Escritas

Lista de Poemas

Vadiagem

Desde garoto me via em sonhos

como um cliente habitual dos cafés

(Nada de bombeiro,cowboy,astronauta

ou mesmo jogador de futebol.)

típicos dos antigos filmes "noir"

atmosfera,expectativa e obviamente

também todas as nuvens de fumaça.

Um copo sobre a mesa,um jornal,

vagalume entre os lábios,baforadas

debochadas,irônicas e cáusticas.

Roupa previsivelmente negra,

barba bem feita,ouvidos atentos

tomando notas para um opúsculo.

O alegre flanar,dolce far niente,

era a minha verdadeira vocação.
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Consequência

Muitas vezes nessa coisa confusa

chamada relacionamento

largar é pegar.
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Verdade

É de se pensar essa sua obssesão,

constante procura pelo perfeito,

contrariando a sua tão propalada fama

esperando sempre de seu objeto

alento para essa causa perdida,

nos desfaçamos de todo romantismo

o amor é uma forma de eugenia.
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Afetos

Minha vida afetiva é como

um inacreditável conto de fadas

normalmente só dá dragão,

mas ao contrário do santo Jorge

eu pacífico os coleciono.
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Apartamento

Não gosto adensam o índice

de estupidez por metro quadrado

só por isso me incomodam.
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Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose

Como se fosse pouco o mal ainda há o nome



para afligir a sua tão atormentada vítima.



Tal definição é por ironia o apanágio



da inexatidão pois tamanho polissílabo,



este sim faz jus à glória da sua classe,



levará muitos a o evitar por escrúpulo



e evocando qualquer outra coisa tentarão



se esquivar dessa nuvem de pedantismo



e isto é claro só pode causar confusão.



Decerto é fruto da vaidade dos gramáticos



e ainda mais dos nossos valorosos médicos



a laboriosa gênese de tamanho palavrão.
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Dito

É uma história engraçada

mas o palhaço sou eu

então deixa pra lá.
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Primeiro Encontro

-Você vai se sentir nas nuvens.

Cumpriu sim e bem a sua promessa

muito aparato,imensas expectativas.

-Houston nós temos um problema.

Retorno frustrante para casa.
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Adolescer

Inacessível

engano,

era tímido,

incompetente.

Mas era uma dádiva

dava uma aura de mistério

bastava.
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Recife

Recife cidade bonita nas horas vazias



domingos,feriados,dias santos e afins



todos os trezentos e sessenta e tantos.



Praças,parques,pontes,ruelas estreitas,



becos,calçadas,sossêgo e silêncio.



Bêbado,vendedor de picolé,passante vadio



e o sebista maravilha das ruas suspeitas.



Banca de madeira ou lona estendida



romance,teatro,nu,lei e jornais embolorados.



Pedido,queixa,barganha e algumas moedas:



Felicidade por mais um volume a ser logo



reunido entre os outros nunca lidos.



Musa úmida entrecortada por rios:



Travessia,ponte,mangue,esgoto e lama;



cinco caniços solitários,homens sozinhos.



Bar,cachaça,caju,farinha,pimenta,guisado,



cadeira tomada e gesto de frequentador.



Tarde cinzenta,sombria e inspiradora,



perfeita para se ler os dizeres no bronze.



Casario desleixado,quarto trancado,assobio,



murmúrio de moça bonita e pela janela



grito,correria,apito,riso,ameaça gritada



cidade velha amiga,amada,esquecida.
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