Lista de Poemas
Odores da maresia

O poente divagando numa onda itinerante
Adormece afogado num fulgurante silêncio saturado
Os odores da maresia carente e apaixonada colapsam
Além no doce marulhar da maré submissa e ovacionada
O mar dormitando no langor da solidão maciça desata
A escuridão algemada a cada luminescência ainda intacta
Recosta-se entrançada a todo este fascinado desejo arisco
Envaidece e seduz um breu felino, sedento e espantadiço
Frederico de Castro
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Fragrantemente

Fragrantemente o dia renova seus perfumes
Risonhos, castos e nada enfadonhos
Deixa mil gotículas de solidão a lacrimejar
Até excretar todos os silêncios mais medonhos
Fragrantemente cada sombra espreita pelo
Universo das emoções sempre tão fraternais
Anseia inquieta por todas aquelas caricias que
Estimuladas unificam e ingerem olhares mais intencionais
Fragrantemente na pacatez desta esperança tranquila
Cada ilusão pedinchona e irrequieta maquilha o tempo
Que se transviou numa hora vorazmente obsoleta
São mistérios da vida vadiando anonimamente discreta
Frederico de Castro
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Um dia de cada vez

Em cada preludio do tempo enfeita-se o dia
Com um aguaceiro de sorrisos insaciáveis
Unem-se todos os horizontes coincidentes onde
Com fervor se alimentam orações tão inescrutáveis
Um silêncio bizarro acoita-se entre as frestas
Desta solidão aparentemente inesgotável
Ali quase delira a fé encharcada por esta maresia
De emoções tão absolutamente inescrutáveis
Em degredo ficaram as emoções mais incogitáveis
Deixaram as memórias possuídas por uma ilusão inimitável
Secundaram a noite incógnita que fecunda, gerou toda
Esta esperança manuscrita num verso frenético e imutável
Frederico de Castro
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Ilusões intuitivas

A noite astutamente eclipsada por este breu magnânimo
Fecunda um insaciável silêncio esbelto e iludibriável
Une todos os cacos da solidão trivial, isométrica…vulnerável
Desenha no espaço toda esta côncava dimensão do luar
Fluindo, fluindo absurdamente inexorável
Frederico de Castro
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Infima parcela de tempo

Cabe numa ínfima parcela de tempo um
Eco devastador, entorpecente e arrebatador
Renasce na plenitude de um sonho sustentador
Fecunda um psicotrópico silêncio tão aglutinador
Nos céus imensos, brisas gigantes bramem destemidas
Enaltecem e perfumam a solidão dormitando no enclave
De tantas auroras boreais apaziguadas e ressarcidas
Onde cíclicas emoções se algemam pra sempre bem remidas
Frederico de Castro
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E subitamente...

E subitamente a manhã descerrou aquele
Silêncio que amarava ciclicamente ao longo
Da maresia sempre homogénea, tão espontânea
Feito o check in à solidão resta moldar cada hora
Imobilizada neste alegado eco que fenece extemporâneo
Ali confinado ao perímetro de cada afago tão cutâneo
E subitamente todas as alucinantes palavras mordiscam
A esperança que se entrelaça à fé mais extraordinária
Onde se tatua a alma com inigualáveis gargalhadas imaginárias
E subitamente cada sonho vadiando numa musculada brisa
Quase incinera minha oração prematura e insaciável
Escorregando pelo leito deste tempo indefeso e imutável
Frederico de Castro
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O corpo do silêncio

Em silêncio o corpo sonoriza uma
Emoção cantarolando tão emotiva
Toda a harmonia ali subtilmente
Reina fascinada, eufórica e selectiva
Duas notas orquestram agora um
Cântico sustenido num eco colectivo
Trinam as cordas pelos trastos da guitarra
Afinando e vibrando com cada tom apelativo
Frederico de Castro
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Sustentação

Nos céus imensos ecos ecléticos e gigantes
Sacolejam aquela hora quase dissuadida
Enaltecem cada ilusão que dormita no
Vácuo de um vazio restritivo…tão destemido
Além bem sustentada e acudida
Gravita a luz e o tempo suspendido em
Tantos segundos plenamente contundidos
São apenas lamentos inadvertidamente bem difundidos
Frederico de Castro
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Curto-circuito

No atrito de belas luminescências faísca
A escuridão remanescendo quase inesgotável
São curto-circuitos na noite que fenece inevitável
Inexoravelmente apaixonada a luz tempera
Esta solidão absurdamente insuportável
Deixando o silêncio maturar qual eco inimitável
Frederico de Castro
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Brisas virtuosas

As brisas virtuosas e elegantes afagam todo
Este demolidor silêncio malandro e empolgante
Perfumam os sonhos embevecidos por tantos
Sorrisos iluminados e verdadeiramente fragantes
Em movimentos sincronizados e sublimes o sol dança
Homogeneizado com a planície anónima e deslumbrante
Deixa a solidão sem pseudónimo a chorar rendida a cada
Oração inspiradora desta fé agora mais resplandecida
Frederico de Castro
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