Lista de Poemas
noite chove e venteia lá fora
até há pouco sentia toda a chuva
que caía como que em mim
nos dias actuais o recolhimento
é recompensa pelos trabalhos passados
penados
sob borrascas e intempéries frias
geralmente
mas sei que nada me garante
que não voltarei em breve
a sentir a pesada solidão
de caminhar à chuva
sem destino
que caía como que em mim
nos dias actuais o recolhimento
é recompensa pelos trabalhos passados
penados
sob borrascas e intempéries frias
geralmente
mas sei que nada me garante
que não voltarei em breve
a sentir a pesada solidão
de caminhar à chuva
sem destino
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A cidade sangra
A cidade à mercê dos elementos
E eu às voltas com pobres redondilhas,
Desgastam-se telhados pelos ventos
E as calçadas por muitas sapatilhas.
... e eu... pelo cimento
A pedra arremessada, vidro e aço,
Tudo fica mais pobre de frescura.
Espraia-se o tempo pelo espelho baço,
Ganha pó, ganha grão, ganha textura.
... e eu... deslizo lento.
As arestas suavizam-se modernas,
A vida já mágoa sem mais ajudas.
Nestes asfaltos vis cansam-se as pernas,
Nas faixas do bus caem histórias mudas.
... e eu... sou desatento.
E proliferam certas carripanas,
Carregam o turista a ver a vista.
Nem toda a gente gosta de bifanas,
Pregos, sopas ou teatro de revista.
... e eu... cá me contento.
Mas a cidade é feita cada dia
Pelo envelhecimento das pessoas.
Já a morte representa uma avaria
E os nascimentos são notícias boas.
... e eu... sem ligamento.
Edifícios e vias, animais, flora,
Verdades, suor, mentiras e mentiras,
O sangue da cidade é o Hoje - Agora -,
O tempo que envelhece. Cenas giras!
... e eu... sempre tormento.
Mas a cidade sangra a vida triste!
Vive no coração, quem é feliz,
São poucos, sua coragem lá resiste
Ao tempo, ao pó, à má e dura cerviz.
... e eu... sem batimento.
E a fibra de carbono, ferro e plástico
Circula como células vermelhas,
No pulsar de um pulmão doente e elástico,
No respirar asmático das telhas.
... e eu... descobrimento.
Quando chove, só chovem automóveis,
Assadrinham-se em latas nos vagões,
Pobres diabos só vêem seus telemóveis,
Marrecas as futuras gerações.
... e eu... já sonolento.
Dorme como um sonâmbulo a cidade
Comatosa de espasmos luminosos
E ninguém a conhece de verdade,
Nem os guias ou taxistas mais manhosos.
... e eu... sou talvez vento....
E eu às voltas com pobres redondilhas,
Desgastam-se telhados pelos ventos
E as calçadas por muitas sapatilhas.
... e eu... pelo cimento
A pedra arremessada, vidro e aço,
Tudo fica mais pobre de frescura.
Espraia-se o tempo pelo espelho baço,
Ganha pó, ganha grão, ganha textura.
... e eu... deslizo lento.
As arestas suavizam-se modernas,
A vida já mágoa sem mais ajudas.
Nestes asfaltos vis cansam-se as pernas,
Nas faixas do bus caem histórias mudas.
... e eu... sou desatento.
E proliferam certas carripanas,
Carregam o turista a ver a vista.
Nem toda a gente gosta de bifanas,
Pregos, sopas ou teatro de revista.
... e eu... cá me contento.
Mas a cidade é feita cada dia
Pelo envelhecimento das pessoas.
Já a morte representa uma avaria
E os nascimentos são notícias boas.
... e eu... sem ligamento.
Edifícios e vias, animais, flora,
Verdades, suor, mentiras e mentiras,
O sangue da cidade é o Hoje - Agora -,
O tempo que envelhece. Cenas giras!
... e eu... sempre tormento.
Mas a cidade sangra a vida triste!
Vive no coração, quem é feliz,
São poucos, sua coragem lá resiste
Ao tempo, ao pó, à má e dura cerviz.
... e eu... sem batimento.
E a fibra de carbono, ferro e plástico
Circula como células vermelhas,
No pulsar de um pulmão doente e elástico,
No respirar asmático das telhas.
... e eu... descobrimento.
Quando chove, só chovem automóveis,
Assadrinham-se em latas nos vagões,
Pobres diabos só vêem seus telemóveis,
Marrecas as futuras gerações.
... e eu... já sonolento.
Dorme como um sonâmbulo a cidade
Comatosa de espasmos luminosos
E ninguém a conhece de verdade,
Nem os guias ou taxistas mais manhosos.
... e eu... sou talvez vento....
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Sete horas
Sete horas da tarde deste Inverno,
sete são só as lojas que fecham,
sete tantos doutores vestem terno,
sete amores passam e me deixam.
Está escuro na luz amarela,
a vida vem da caixa do dinheiro,
a calmaria já desce esta viela
que antes foi das formigas um carreiro.
Por detrás desse prédio, nada sei.
Por detrás de um escuro vidro quente,
escuro quente vidro, nada olhei,
um quente escuro vidro que me mente.
Quem acaba o trabalho agora sai,
quem na rua passa dele agora vem.
Quem no prédio entra só cansado vai.
Quem sou eu ! Nem sair nem entrar também
É triste as sete horas desta rua.
Vaidosas portas às sete fechadas
pondo decentemente e pura nua
a estrada onde há sóbrias fachadas.
Sem nada melhor p’ra fazer, ‘stou só,
sentado na cadeira e solidão
vejo a vida girando numa mó
onde sai só pó do meu coração.
Nesta rua tudo passa, só eu não.
Mas sou só eu a olhar e a rever nela
que eu queria estar nessa situação
de ser visto na rua pela janela.
sete são só as lojas que fecham,
sete tantos doutores vestem terno,
sete amores passam e me deixam.
Está escuro na luz amarela,
a vida vem da caixa do dinheiro,
a calmaria já desce esta viela
que antes foi das formigas um carreiro.
Por detrás desse prédio, nada sei.
Por detrás de um escuro vidro quente,
escuro quente vidro, nada olhei,
um quente escuro vidro que me mente.
Quem acaba o trabalho agora sai,
quem na rua passa dele agora vem.
Quem no prédio entra só cansado vai.
Quem sou eu ! Nem sair nem entrar também
É triste as sete horas desta rua.
Vaidosas portas às sete fechadas
pondo decentemente e pura nua
a estrada onde há sóbrias fachadas.
Sem nada melhor p’ra fazer, ‘stou só,
sentado na cadeira e solidão
vejo a vida girando numa mó
onde sai só pó do meu coração.
Nesta rua tudo passa, só eu não.
Mas sou só eu a olhar e a rever nela
que eu queria estar nessa situação
de ser visto na rua pela janela.
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Tentativa com arestas
Desejo ser diferente,
ter um outro sentimento,
ser mais calmo e mais contente,
inteiro a todo momento.
Fluência tem que ser treinada,
não há obras instantâneas.
É uma guerra instalada
contra as pausas momentâneas.
Como é difícil, meu Deus,
fazer uma quadra boa,
mas se às normas digo adeus,
nada digo e vogo à toa.
ter um outro sentimento,
ser mais calmo e mais contente,
inteiro a todo momento.
Fluência tem que ser treinada,
não há obras instantâneas.
É uma guerra instalada
contra as pausas momentâneas.
Como é difícil, meu Deus,
fazer uma quadra boa,
mas se às normas digo adeus,
nada digo e vogo à toa.
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