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Lista de Poemas

Total de poemas: 13 Página 1 de 2

Respirar

Poesia em homenagem ao retorno dos Astronautas da Nasa Suni Williams e Butch Wilmore, que chegaram à Terra, a bordo de uma cápsula SpaceX, às 18h57, do dia 18 de março de 2025, após 9 meses no espaço. 

O poema é divido em 3 seções, independentes entre si, mas que tem em comum o tema da respiração. 

Cada seção se passa em tempo e local diferentes: numa cabana, em meio ao Cerrado virgem descampado; na Estação Espacial Internacional - ISS, após os 2 astronautas ficarem sabendo, pela segunda vez, de novo adiamento do retorno; e na última seção há o encontro de um casal de amantes em um quarto de motel.

Respirar

Ar ar ar puro ar
Das matas de galeria
Ao longo do ribeirão

Junto à cabana
Aonde vimos ter
Porque respirar

Trieiros me percorrem
De cerrado virgem descampado
Campos limpos chapadões

Veredas me inundam
De palmeiras buritis cujo leque
Uma revoada de garças ilustra

Sublime ar

Ar ar puro ar
Da estação espacial
A onde vimos ter

Porque respirar
Longe dos homens
Longe de voltar

O universo me inunda de estrelas
E as nebulosas me fazem chorar

O mais difícil era encontrarem-se a sós
Quando podiam então dedicar
Todo o tempo ao amor

O ar ficava mais úmido
Certos perfumes a girar
Ai respirar perto da boca

Respirar beijando na atmosfera de luar
Que irradia do quadro
Na parede do quarto

Respirar respirar

(da série Sinfonia do Cerrado, no livro Perto Dois)

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Eros & Psiqué

Devido ao amor
Perdi o equilíbrio bailando

Na crista das ondas
E após inúmeras voltas

Indefinidas girando no ar
Me tornei um tanto sóbrio

Por amor eu matei
De amor eu morri

Com o amor
Me achei

No amor
Me perdi

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Goy

Sentado no pedestal 
Do Monumento às Três Raças
Ao lado do índio nu

Um mendigo almoça
Transeuntes passam
E ele pede esmolas

Não há moedas nos bolsos
Mas batem forte os corações
Transa art déco

Trafega obeliscos
Sintoniza a Executiva
Encena o Teatro Inacabado da AGT

Vira cambalhotas no Martim Cererê
Agora era um menino de rua
Cheirando cola de sapateiro

Se protegendo do sol
À sombra de estátuas nuas

Agora a cidade toda era sua
Os monumentos das praças públicas
As avenidas de pista dupla sertaneja
Os feriados municipais
As folhas secas das árvores caídas no chão
A cada curva capota um coração
As doses de Conhaque Presidente
Aboletado no balcão
Dos bares do Sudoeste
O céu de tão azul
Dói aos olhos
Os olhos azuis da garçonete
Os ventos leste
E toda a gente

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Os Centauros - Parte 1

Filhos do Sol e da Nuvem de Chuva
Cabeça torso e braços de homem
Sobre corpo de cavalo

Figuram na arte antiga em geral
Na grande escultura nas estatuetas
Cerâmicas e pinturas

Baixos relevos no friso do Partenon
Encenam a batalha com os Lápidas
Em Pompéia Nesso e Dejanira

Aparecem várias vezes
Os encontramos ainda
Nos cortejos de Dioniso

Entre Faunos
Ninfas e Mênades
Sátiros Eros e Pã

Citados em diversos mitos
Sendo um dos mais famosos
A Batalha Contra os Centauros

Narrada por Ovídio em Metamorfoses
Viviam nas cavernas das florestas
Dos montes Pélion e Ossa

Embora associados a episódios
De barbárie e numerosos delitos
Representam também

O comportamento civilizado
Contido por exemplo
Na hospitalidade do pacífico Folo

Ou na sapiência de Quíron
Respeitado educador de heróis
Doutor em Iátrica Agonística Mântica

E tantas outras ciências
Sendo a sua função mais nobre e indispensável
Fazer passar aos jovens e heróis

Por ritos iniciáticos
Outorgando-os o direito
Para participar

Da vida da pólis
E a espiritualidade necessária
Para que pudessem enfrentar

Qualquer desafio e gesta
Recebeu de Héracles
Sem o querer

Quando do Massacre de Foloe
Uma flecha envenenada
Provocando-lhe um ferimento incurável

(A caminho para capturar o javali de Erimanto
Héracles parou para passar a noite
Na floresta de Foloe

E foi encontrado por Folo
Que o alertou do perigo
De pernoitar ali

Devido à fúria e selvageria
Dos outros Centauros
Oferecendo a sua hospitalidade

Insistiu para que o herói
Passasse a noite na sua caverna
Onde preparou um delicioso banquete

No decorrer do simpósio
Héracles perguntou
Se não haveria ali

Um pouco de vinho
E Folo respondeu que sim
Um odre cheio disse e que o vinho

Dos Centauros era o melhor de todos
Mas não poderia abri-lo
Pois certamente o cheiro

Atrairia os demais da sua espécie
Héracles ignorou o perigo
E insistiu para que bebessem

Assim Folo abriu o odre
E ambos beberam
Mas o aroma inebriante

Do maravilhoso néctar
Chegou até aos outros Centauros
Que partiram extasiados

Ao seu encontro
Tendo Folo e Héracles
A vontade da fome e da sede saciado

E principiado a descançar na caverna
Ouviram o tropel que se aproximava
Héracles então preparou

Suas mortais flechas
Embebidas no sangue da Hidra de Lerna
E o combate desigual iniciou

Mesmo munidos de tochas
Troncos e rochedos os Centauros
Sofreram incrível derrota

E bateram em retirada
Perseguidos por Héracles
Que os expulsou

Daquela região
Fazendo com que se dispersassem
Em várias direções

Alguns Centauros
Foram se abrigar em Tessália
Onde vivia Quíron

E ali a luta prosseguiu)

Foi um grande médico
Que sabia compreender
Muito bem aos seus pacientes

Pois era um médico ferido
Teve como discipulos Ájax e Aquiles
Héracles Hipólito Jasão Nestor

Odisseu Palamedes Teseu e tantos outros
Recolhido na célebre gruta
O pacífico e justo Quíron

Sofrendo de dores terríveis e incessantes
Desejou morrer mas era imortal
Então Héracles fez um acordo com Zeus

Trocando a imortalidade de Quíron
Pela vida de Prometeu
(Que roubara dos deuses o fogo

E o dera aos homens
E por isso fora condenado
A padecer eternamente

Amarrado a um rochedo
Enquanto uma águia devorava o seu fígado
Que voltava a crescer durante a noite)

Prometeu cedeu-lhe seu direito à morte
E Quíron pode descançar em paz subindo
Ao céu sob a forma da constelação do Sagitário


Nota do autor: a Parte 2 do poema, intitulada "A Batalha Contra os Centauros e o Rápto de Alcíone", encontra-se em fase de revisão e tão logo seja finalizada, a publicarei neste espaço.


(em, Perto Dois e Os Centauros)
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Galo: ver: de Juan Miró:

       "A Quinta" "A Mesa com Luva"
       "A Mesa (Natureza Morta com Coelho)"
       De João Cabral: "Tecendo a Manhã"

Butterfly: how beautiful it is
Her little body girl
Só a chamava de Borboletinha

       Ela dava beijos de borboleta       
       Seus seios pequenos túmidos
       Durinhos que acariciava e mordia

Guardam uma tatuagem de borboleta
Ela enganchava na cintura
Esfregando o clitóris na pica dura

       A bunda aberta exposta às carícias
       Here and there. "As vezes um lápis"
       Freud: "é apenas um lápis"

Entre lapsos e pulsão de teclar
Hiperlynks de algorítimo quântico
Exortam o tempo a pulsar

       Mas tudo bem :-)
       No problem na mente
       Na mente: stop: top top lari lari lara

Acessa caleidoscópios
Navega refrigérios
Tênue teia de fios de sol:

       Aurora dos dedos de rosa
Ver também: a lua

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Colagens de O Amor nos Tempos do Cólera

Nem tivera a curiosidade
Nos últimos anos

De ir até à enseada de Manzanillo
Onde amerissavam os hidroaviões

Depois que as lanchas de guarda
Enxotavam as canoas de pescadores

E os botes de recreio
Cada vez mais numerosos

Olhou pelas janelas o círculo completo
Do quadrante da rosa náutica

É a vida mais que a morte
A que não tem limites pensou

Seu domínio invencível
Seu amor impávido

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Cachoeira do Sereno 1

O sol se põe do outro lado
Da cachoeira do Sereno
No curso do ribeirão Monte

No dossel da vereda
Amena de buritis
Uma arara e um tucano

Cruzam o céu oceano
Lado a lado. Um novo ocaso
A música das esferas

Mãe d'Água bem-ti-vis
Apolo no carro do sol. Sol
Sol sol que do outro lado

Da cachoeira do Sereno
Se põe. E logo ali
O córrego d'Anta

Deságua no pequi

(da série Sinfonia do Cerrado, no livro Perto Dois)

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Cachoeira do Sereno 2

Uma revoada de garças
Assusta o Gigante Adormecido

O ribeirão Monte
Desanda nas Torres

Araras e tucanos
Colorem bem-te-vis

Apolo no carro do sol
Esmaece no horizonte

Jaci desponta no céu oceano
Mãe d'Água alumia buritis

E a cachoeira do Sereno
Corre mansamente

(da série Sinfonia do Cerrado, no livro Perto Dois)

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O Amor Segundo Alberto Goldin com Girassóis

O amor é uma gangorra
Que só é feliz
Quando alterna suas posições

Sol que aquece a pele
E provoca arrepios
Caleidoscópio de girassóis

Que ao voltarem para nós as suas pétalas
Nos inspiram a sentir e simpatizar
Com os afetos e interesses de outrem

Amar e ser amado
É estar no alto e descer
Para permitir que ambos sintam

Que existem para o outro
As pétalas amarelas simbolizam
Respeito aos limites das outras pessoas

E a intenção de não presumir os desejos
E opiniões alheias
Tentando interferir em suas decisões

Amar é um ato generoso
Uma forma de dar beleza
E sentido ao outro

E quando é recíproco
Toda doação de beleza
E sentido retornam em dobro

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Idílio no Chapadão do Céu

Com você ao meu lado
Mulher gentil para amar
Não vejo o tempo passar

No restaurante da Dona Fia
Rapariga delicada para comer
Não vejo o tempo correr

De tarde passeamos pelas ruas
De mãos dadas seguindo a lua
Sequer vejo anoitecer

Bebemos êxtases e sidra
Mulher adormecida

Abro a janela
Para que entre a brisa
E eu veja o sol nascer


(em, Sinfonia do Cerrado)
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