Lista de Poemas

Assim sussurrou Assunção

É claro que eu quero o clarão da lua
É claro que eu quero o branco no preto

Assim falou Assunção.

Assim Assunção cessou sua sátira sã.
Ó, sã sátira, batuque um canto concreto
pra balançar o coreto correto
d'onde vens a tua inspiração, ó doce manhã.

Assim sussurrou Assunção:

A lança que não cansa da dança
a pança da panda que não quer mudança
como se fosse pecado, como se fosse mortal
tecendo a hora, em que a aurora for geral.
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Soneto de Bordel, de Gabriel para Bel

O pecado nativo é simplesmente estar vivo
É querer respirar, o remanso do poeta agora
Traz-se um crime atroz, cruel e negativo 
Se se pudesse, o espírito que chora

Que a terra te seja leve, Bel fugitivo
Tu que pesaste tão pouco sobre ela outrora
Deveras pesar, assim, tão parado e ativo
Uruguai, minas não há mais, mundo afora

Perfídia és, tu, ó Coração Selvagem venusto
No Exílio duradouro, vulto oculto no culto
Bel, se tu te vais, como ficam os carnavais?

Sujeito de Sorte, vede o que lhe é justo e adusto
Tu, Bel, deixa-nos teu galardão mediante ao tumulto
Mas não vos acanhes, jovens, seus versos são atemporais.
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ENEM: O mártir da juventude

O mártir juvenil, da terra roxa e anil
Necessidade de ser um alguém
Fulguras e vergonha à Mãe Gentil
Ó, brilho cruel do trilho, do trem

que sai pro ENEM

Guardei meus belos versos a mil
Embaixo da mesa azul vintém
Engavetei-me de conceito vil
tudo isso pra ir bem, hein?

Bhaskara, Logaritmos, trigonometria
pra que tudo isso?
se o que quero é filosofia?
pra que ser submisso?
maquinizo-me, logo existo?

Ceguei meu horizonte, descolori o amanhecer
saquei minha caneta preta transparente
tudo isso pra me promover! 
exame bestial, amargamente sulamericanamente

tudo isso pra quê?
pra ser o que eles querem vê!
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Luz no luar da Lu

No Mar de Malibu
paira uma lua azul
a mesma praia blue
para ir ao luar da Lu

Sob a palmeira neon
Danço nu, ah, como é bom
No litoral tropical
além do bem e do mal

Sei que gostas do bigodudo
Belchior, Nietzsche, diz tudo
por que eu existo?
será eu o anticristo?

Mas Ele está morto
como no torno do meu canto torto

E blues lamente comigo
sentindo o sinal terminal
ainda falta o artigo
da genealogia da moral

Do romano, ufano, de ano em ano
anos medianos por baixo dos panos
puritanos, ciganos que vem do oceano
todos humanos, demasiado humano.

Todo mundo sabe, todo mundo vê
Que os homens vão dizer
que a vida é dura, incompleta, Claude Monet
na dureza do proceder do alvorecer

pra quem não fez a guerra
e nem quer vestibular
pra quem tem a carteira de terceira, me erra
ou pra quem não fez o serviço militar!
(contra o lixo nuclear!)

pra quem amasse a mão da alegria
pra quem amassa o pão da poesia
na tristeza, na alegria; na noite, no dia

e eu vou rimando, buscando destaque
distante do inferno eterno
inspirações de Olavo Bilac
Babilônia, Dante, terno, Erno.

será que um dia serei encontrado
ou quem sabe abandonado? no medo nado
e nadando eu vou vendo, meia volta volver
medo, medo, medo, medo, medo, medo vou ver.
(doze medos Alexandrinos, finos!)

pra quê rimar?
se o que eu quero é falar:
do Anil e do Grená

Je veux parler!
escrever pra viver!
Ideo adolescentulæ dilexerunt te!

(come with me, and be my love!)
(be cause, because)
(tomorrow is another day!)
(everyday!)
(i need you, and you need me)


Ego flos campi
Et ilium convalium
Veni, dilecte mi egrediamur in agrum
Commoremur in villis

Umbilicus tuus crater tornalitis,
Numquam indigens poculis!
Venter tuus sicut acervus tritici

Non te occidere.
volo enim vos vivere
sic non possum tecum vivere
eu te amo, me considere.

Tenho medo: pai, filho, Espírito Santo
Santa Teresa, quem me rói tanto!
por ti eu danço e canto!

um dia vou pra aí
curtir o teu Havaí
comer um açaí
pra rir
e ir.
a ti

desejo
meu
carinho.

manda buscar outro, linho ninho
no Piauí.
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Mais um novo dia

Qualquer beleza é inventar
o que ainda não há.
Qualquer leveza é sentir
o sol a porvir.
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Rolê full anarquia

Estrago o esterco do extra cool
a década da decadência derradeira
esterno externo, onda blue
o verde-oliva é violência passageira

Soul e sul, suíço do blue
Que lundu, origens do ubuntu

Não gosto do sol
O mundo para breve, para brisa
O mundo entrou em greve para divisa (é o parabrisa)
Logo, gosto do espanhol

(Maldita cultura do cultuar o cultural nacional, ó império do mal!)

Pierrot, Le Fou! Anarquia!
de rolê full anarquia!
Oh folia, tão eterno
que tudo mais vá pro inferno!

Desarmement!
Je chant quelle etoile rouge… En Passant!
amen!
Allons, enfants! Allons enfants!

Isso faz sentido?
sem tido no sofá
aquilo que me dá azar:
escrever entretido.
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Paraliso o sorriso no paraíso que viso

Graças a Deus que eu perco sempre o juízo
meu paraíso é a palavra paraíso, é lá
ô, pequena menina, via Láctea do riso

vai e fale que só vale ser, dance comigo!
vai e fale que só vale ser, dance comigo!
vai e fale que só vale ser, dance comigo!
vai e fale que só vale ser, dance comigo!

eu disso "iso"
no sorriso
eu tô no paraíso!

eu "iso" e "iso"
no sorriso
eu tô no paraíso!

Quando o mar virar sertão
nossa palavra será
tão humana como o pão

Tudo é interior
Tudo é interior
Tudo é interior
Tudo é interior

Tudo é sertão
Tudo é sertão
Tudo é sertão
Tudo é sertão

Não há motivo para festa, ora esta
fique você com a mente positiva
que eu quero é voz ativa:
ela é que é uma boa.

Mensagem: Eu sou Pessoa
a palavra pessoa hoje não soa bem
– "Fernando, pouco me importa!"


Paraliso o sorriso no paraíso que viso!
Paraliso o sorriso no paraíso que viso!

Nordeste é uma ficção, nordeste nunca houve!
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Rima da prosa do latim

"miserere mei, deus: secundum magnam misericordiam tuam

et secundum multitudinem miserationum tuarum, dele iniquitatem meam

benditus lava me ab iniquitate mea: et a peccato meo munda me

asperges me hysopo, et mundabor: lavabis me, et super nivem dealbabor"

Rapaz latino-americano, sujeito de sorte é
meu cordial brasileiro, sujeito, um sujeito não tem jeito
me conta quanto é contente e quente que mente
sorri sorridente de dentro pra fora, no leito
sulamericanamente!

Frente a essa gente indecente
que come, drome e consente

Dante, Gandhi Dandy
a estrela vermelha nem saiu do lugar
Falante, a gente mente na nossa mente
Alighieri, Assum Preto, sertão não virou mar
na nossa mente a gente mente 'agentemente'.

me perdoe eu não entrar numa boa e perder sempre a esportiva!
vida, viva-a, a viva.
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Romance pra Ana

Na Savana Africana, a dança da Ana, a cigana
O luar-luz no capim, o luar-nos enfim.
Lamento do hino de um marginal babuíno pra Ana
bem sucedido, um pouco perdido, no fim do marfim
(do branco de sua skin!)

José de Alencar, elenca a lista torta em prosa
como no romance que fiz pra Ana
senhora Iracema, Guimarães Rosa
Grande Sertão: Veredas! Sagarana!

(bis)
oh, amor, oh, iê iê iê iê iê iê
cantigas de trovador eletrônico:
que eu ganhei na matinê
no belo dia ao te conhecer. (2x)

O teu olho azul, tu'alma blue
como no mar de Malibu
De Honolulu, de Norte a Sul ela sai
minha querida madame Butterfly

Ana, gozo do efeito
os teus peitos no jeito
e eu pego e me deleito
e admiro o teu nenhum defeito.

ó, que cena obscena, não peça pedir
pedir por favor, nada de amor: attraction!
– because, i can't get no satisfaction!
sentir o ruir, do puro elixir, dos dizeres do porvir.
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Hipocrisia de minha voz revolucionária

Mamãe, quando eu crescer
eu quero ser rebelde
se conseguir licença do meu broto e do o do patrão
um Gandhi Dandy, um grande
milionário socialista
de carrão chego mais rápido à revolução

Mamãe, quando eu crescer
eu quero ser inteligente
se conseguir aval para escravidão
na década da decadência derradeira, derrotada
Che no peito e ouro no leito
com o iPhone tiro as fotos da revolução

Rapaz latino-americano livre
La mamma Africaribe

I'm extra cool!

Vejo-me só, a Mãe Vermelha do pessoal
juntei as economias
pra gastar só nos maus dias
e gasto hoje, afinal

E a moçada que faz de fato a festa
em cidade como esta
onde ser vermelho é imoral
conheço a Rússia, mas não conheço meu quintal

A culpa é tua
eu cantei todo esse mal

quando a fábrica apitou
e o trabalho terminou
todo mundo se mandou
sem desejos de voltar

como o mar não tá pra peixe
ah, mulata, não nega, teu cabelo
e aproveitando essa deixa
vem me viver, vem me ver
me comer, vem me dá
renascer, descansar,

resumindo, até logo eu vou indo
– "o que eu estou fazendo aqui?"
quero outro jogo
que este é fogo
de engolir!

El cóndor que pasa sobre los Andes
e abre as asas sobre nós
nas futuras das cidades grandes
eu quero abrir a minha voz

cantar como quem usa a mão
pra fazer um pão, colher alguma espiga
como quem diz no coração
meu bem, não penso em paz, que deixa a alma antiga
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Comentários (3)

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rebeca
2019-02-24

Gabriel, parabéns pelo poema. Abraços campônios.

manuela
manuela
2019-01-18

legal

nathanael
2019-01-13

Demais!