Escritas

Lista de Poemas

Meu Poeta!


Meu poeta!
Só estou esperando que apareças,
Pois a certeza já está firmada,
Sua voz eu já escuto,
Suas palavras por mim tão sonhadas,
O simples toque soa suave,
Seu sonho e o meu entrelaçados,
A vida sem rumos determinados,
O amor pelo puro prazer de amar,
O doce do beijo só por tocar,
A mão que me desce e me desenha,
Meu sorriso sincero sem nada pedir,
O puro prazer que a palavra não diz,
Viver apenas para ser feliz,
Sem hora, sem pressa,
Sem noite nem dia,
Realizando a vida em poesia!


Gizelle Amorim
👁️ 2 066

Gota de sentimento




De onde cai uma lágrima,
Desce além da fisiologia,
é o resumo do sentimento,
Seja dor ou alegria,
Ainda que se evite,
Por orgulho ou teimosia...
Ela desce e corre ao seu lado,
Vem pela boca ou nem mesmo cai.
Olhos marejados respondem calados,
Sem palavras, só cílios molhados.
é a confissão do sentimento,
Felicidade, ódio, mágoa...
Expresso de forma primária,
Na simplicidade de uma gota d'água.

Gizelle Amorim



👁️ 1 643

Não!


Palavra fácil, pequena e limitadora.
Na maioria das vezes, vista como fracasso, como o "ponto final".
Esse é o "não" que nos é ensinado, sem um porquê, prático e objetivo para demonstrar poder.
O medo que essas três letras causam, é tão grande, tão grande que destrói sonhos, não só destrói, como impede que se sonhe, já confirma um fracasso... Fracasso real, pois quem não tenta, não consegue!
O "não" é fundamental para o ensinamento, necessário para demonstrar limites, mas só é valido com a coerência de seu significado. Só é construtivo quando aguça a reflexão.
A maior liberdade que existe, é o direito de dizer: NÃO!
Ser livre é ter o direito de dizernão. Entendê-lo,
é aceitar o que é respeito.
A vida é feita de escolhas, e cada escolha carrega uma consequência. Nós escolhemos, nós arcamos...
"Não quero..."
"Não concordo..."
"Não acredito..."


Gizelle Amorim

👁️ 809

O Escorpião que não podia matar

No meio de uma mata

Havia um enorme buraco

Uma grande população de escorpiões,

E todos assassinos natos


Porém, um deles,

Não tinha a índole para matar,

Foi expulso por seus companheiros,

E pelo mundo foi a vagar.


E ao vagar pelo mundo,

Passou tempos ao pensar,

Descobriu que queria uma família,

Ser amado e também amar.


Mas sempre que se aproximava,

Todos corriam desesperados,

Com medo que aquele “terrível monstro”

Causasse algum estrago.


Triste, sozinho e cansado,

Encontrou uma Baratinha,

E docemente perguntou:

Por acaso estás sozinha?


Certa que iria morrer,

Ela suplicou aflita:

Por favor, Sr. Escorpião,

Não acabe com minha vida!


Ele suspirou baixinho,

Revelando toda a verdade,

Falou que era do bem,

E só buscava a felicidade.


A Baratinha olhou com temor,

E não escondeu a desconfiança,

Mas abriu um lindo sorriso,

Dando-lhe um voto de confiança.


Começaram a conversar,

E ficaram muito amigos,

E de repente ela indagou:

Quer vir morar comigo?


Chegando a sua toca,

As baratas se desesperaram,

A Baratinha anunciou

Um escorpião como namorado.


E assim foram vivendo,

As baratas e o Escorpião,

Que conquistou o amor de todos

Com seu enorme coração.


O Escorpião estava completo

Tinha tudo que queria,

Não precisou matar ninguém,

E era amado por sua família.


Mas nem tudo sai como esperamos,

E alguém viu o Escorpião,

E com medo de um ataque,

Organizaram um mutirão.


Muita gente juntou...

Cercaram a toca,

Queriam matar o Escorpião,

Pondo veneno em sua porta.


O Escorpião se desesperou,

Viu sua família em perigo,

Buscou uma solução,

Para tirar todos do risco.


Olhou para todos com amor

E imponente saiu da toca correndo,

Cravou seu ferrão nas costas

E matou-se com seu veneno.


As pessoas foram saindo,

E a todas as baratas salvas,

Mas elas o amavam tanto,

Que não admitiam sua falta.


Em um momento de silêncio,

Viu-se um clarão na mata,

Era o espírito do Escorpião,

Falando com as baratas...


“Eu nunca matei ninguém,

E só vivi para amar,

Por isso a minha arma,

Por ironia foi para salvar.


Não importa de onde vens,

E sim seu coração,

O amor é capaz de tudo,

Até dar alma a um Escorpião!


Gi Amor


👁️ 1 024

Coma



Seus olhos me disseram tudo.
A tristeza evidente estampada em seu rosto,
Seu sorriso de desgosto.
Esse grito de alguém que não diz nada,
Essa voz calada...
Um corpo que está no mundo,
De quem se esconde em um sono profundo.

Gi Amor
👁️ 688

Colo de Mãe

Quanta saudade...
Do seu olhar,
Da sua voz...
Das palavras entre nós,
A sós.
Humildemente astuta...
Não me cala ao discordar do que penso,
Não acredita na verdade absoluta,
Ensinou-me a duvidar,
Fez minha voz ecoar,
...Incomodar!
Ao final sempre me diz:"Só quero te ver feliz!"
E sua felicidade é o que preciso...
Amor maior,
Seu presente é meu sorriso!

Gi Amor
👁️ 615

Só, somente só,
Só eu, sempre só,
Sem amor, nem mesmo dó,
No escuro, é o pior,
Sem nem um surdo,
Sem um cretino,
Sozinha eu,
Soltando o nó,
Que não me larga,
Que persegue,
Que me destrói,
Que me corrói,
Só vejo eu,
E nunca nós,
Só ouço um som,
Só minha voz.


Gizelle Amorim

👁️ 779

Primeiro Passo


Um dos fatos mais marcantes e mais comemorados após nosso nascimento é nosso primeiro passo. O primeiro de uma vida inteira, nossa primeira ousadia!

E aí crescemos e nem lembramos mais que o nosso caminho teve início naquele passinho, inseguro, temeroso, mas determinado à ir além...

E com o primeiro passo, descobrimos novas rotas, desvendamos lugares incomuns e podemos escolher a direção. Pela primeira vez, podemos ir por vontade própria em busca do novo.

Ao passar do tempo, essa poesia se transforma em medo, um medo paralisante. A acomodação é quase uma regra. Estar inerte e acomodado é seguro e corruptível demais.

Sair da certeza, mudar o discurso, lutar por ideais parece tão fora do centro que na maioria das vezes nos faz pensar em desistir, ou sentar e aceitar covardemente os acontecimentos...

Ir além do óbvio, contestar a normalidade, se comprometer com um propósito... E pô-lo em prática, mesmo que em doses mínimas... Soa utópico. Mas só é para quem pensa na cadeira, quem pensa sem mexer a bunda!

Quem acredita, reconhece a importância do primeiro passo.


Gizelle Amorim

👁️ 790

O Anjo e a Estrela


Era uma vez uma Estrela,

Tímida e desconfiada,

Vivia sozinha em seu cantinho,

E quase sempre calada.

 

Não dava papo para ninguém,

Não era apegada em nada,

Tinha medo de gostar de algo,

E terminar decepcionada.

 

Era tida pelas outras estrelas

Como uma Estrela metida,

Por seu comportamento fechado,

Não era muito querida.

 

Um dia, de repente,

Um Anjo se aproximou,

Queria ser seu amigo,

Mas a Estrela o ignorou.

 

Ele continuou insistindo,

E ela não agüentava mais,

Ficou brava e gritou:

Eu quero ficar em paz!

 

O Anjo não desistiu,

E todo dia ia vê-la,

Com o tempo ele percebeu,

Que já era amigo da Estrela!

 

E os dois se apaixonaram,

Viviam em lua-de-mel,

E ele fez a piada infame:

Querida, estou no céu!

 

Viviam juntos e felizes,

Em plena paz e harmonia,

Mas a natureza foi mais forte,

E o pior aconteceria.

 

A Estrela estava perdendo sua luz,

A morte estava para chegar,

E os dois desesperados,

Não paravam de chorar.

 

O Anjo suplicou aos céus,

Pela vida de sua amada,

Viver sem ela seria impossível,

Sua existência seria um nada!

 

Com a morte da Estrela,

O Anjo perdeu toda sua vontade...

Dizia para todo o mundo,

Que perdera sua metade!

 

Sozinho e na sarjeta,

Uma luz o surpreendeu,

E com a voz delicada,

Uma Anjinha apareceu.

 

Era a sua amada Estrela,

Que havia evoluído,

Tornou-se também uma Anja,

E para sempre estão unidos.

 

Essa história nos mostra,

Que o amor puro e real,

Consegue superar o fim,

E tornar-se imortal!

 

Gi Amor

 

👁️ 1 217

Incoerente

Contradizer seus dizeres,
É adulterar sua alma,
Falsificar o que tens no peito,
Buscar com pressa a calma.
Gritos mudos,
Público surdo.
Mentiras escarradas... Descaradas.
Perdeu-se em seu luto,
Fez da batalha o fim da guerra.
Sabe o caminho e por escolha, erra.
Pensamentos atados...
Textos  sem poesia.
Poeta calado.

Gi Amor
👁️ 571

Comentários (1)

Iniciar sessão para publicar um comentário.
2015-11-20

Adorei suas poesias... Me chamou muita a atenção O Escorpião que não podia matar...