Hera de Jesus

Hera de Jesus

Hera de Jesus é escritora e poeta moçambicana. Sua escrita transita entre o erotismo, a memória, a força feminina e a identidade, explorando as nuances da linguagem e da sensibilidade.

n. 0000-10-14, Maputo- Moçambique

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Queremos, apenas, ser mulheres

Há pranto
há flores murchas
esmagadas 
pelos opressores
num mundo 
cruel para Mulheres.

Calcinhas acorrentadas 
ao pescoço
furtam-nos a essência
se resistimos
estoiram-nos o útero
e lançam-nos na sarjeta do mundo.

Nas montras das ruas
jazem flores
nuas
esmagadas
murchas e ensanguentadas
descorooadas.

Era uma vez...
Mulheres
que apenas
queriam ser Mulheres
num mundo cruel
para mulheres.

in Blasfêmeas Sangue e Poesia (2024)

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Poemas

4

Queremos, apenas, ser mulheres

Há pranto
há flores murchas
esmagadas 
pelos opressores
num mundo 
cruel para Mulheres.

Calcinhas acorrentadas 
ao pescoço
furtam-nos a essência
se resistimos
estoiram-nos o útero
e lançam-nos na sarjeta do mundo.

Nas montras das ruas
jazem flores
nuas
esmagadas
murchas e ensanguentadas
descorooadas.

Era uma vez...
Mulheres
que apenas
queriam ser Mulheres
num mundo cruel
para mulheres.

in Blasfêmeas Sangue e Poesia (2024)

179

Quem Sou

Sou doce,
nectarina,
a verter em tuas mãos.

Sou vermelha,
púrpura de sedução.

Sou delicada,
flor,
se me tocares com amor.

Delicada,
dispo-me
e deixo
que me trespasses.

in A boca no Ouvido de Alguém(2023)
 

137

Cunilingus

Descerro as pétalas
 da tua fissura.
Em golpes lânguidos,
com a minha língua,
há um rio de prazer
que se desfaz em minha boca.

Vou desmatando o caminho
para a minha passagem.
Sinos disparam,
músculos contraem-se.

Essa volúpia
com que me necessitas,
imploras
para que eu te possua.

Sou soldado perdido
em terras alheias,
sob o calor intenso
que os nossos corpos emanam.

Fazemos
o cântico dos amantes
que se amam.
 

413

Personalomanias

Que o abismo
desta vida
jamais se abra.

Engolindo
o que ainda
resta.

Esta besta,
atenta,
adentra
minha mente.

Sonolenta,
minha paz,
meus pensamentos,
subjuga.

Apavora-me,
esta exibição
penosa
da nudez
das minhas confidências.

Quem?
Senão eu,
e mais eu?

Meus enfados,
meus silêncios,
reticências.

Estes,
e outros mais,
heterônimos meus,
vestidos de cinza.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Enigma do Silêncio

Textos de bravo engenho. Dignos aplausos!

wilson1970

Escreves em altíssimo nível aguardamos os próximos Parabéns HERA