a vós, meu amigo, mal vem.
afã e coit'e desej'e nom al,
e o meu bem é todo vosso mal;
mais, pois vos eu nom posso valer i,
pesa-mi a mi porque paresco bem,
pois end'a vós, meu amigo, mal vem.
E sei, amigo, destes olhos meus
e sei do meu fremoso parecer
que vos fazem em gram coita viver;
mais, meu amigo, se mi valha Deus,
pesa-mi a mi porque paresco bem,
pois end'a vós, meu amigo, mal vem.
538
Partir Quer Migo Mia Madr'hoj'aqui
Partir quer migo mia madr'hoj'aqui
quant'há no mund', u outra rem nom jaz:
de vós, amig', ũa parte mi faz,
e faz-m'outra de quant'há e de si;
e, pois faz esto, manda-m'escolher;
que mi mandades, amigo, fazer?
Partir quer migo como vos direi:
de vós mi faz [i] ũa parte já
e faz-m'outra de si e de quant'há
e de quantos outros parentes hei;
e, pois faz esto, manda-m'escolher;
que mi mandades, amigo, fazer?
E de qual guisa migo partir quer
a partiçom, ai meu amig', é tal:
ũa me faz, senhor, de vós, sem al,
outra de si e de quant'al houver;
e, pois faz esto, manda-m'escolher;
que mi mandades, amigo, fazer?
De vós me faz ũa parte, ai senhor
e meu amig'e meu lum'e meu bem,
e faz-m'outra de grand'algo que tem
e pom-me demais i o seu amor;
e, pois faz esto, manda m'escolher;
que mi mandades, amigo, fazer?
E, poilo ela part', a meu prazer,
em vós quer'eu, meu amig', escolher.
quant'há no mund', u outra rem nom jaz:
de vós, amig', ũa parte mi faz,
e faz-m'outra de quant'há e de si;
e, pois faz esto, manda-m'escolher;
que mi mandades, amigo, fazer?
Partir quer migo como vos direi:
de vós mi faz [i] ũa parte já
e faz-m'outra de si e de quant'há
e de quantos outros parentes hei;
e, pois faz esto, manda-m'escolher;
que mi mandades, amigo, fazer?
E de qual guisa migo partir quer
a partiçom, ai meu amig', é tal:
ũa me faz, senhor, de vós, sem al,
outra de si e de quant'al houver;
e, pois faz esto, manda-m'escolher;
que mi mandades, amigo, fazer?
De vós me faz ũa parte, ai senhor
e meu amig'e meu lum'e meu bem,
e faz-m'outra de grand'algo que tem
e pom-me demais i o seu amor;
e, pois faz esto, manda m'escolher;
que mi mandades, amigo, fazer?
E, poilo ela part', a meu prazer,
em vós quer'eu, meu amig', escolher.
755
Joam Soárez, de Pram As Melhores
- Joam Soárez, de pram as melhores
terras andastes, que eu nunca vi:
d'haverdes donas por entendedores
mui fremosas, quaes sei que há i,
fora razom; mais u fostes achar
d'irdes por entendedores filhar
sempre quand'amas, quando tecedores?
- Juião, outros mais sabedores
quiserom já esto saber de mim,
e em todo trobar mai[s] trobadores
que tu nom és; mais direi-t'o que vi:
vi boas donas tecer e lavrar
cordas e cintas, e vi-lhes criar,
per bõa fé, mui fremosas pastores.
- Joam Soárez, nunca vi chamada
molher ama, nas terras u andei,
se por emparament'ou por soldada
nom criou mês, e mais vos en direi:
enas terras u eu soía viver,
nunca mui bõa dona vi tecer,
mais vi tecer algũa lazerada.
- Juião, por est', outra vegada,
com outro tal trobador entencei;
fiz-lhe dizer que nom dezia nada,
com'or'a ti desta tençom farei;
vi boas donas lavrar e tecer
cordas e cintas, e vi-lhes teer
mui fremosas pastores na pousada.
- Joam Soárez, u soía viver,
nom tecem donas, nem ar vi teer
berç'ant'o fog'a dona muit'honrada.
- Juião, tu deves entender
que o mal vilam nom pode saber
de fazenda de bõa dona nada.
terras andastes, que eu nunca vi:
d'haverdes donas por entendedores
mui fremosas, quaes sei que há i,
fora razom; mais u fostes achar
d'irdes por entendedores filhar
sempre quand'amas, quando tecedores?
- Juião, outros mais sabedores
quiserom já esto saber de mim,
e em todo trobar mai[s] trobadores
que tu nom és; mais direi-t'o que vi:
vi boas donas tecer e lavrar
cordas e cintas, e vi-lhes criar,
per bõa fé, mui fremosas pastores.
- Joam Soárez, nunca vi chamada
molher ama, nas terras u andei,
se por emparament'ou por soldada
nom criou mês, e mais vos en direi:
enas terras u eu soía viver,
nunca mui bõa dona vi tecer,
mais vi tecer algũa lazerada.
- Juião, por est', outra vegada,
com outro tal trobador entencei;
fiz-lhe dizer que nom dezia nada,
com'or'a ti desta tençom farei;
vi boas donas lavrar e tecer
cordas e cintas, e vi-lhes teer
mui fremosas pastores na pousada.
- Joam Soárez, u soía viver,
nom tecem donas, nem ar vi teer
berç'ant'o fog'a dona muit'honrada.
- Juião, tu deves entender
que o mal vilam nom pode saber
de fazenda de bõa dona nada.
618
Nom Perdi Eu, Meu Amigo, Des Que Me de Vós Parti
Nom perdi eu, meu amigo, des que me de vós parti,
do meu coraçom gram coita, nem gram pesar, mais perdi
quanto tempo, meu amigo,
vós nom vivestes comigo.
Nem perderam os olhos meus chorar nunca, nem eu mal,
des que vos vós daqui fostes, mais vedes que perdi al:
quanto tempo, meu amigo,
vós nom vivestes comigo.
do meu coraçom gram coita, nem gram pesar, mais perdi
quanto tempo, meu amigo,
vós nom vivestes comigo.
Nem perderam os olhos meus chorar nunca, nem eu mal,
des que vos vós daqui fostes, mais vedes que perdi al:
quanto tempo, meu amigo,
vós nom vivestes comigo.
726
Aquestas Noites Tam Longas Que Deus Fez Em Grave Dia
Aquestas noites tam longas que Deus fez em grave dia
por mim, por que as nom dórmio, e por que as nom fazia
no tempo que meu amigo
soía falar comigo?
Porque as fez Deus tam grandes, nom posso eu dormir, coitada,
e, de como som sobejas, quisera-m'outra vegada
no tempo que meu amigo
soía falar comigo.
Porque as Deus fez tam grandes, sem mesura, desiguaes,
e as eu dormir nom posso, por que as nom fez ataes
no tempo que meu amigo
soía falar comigo?
por mim, por que as nom dórmio, e por que as nom fazia
no tempo que meu amigo
soía falar comigo?
Porque as fez Deus tam grandes, nom posso eu dormir, coitada,
e, de como som sobejas, quisera-m'outra vegada
no tempo que meu amigo
soía falar comigo.
Porque as Deus fez tam grandes, sem mesura, desiguaes,
e as eu dormir nom posso, por que as nom fez ataes
no tempo que meu amigo
soía falar comigo?
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