Escritas

Lista de Poemas

Total de poemas: 25 Página 1 de 3

Plena Fico em Cada Contradição

Suspiro de realidade
Conto-me em paixão
Plena fico
Em cada contradição.
Essa é a minha hora:
Tema sem exatidão,
Esse é o meu título:
Tempo sem previsão.
Tic-tac soam meus passos
No chão:
Donos do compasso eles são.
Tic-tac: ouço dos meus pés
A estação
Com a minha noção de tempo:
Caminho eles são.
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Gira a Alma Com Passos Maiores

É o que vem a desenhar o compasso
Num passo a passo dos traços nossos, agora
Do que vinha-se, vai-se, do que vem, faz-se
É o nos fazer girar esse compasso
Que de agora os passos nada de antes se classifica
É de ser perfeito o círculo que já se fez abrir
Não há redores dele a passar-nos
No que é nossa forma e nosso conteúdo.
Alguns passos outros e passamos a girar
Nele, tempo nosso, escalas menores
No que d’alma atributos maiores
Os passos eu não conto no desenho
Passo os traços no agora
Venho e faço descompasso
A girar vida afora
Roda grande que fecha
Roda de dentro se abre
Passa o tempo a ser nosso
Gira a alma com passos maiores
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O Tempo

Todos os dias eu vejo...a minha vida inteira:
Começo e meio de tudo o que em mim é vida.
Os ciclos das eras são um dia meu em suas horas,
A herança milenar das estrelas é rotação
De cada um dos meus instantes.
E todos os dias eu vejo...a minha vida inteira,
Em suas idades arquitetadas sem tempo:
Na noite vem aurora a se apresentar,
Na aurora vem dia quente já a se movimentar,
Na tarde de se aquietar,
A noite de nascer e morrer a chamar.
Num exercício de existir, todos os dias eu vejo...
A minha existência sendo e precedendo a arte de ser,
Sendo em seu existir a arte de seguir e de prever,
Girando em sua própria roda o recomeçar de suas luzes,
Seus próprios dias.
Todos os dias eu vejo...a minha vida inteira.
Os meus dias não são dias,
Não começam, não terminam,
São recomeço de vida inteira em mim,
Os ciclos das minhas estrelas quietas me chamam
Em seu estampado em céu da minha aurora
A descansar nas horas do meu dia alto,
Porque no meu ver de vida inteira,
É na noite minha em seus e meus
Esconder e prometer de luzes
Que todas as manhãs estão em seu exercício de existir,
Eu, sendo e precedendo o meu existir,
No que tempo se retoma em tempo,
Eu em morrer e nascer de minhas próprias luzes,
Em minha roda, eu, na minha vida inteira,
Os meus próprios dias.
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A Juventude

Eu sou cheia de sonhos antigos.
Como para o meu corpo está o sangue,
Para o meu coração, os sonhos.
E antigos são como o que me fez
Mover pela primeira vez,
E antigos como o ar em meus pulmões.
Eu sou cheia de sonhos antigos.
Sonhos que eu nasci sonhando,
Suntuosos como os passos que me
Levaram longe deles,
Cintilantes como a luz que os reacendeu.
Santos e serpentes, signos e sóis,
Simples como os mares navegados,
Antigos são os sonhos que me preenchem,
Secretos como a essência do silêncio pronunciado.
Em todas as minhas idades,
Eu, cheia de sonhos antigos.
Fossem sonhos em meu esquecimento guardados,
Sonhando serem por mim sonhados,
Sejam sonhos despertos no meu realizar,
São todos os sonhos os mesmos,
Os mais antigos que a minha consciência de sonhar.
Eu sou cheia de sonhos antigos,
O sangue do meu coração,
O primeiro mover do meu corpo.
Sonhos de antes de nascer o ar,
Passeando suntuosos dentro de mim,
Quando longe de cintilar na luz
Do meu reascender em sonhar.
Sonhos mais antigos que o segredo do silêncio,
Que a essência dos sóis sobre os mares,
Simples no que me preenchem.
Antigos são os sonhos que fizeram a idade em mim,
Eu sou a idade dos meus sonhos,
E no meu corpo, santos são os signos
Da idade dos meus sonhos.
Eu sou cheia de sonhos antigos,
Sonhos nascidos antes da minha consciência sonhar,
E sou cheia, no corpo e no coração,
Da idade dos sonhos,
Como o primeiro respirar,
É a juventude sempre em mim a suspirar.
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Os Soldados

Um a um, os soldados, em seus círculos,
Do uniforme um símbolo seus corações.
Um a um na continuidade da marcha,
Os soldados no fogo e explosão estendem em
Uniformes o símbolo de seus corações.
Os soldados, um a um, em seus corações são uniformes
Na descontinuidade de sua marcha,
A explosão, símbolo, de um a um,
Do soldado, o fogo.
Um a um, os soldados sonham com a guerra,
Fazem seus sonhos na terra,
Amam as sombras distendidas da carne,
Um a um, amam os soldados o altar da guerra.
Os soldados no altar de suas carnes,
Sonham com a terra distendida de sombras
E amam a guerra de seus corações.
Um a um, os soldados em seu cansaço
Consertam dramas e brincam de armas.
E um a um, os soldados desarmam seus corpos
E em suas guerras chegam à chama sedenta,
Um a um, caem juntos os soldados
No drama de seu cansaço,
As armas sedentas na chama dos corações
Brincam em seus corpos.
Um a um, os soldados sem uniforme perdem o símbolo,
Um a um, a marcha sedenta chegada ao altar do coração,
Na carne desarmada, um a um,
Os soldados brincam com o fogo distendido da terra,
Um a um os soldados amam a explosão dos corações,
Cai sobre o altar a carne, a guerra.
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Ela anda em seu jardim

Ela anda em seu jardim,
O cemitério,
Da terra um dia ela fez
Nascer flor, mas terra ela colocou
Por cima, e depois mais terra
Ela fez a cobrir.
Ela anda em seu jardim,
O cemitério,
No que antes camadas via,
De camadas era feito,
No que vida jazia,
Agora jazigos imutáveis,
Ela anda sem diamantes ou minerais.
Não, não morra em vida,
Não converta em pó o rosto,
Não aceite o pálido sobre a cabeça.
É um apelo de vida essa morte,
É a vida que se vai dos corpos
Que não mais a comportam,
Aos que ainda caminham em passos
Concretos e pulsantes
Clamando ser inserida, reinserida.
Ela anda por seu jardim,
De flores esvanecidas,
Tanta vida desconfigurada,
Vida resetada, vida em marco zero.
Não morras em vida,
Não permaneça pálida,
Vidas inteiras sopraram em suas veias,
Odeie as caixas de madeiras, imensas,
Quebre a lascas uma por uma,
Destrua, desaceite, desconstrua
A morte, sua caixa de madeira,
Odeie a morte em vida.
Não morra um poema pálido.
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O Segredo

Vem ouvir esse segredo...coração meu.
Que Amor em paz é poder amar na batalha.
E os nossos dias já ausentes de visão
Foram lutados lá fora, nós e o mundo,
Um mundo todo contra nós a lutar.
Lá atrás fez-se a esperança
No que a humanidade fraca falha,
No que a compaixão e a fé em outros corações demora.
Vem ouvir esse segredo...do longe ao coração meu.
Que Amor em paz se ama lutando.
E as nossas primeiras provas foram nós e o mundo,
Nós, um mundo todo a lutar,
Em provas de outrora, na intolerância alheia,
A nossa luz se revelando,
No que o ardor e a obra em corações nossos
É existir profundo.
Vem ouvir esse segredo...que fala ao coração meu.
Que Amor em paz é pela paz lutar.
E as estações nossas de agora são os mundos
Que antes lutamos, em nós já um mundo todo,
Em nós, a nos apresentar.
Nas estações presentes, a árvore e o ramo de tantas vidas,
Nossa seiva a vibrar, no que as oposições de nós, vençamos.
Vem ouvir esse segredo...que declara o coração meu.
Que Amor em paz é o que faz a paz na batalha.
O mundo todo de quem com o mundo já lutou
É a humanidade dos nossos corações,
A compaixão que nos nossos dias de agora nunca falha.
Que Amor em paz é o segredo de lutar.
E as provas de agora somos nós perante o mundo,
Somos nós as lutas se revelando em luz de nossos corações,
A fé em nosso ardor profundo.
...vem ouvir o segredo das estações
E das lutas de nós, o mundo,
Vibrando de ramo em ramo a esperança,
A árvore da vida, nós, em nossa herança.
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Eu faço poesia porque não sei não fazer

Eu faço poesia porque não sei não fazer
eu vivo cantando porque não sei não cantar
tudo que eu faço eu faço de qualquer jeito
porque não tenho jeito pra nada na vida estudar.
eu ando torta e caio na rua
brinco de casa e faço meu
pensar em roda de lua.
tudo de qualquer jeito
sem jeito de começar
nem final pra me apurar.
no cair do dia minha façanha é sonhar
de qualquer jeito de manhã
me ponho o que o mundo estranha a aprumar.
feito música que ninguém grava
feito propaganda que ninguém entende.
minha festa nem tem gente
meu banquete nem tem nada de comer.
meu jeito é andar pra frente.
e que outro jeito a vida há de ter?
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Planetas Regentes

Nada vem ao meu encontro,
E todos os meus dias são de correr para encontrar,
Mas de riscos na areia não é a firmeza do que confronto,
Nada vem ao meu encontro.
Mas de areia não é tudo o que ao encontro me vem a chamar.
Se nada vem ao meu encontro,
A corrida dos dias meus na areia nada tem de suave,
E os riscos do andar vêm da firmeza do confronto,
Se nada vem ao meu encontro,
Ainda assim são duas as luzes,
O sol de incessante a se fazer espalhar,
A lua de melancolia a se fazer esperar.
Se nada vem ao meu encontro,
O mundo meu num mar que se estende de si mesmo
Na areia inconstância não empresta da lua
Sempre a descansar.
Nada vem ao encontro do meu mar,
E do sol as águas são da luz o movimento
A ser a buscar.
Nada vem ao encontro da minha luz,
Nada vem ao encontro das minhas águas,
Mas ainda são duas as luzes,
O sol de encontrar, o movimento de na areia se estender,
A lua do encontro na areia o que brilha a fixar.
Nada vem ao meu encontro,
Mas a constância de caminhar,
A inconstância de esperar.
Mas que no encontro e no encontrar,
O sol é um universo todo nas águas
A sua luz a pronunciar,
A lua uma vida toda na areia o seu silêncio a pulsar.
Nada vem ao meu encontro,
Mas o encontro está onde o encontrar pela luz de esperar
E pela água de andar chegará.
Nada vem ao meu encontro,
Mas no pronunciar do universo em sol a se movimentar,
Responde a pulsar a lua em seu silêncio.
Eis que, no encontro e no encontrar,
São duas as luzes,
Do sol vem em seu movimento na areia descansar,
Da lua vem em sua espera na água a se movimentar.
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Engolida Por Uma Estrela

Eu vou reconstruir minha morada natural
A partir dos destroços do infortuno círculo
De substâncias falsas que tenta me encadear.
Eu vou fazer da mais nítida transparência
Da alma concebida serena
E acalmar as conturbadas águas
Dos sete mares de minha mente,
Para que a ânsia dos meus pensamentos
Possa assim não ser mera loucura.
Vou despertar os deuses para que possam
Ordenar os elementos da nossa existência
E transformar em ouro o nosso amanhã
Fazer de minha idade um dia doce.
Fazer do que parece comum e banal
A extraordinária fantasia
De chuva de luzes sublimes
Se atirando sobre nossos sonhos,
Cobrindo de um espetáculo possuidor
Da mais maravilhosa excentricidade.
Eu vou fazer os planetas se alinharem, um a um,
Apenas para que a nossa visão
Tenha o inconstante privilégio da absurda beleza
Que nasce do infinito.
Eu vou abrir os mais enferrujados portões
Dos destinos mais inesperados
Para que em nossos caminhos
Sempre estejam as inquietas estrelas
A nos iluminar diante da infindável
Sustentação mais fina que se mostra aos nossos olhos.
Eu vou fazer do desconhecido,
Um símbolo de nossas vidas,
A vida de nossos delírios.
Eu vou plantar nos jardins escondidos
De nossos espíritos
A flor de mais pura paz e de mais vívidas cores,
Que será a cura indiscutível de toda intimidação.
Eu vou me dispersar na terra de valor único
E espantar a multidão tediosa
E não convidada para meu banquete.
Celebrar as lágrimas que derramam o tempo
Nos vales da solitude amena em meu espaço.
Eu vou gritar e ouvir o som nostálgico da minha voz
Se espalhando sem rumo definido
Pelas ruas onde o vento rodeia.
Eu vou encher do sorriso mais expressivo
Da vitória mais dificilmente alcançada
Os rostos daqueles por quem,
De alguma forma, tenho amor.
Salvar a infeliz pronúncia de ódio
Cantar a música da imaginação
Na união de súplicas pela alegria.
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