Escritas

Goy

Heldmar Menezes

Sentado no pedestal 
Do Monumento às Três Raças
Ao lado do índio nu

Um mendigo almoça
Transeuntes passam
E ele pede esmolas

Não há moedas nos bolsos
Mas batem forte os corações
Transa art déco

Trafega obeliscos
Sintoniza a Executiva
Encena o Teatro Inacabado da AGT

Vira cambalhotas no Martim Cererê
Agora era um menino de rua
Cheirando cola de sapateiro

Se protegendo do sol
À sombra de estátuas nuas

Agora a cidade toda era sua
Os monumentos das praças públicas
As avenidas de pista dupla sertaneja
Os feriados municipais
As folhas secas das árvores caídas no chão
A cada curva capota um coração
As doses de Conhaque Presidente
Aboletado no balcão
Dos bares do Sudoeste
O céu de tão azul
Dói aos olhos
Os olhos azuis da garçonete
Os ventos leste
E toda a gente