Lista de Poemas
O Embrião
Nascemos embriões vigorosos
sete a nove meses guardados
para que nossa carne, nossos ossos
possam viver enfim... Separados
Do seio materno que nos preparou
e a quebrar o cordão que nos prendia
num despertar quase que lento chorou
a semente mostrou sua magia.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
sete a nove meses guardados
para que nossa carne, nossos ossos
possam viver enfim... Separados
Do seio materno que nos preparou
e a quebrar o cordão que nos prendia
num despertar quase que lento chorou
a semente mostrou sua magia.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
👁️ 399
Semente Embrionária
Minha mãe terra, meu pai agricultor
Arando com palavras belas e afáveis
o solo fértil
para receber as sementes
Semente embrionária
ali germinara
Em choro minha mãe me viu nascer
abrindo as portas do céu e do inferno para mim
Me dando calor no inverno
me guardando das dores geladas do mundo
Recebi dúvidas e incertezas como companhia
Andei, andei, andei...
e procurei, procurei, procurei...
por este mundo outro ser como eu
Então, te encontrei
Alguém melancólico como a mim
Teu ódio parecia ser meu
Então você me roubou
neste mundo inseguro
Do meu coração
o sentimento mais puro
O sentimento que nasce, germina
e amadurece até cair de maduro.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
Arando com palavras belas e afáveis
o solo fértil
para receber as sementes
Semente embrionária
ali germinara
Em choro minha mãe me viu nascer
abrindo as portas do céu e do inferno para mim
Me dando calor no inverno
me guardando das dores geladas do mundo
Recebi dúvidas e incertezas como companhia
Andei, andei, andei...
e procurei, procurei, procurei...
por este mundo outro ser como eu
Então, te encontrei
Alguém melancólico como a mim
Teu ódio parecia ser meu
Então você me roubou
neste mundo inseguro
Do meu coração
o sentimento mais puro
O sentimento que nasce, germina
e amadurece até cair de maduro.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
👁️ 299
Sensações
Não ligue para as televisões ligadas
Não ligue para os telefones chamando
Ouça apenas o som
ressoando lá fora.
O som do mundo vivo.
Não! Para este mundo morto das televisões.
Não! Para as vozes sem rosto dos telefones.
Não! Para estas pessoas que te cercam
com seus pensamentos codificados.
Sim! Quero ouvir...
Quero ouvir os ruídos dos insetos
Quero ouvir o marulhar das águas do mar
Quero ouvir o eco do vento
passear pela madrugada solitária
Quero ouvir pássaros, bichos
entrando e saindo nos meus tímpanos.
Não! Para o som metálico e correto das máquinas.
Apenas, quero ouvir
O som sem sentido
que dá sentido ao mundo.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
Não ligue para os telefones chamando
Ouça apenas o som
ressoando lá fora.
O som do mundo vivo.
Não! Para este mundo morto das televisões.
Não! Para as vozes sem rosto dos telefones.
Não! Para estas pessoas que te cercam
com seus pensamentos codificados.
Sim! Quero ouvir...
Quero ouvir os ruídos dos insetos
Quero ouvir o marulhar das águas do mar
Quero ouvir o eco do vento
passear pela madrugada solitária
Quero ouvir pássaros, bichos
entrando e saindo nos meus tímpanos.
Não! Para o som metálico e correto das máquinas.
Apenas, quero ouvir
O som sem sentido
que dá sentido ao mundo.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
👁️ 320
Poética
Não faço versos
Eles apenas brotam na minha escuridão
e escorrem
suando
em minhas mãos,
e se entregam ao papel
É como uma fonte que mina na rocha
querendo encontrar seu destino.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
Eles apenas brotam na minha escuridão
e escorrem
suando
em minhas mãos,
e se entregam ao papel
É como uma fonte que mina na rocha
querendo encontrar seu destino.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
👁️ 367
Adolescência
Calmo, fui no que pude
preso nos sonhos adolescentes
cheio de fúria e atitudes
louco, tempestuoso e displicente.
Farto de desejos... Amores crônicos
jeito puro, atirado e indômito
às vezes falo muito... Vezes lacônico
bicho do mato, surpreso... Atônito.
Minto por não saber a verdade.
Espinhas meu rosto deformam
Hormônios meu corpo transformam
De sincero, minha autenticidade.
Voraz e de alma gentil
sentimentos ferozes
todos consigo... Algozes
de um desejo mercantil.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
preso nos sonhos adolescentes
cheio de fúria e atitudes
louco, tempestuoso e displicente.
Farto de desejos... Amores crônicos
jeito puro, atirado e indômito
às vezes falo muito... Vezes lacônico
bicho do mato, surpreso... Atônito.
Minto por não saber a verdade.
Espinhas meu rosto deformam
Hormônios meu corpo transformam
De sincero, minha autenticidade.
Voraz e de alma gentil
sentimentos ferozes
todos consigo... Algozes
de um desejo mercantil.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
👁️ 316
Motorista de Ônibus
Seus olhos acesos
seus ouvidos como cães
que guardam a noite
ele dirige o ônibus
O ronco do motor
os outros carros
os sinais de trânsito
os passageiros
com as delicadezas ou ignorâncias diárias
Seu coração? Seus nervos? Seu corpo?
Ninguém sabe como está
nem se preocupa em saber.
Pra quê? Por quê?
Aquela máquina
aquela bomba relógio.
Ele é carne? Ele é ossos?
Será que ele é humano?
-Não!
Ele é apenas um motorista de ônibus.
Relicário das Dores - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
seus ouvidos como cães
que guardam a noite
ele dirige o ônibus
O ronco do motor
os outros carros
os sinais de trânsito
os passageiros
com as delicadezas ou ignorâncias diárias
Seu coração? Seus nervos? Seu corpo?
Ninguém sabe como está
nem se preocupa em saber.
Pra quê? Por quê?
Aquela máquina
aquela bomba relógio.
Ele é carne? Ele é ossos?
Será que ele é humano?
-Não!
Ele é apenas um motorista de ônibus.
Relicário das Dores - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
👁️ 662
Pré-história
Meu pai e minha mãe se olharam
um de uma esquina e outro de outra
se conheceram, namoraram, casaram,
sorriram, brincaram e se amaram
e daí, nove meses depois eu nasci.
Então veio os natais
e a escrita.
E assim começou minha história.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
um de uma esquina e outro de outra
se conheceram, namoraram, casaram,
sorriram, brincaram e se amaram
e daí, nove meses depois eu nasci.
Então veio os natais
e a escrita.
E assim começou minha história.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
👁️ 314
Juventude
Mar de fúria e de inquietude
as mãos engorduradas de desejos
roupas armadas de atitude
vaidosos em seus ensejos.
São água transbordando no recipiente
falam como donos da verdade
são livres em suas mentes
mas se perturbam frente à liberdade.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
as mãos engorduradas de desejos
roupas armadas de atitude
vaidosos em seus ensejos.
São água transbordando no recipiente
falam como donos da verdade
são livres em suas mentes
mas se perturbam frente à liberdade.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
👁️ 312
A Infância
Quando era criança queria ser grande
Quando se é grande quer ser pequeno
Ainda me lembro de quando menino
apenas sonhava
Pesadelo é coisa de homem barbado.
Dirigia ônibus, era médico, matava ladrões,
governava o mundo, salvava as pessoas,
até podia ser um bom vilão.
Morria de brincadeirinha
quando se cresce vê que a morte não é brincadeira
Vivia de brincadeirinha
o mundo era um pequeno brinquedo
que minha inocência dominava.
Então cresci, e me perdi
pois o mundo tornou-se grande demais para mim
Quanto mais cresci
menor me tornei diante do mundo.
Meu coração virou um pequeno brinquedo
na mão de crianças más
então tudo aconteceu naturalmente
o ônibus me atropelou, o médico me maltratou,
fui acuado e dominado
não salvei nem a mim mesmo.
E o bom vilão?
Ah! Esse me matou.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
Quando se é grande quer ser pequeno
Ainda me lembro de quando menino
apenas sonhava
Pesadelo é coisa de homem barbado.
Dirigia ônibus, era médico, matava ladrões,
governava o mundo, salvava as pessoas,
até podia ser um bom vilão.
Morria de brincadeirinha
quando se cresce vê que a morte não é brincadeira
Vivia de brincadeirinha
o mundo era um pequeno brinquedo
que minha inocência dominava.
Então cresci, e me perdi
pois o mundo tornou-se grande demais para mim
Quanto mais cresci
menor me tornei diante do mundo.
Meu coração virou um pequeno brinquedo
na mão de crianças más
então tudo aconteceu naturalmente
o ônibus me atropelou, o médico me maltratou,
fui acuado e dominado
não salvei nem a mim mesmo.
E o bom vilão?
Ah! Esse me matou.
Sociedade dos Eremitas - Lendo e Escrevendo, 2019. Editora Litere-se.
👁️ 333
Os Corvos
Gritos de socorro silenciados
Nos suaves cortes na carne
Buscando carinho
Buscando caminhos
Querendo aceitação
Querendo interpretação.
Não pertenço ao mundo
Ao mundo que me deram
Nasci no tempo errado
O tempo é impaciente
E não gosta de improvisos
Já fiz rabiscos nos muros
E em páginas rasgadas
Que só entendem os letrados
Na escuridão.
Um luto bem vivo
Com minhas roupas escuras
Que são meu casulo.
Um luto mais vivo
Do que o eu aprisionado
Alimentados por músicas
E literatura mórbida
O que são corvos?
São apenas pássaros.
Vivo em duas casas diferentes
Mas me perco em todo esse labirinto
Não quero escolhas nem permuta
Quando nasci nunca queria ser borboleta
Só quero voar com minhas penas negras de corvo.
Gosto do alimento com parasitas e insetos
Gosto mais do errado do que do certo
Que para todos são uma mesma coisa.
Só quero voar como um corvo
Na vastidão do céu negro da noite.
Não quero acordar dos meus versos.
Nos suaves cortes na carne
Buscando carinho
Buscando caminhos
Querendo aceitação
Querendo interpretação.
Não pertenço ao mundo
Ao mundo que me deram
Nasci no tempo errado
O tempo é impaciente
E não gosta de improvisos
Já fiz rabiscos nos muros
E em páginas rasgadas
Que só entendem os letrados
Na escuridão.
Um luto bem vivo
Com minhas roupas escuras
Que são meu casulo.
Um luto mais vivo
Do que o eu aprisionado
Alimentados por músicas
E literatura mórbida
O que são corvos?
São apenas pássaros.
Vivo em duas casas diferentes
Mas me perco em todo esse labirinto
Não quero escolhas nem permuta
Quando nasci nunca queria ser borboleta
Só quero voar com minhas penas negras de corvo.
Gosto do alimento com parasitas e insetos
Gosto mais do errado do que do certo
Que para todos são uma mesma coisa.
Só quero voar como um corvo
Na vastidão do céu negro da noite.
Não quero acordar dos meus versos.
👁️ 335
Comentários (1)
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fernandoarroz
2020-05-18
hmmmm caféiznho bom esse em
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