Biografia
Lista de Poemas
Sutta dos Kalamas: O Caminho da Investigação (Poema)
- Ranjan Lekhy
Santo Antônio de Jesus, Bahia, Brasil
May 5th 2024
Em nosso Kesaputta,
missionários e filósofos,
Brahmanes e Shramanas
vêm pregar e habitar
mas eles trazem
menos fatos, mais surrealidade.
Cada um proclama
sua doutrina a ser defendida,
enquanto a dos outros
desprezam e reprovam.
Ó Buda, sábio e gentil!
Por favor, guia-nos
com tua mente desperta.
Neste labirinto de visões conflitantes,
Mostra-nos o caminho
que devemos escolher.
Perplexos e perdidos,
pedimos a ti,
quem fala falsidades
e quem fala a verdade?
Guia-nos por
esta complicada encruzilhada,
ajuda-nos a encontrar 'o caminho da luz'.
Assim, o Tathagata
Buda falou aos Kalamas:
Não acreditem em rumores
que se espalham como fogo
na floresta.
Pois a verdade nem sempre é encontrada
nas palavras que confiamos,
mas sim nas perguntas
de quem, o quê, por quê, onde,
qual e como são justas.
Pergunte, sem medo,
nunca tenha medo!
Não acreditem em tradições
que são velhas e desgastadas,
só porque estão aqui
antes de vocês nascerem.
Tudo é transitório,
não se apeguem pessoalmente, vejam
para não se prenderem ao dogma,
cegos por decretos.
Façam as perguntas apropriadas.
Boa pergunta traz boa resposta,
assim não precisamos temer,
nunca temer!
Nossos anciãos podem falar
com vozes antigas e sábias,
mas seus ensinamentos às vezes
não satisfazem.
Nova era e novas situações,
daí surgem novos problemas.
Precisamos de soluções modernas.
Nova ciência,
novas tecnologias
e ao abraçar o progresso, prosperamos.
Não acreditem nas palavras
dos gurus só porque são faladas
com convicção e certeza.
E não se deixem hipnotizar
por seus milagres e magia
nem serem influenciados
por sua personalidade e popularidade,
nem por retórica vazia e enrolação.
Olhem além da superfície,
sem orgulho ou preconceito,
busquem a verdade além do axioma.
Em todos os textos sagrados,
encontramos palavras tão divinas,
mas simplesmente acreditar
sem razão, recuso.
Pois o conhecimento deve ser buscado,
alegações extraordinárias
precisam de evidências extraordinárias,
para que não caiamos na armadilha
de uma mente dogmática.
Dhamma significa despertar
não iludir a mente.
Raciocínio lógico,
pensamento crítico, ferramenta poderosa.
Mas ao confiar exclusivamente nele,
não sejamos tolos.
Má lógica ou falácias lógicas
matam o espírito das descobertas!
Proposição falsa
leva a uma conclusão falsa.
Quatro limites da lógica:
Verdades parciais, Linguagem,
Incerteza e Percepção.
Em resumo,
não acreditem em nada
de novo ou antigo
Nem todo o brilho
é ouro verdadeiro.
Encontrem evidências e provas,
experimentem e testem
com cuidado em torno.
O conhecimento empírico é poderoso,
quando é livre de erro e claro.
Adotem-no e promovam-no
se servir ao bem-estar.
FIM
Traduzido do inglês, originalmente publicado aqui: https://english.sahityapost.com/kalama-sutta-the-path-of-inquiry/
Melhor Morrer Lutando (Conto)
(Esforço sobre a Inatividade)
– Ranjan Lekhy
Santo Antônio de Jesus, Bahia, Brasil
7 de setembro de 2025
Em um tempo distante, o Bodhisattva nasceu como uma humilde codorna, habitando uma floresta exuberante. Em um dia fatídico, um fogo feroz rugiu através das árvores, mergulhando a selva no caos. Criaturas de todos os tipos fugiram aterrorizadas, seus gritos ecoando através da copa das árvores. Se o incêndio não fosse contido, ele consumiria tudo, sem deixar alma ilesa.
Sem se deixar abalar, a pequena codorna entrou em ação. Com determinação inabalável, ela voou até um lago próximo, mergulhou suas delicadas asas na água e voltou ao incêndio. Pairando sobre as chamas, ela balançou as asas, espalhando gotas de água, cada gota estalando contra o fogo. Repetidamente, a codorna retornava ao lago, seu pequeno corpo incansável em sua missão de apagar as chamas.
Das alturas celestiais de Brahmaloka, o Senhor Brahma observava esse esforço valente. Assumindo a forma de um corvo, ele desceu e se empoleirou perto da codorna, sua voz cheia de escárnio. “Pássaro tolo, o que suas gotas insignificantes podem fazer? O fogo vai te consumir, como o destino determina.”
A codorna, destemida, fixou o olhar no corvo. “O destino pode ser implacável, mas a inatividade não é uma virtude. Prefiro perecer lutando do que ficar parado observando. Meus esforços me colocarão entre aqueles que lutaram, não entre os que apenas assistiram.” Com isso, ela subiu novamente em direção ao lago, resoluta.
Cega pela fumaça em uma de suas viagens perigosas, a codorna vacilou e caiu no chão. Um elefante, tocado por sua coragem, gentilmente levantou a pequena ave com sua tromba e a colocou em segurança. Inspirado, o elefante reuniu seu rebanho e, cada animal, começou a pegar água do lago e jogar nas chamas com poderosos jatos de suas trombas.
A floresta entrou em ação. Rinocerontes avançaram, chutando a terra para sufocar o fogo. Pássaros molharam suas asas, lançando água sobre as chamas. Até o cético corvo, envergonhado pela determinação coletiva, se juntou, carregando gotas em seu bico. Unidos, os animais lutaram como um só, e seus esforços combinados abafaram o incêndio.
No final, sua perseverança triunfou. O fogo foi extinto e, embora a floresta tenha ficado marcada, ela permaneceu resiliente. O lar dos animais foi salvo, como um testemunho do poder do esforço coletivo sobre a desesperança passiva.
(Fim)
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