Lista de Poemas
CAIO
Caio
Caiu
Sempre caio
Caiu sempre
Cair é vida
Só se aprende com os tombos
São tantos que,
talvez eu seja a mais sábia
Mentira,
nem Sócrates sabia de tudo
Só sei que não sei
Caio uma, Caio sem duas
Caio
Cair é a sina
Só sei que sigo
Caio
Mas sigo
Caio não é você
Caio em mim
Só sei que sigo
Não sei se vou cair
Caiu
Sempre caio
Caiu sempre
Cair é vida
Só se aprende com os tombos
São tantos que,
talvez eu seja a mais sábia
Mentira,
nem Sócrates sabia de tudo
Só sei que não sei
Caio uma, Caio sem duas
Caio
Cair é a sina
Só sei que sigo
Caio
Mas sigo
Caio não é você
Caio em mim
Só sei que sigo
Não sei se vou cair
👁️ 85
NECESSITO DE SAUDADE
Amor é construção
Paixão é impulso
Amor tem saudade
Paixão tem necessidade
Saudade de necessidade
Necessito de saudade
Perambulando pelos caminhos
Dizatinos
Só, solidão
Não há mais saudade dentro de mim
A necessidade se esvairiu
São tantas dores da saudade
Que a necessidade se partiu
Se foi saudade
Acabou necessidade
Mas... eu quero mais
Não acabou, é só uma tempestade
sem necessidade tem saudade
Saudade
Necessito, mas você não está aqui
Paixão é impulso
Amor tem saudade
Paixão tem necessidade
Saudade de necessidade
Necessito de saudade
Perambulando pelos caminhos
Dizatinos
Só, solidão
Não há mais saudade dentro de mim
A necessidade se esvairiu
São tantas dores da saudade
Que a necessidade se partiu
Se foi saudade
Acabou necessidade
Mas... eu quero mais
Não acabou, é só uma tempestade
sem necessidade tem saudade
Saudade
Necessito, mas você não está aqui
👁️ 119
Me despedi de você, pra me despedir de parte de mim que prefere você
Me sinto triste por isso
Mas já estava triste antes disso
Te bloqueei e apaguei seu número
Não quero mais falar de você
Não quero mais falar com você
Decidi me escolher e me acolher
Eu não vou ficar sofrendo por quem não me quer
Sofrendo por quem não me quer
Eu não vou sofrer por quem não me quer
Você só me consome
Só me consome, como um prato de comida
Depois de comer, descansa
Cansa e se vai
Eu não sou um prato de comida
Eu sou gostosa, mas não sou só gostosa
Eu exclui seu numero, pra não haver recaída
Eu preciso me valorizar
Eu não quero migalhas
Quem chora depois sou eu
Que cuida e não é cuidada
Que dar amor e não recebe
Eu já chorei por você
Eu chorei por ter você aqui e não ter
Te ter ao meu lado e você não estar
Aqui, comigo, por completo
Eu já chorei ao saber que não era a primeira opção
"Tudo bem" eu falei
Enquanto eu estava chorando
Por mais uma vez, mais uma desilusão
Eu não fui a primeira opção
Decidi hoje me escolher
Preciso aprender a me valorizar
Meu grande senso de empatia, às vezes me sabota
Eu dou demais de mim, e não exijo nada em troca
As vezes eu espero a troca, naturalmente
Mas não está havendo troca
'enquanto eu te tirei da bad, aumentei sua auto-estima'
Eu estava aqui sozinha
Ainda estou
Preciso estar bem sozinha
Eu te bloqueei por que te odeio
Mas na verdade
Queria dizer que te amo
Mas já estava triste antes disso
Te bloqueei e apaguei seu número
Não quero mais falar de você
Não quero mais falar com você
Decidi me escolher e me acolher
Eu não vou ficar sofrendo por quem não me quer
Sofrendo por quem não me quer
Eu não vou sofrer por quem não me quer
Você só me consome
Só me consome, como um prato de comida
Depois de comer, descansa
Cansa e se vai
Eu não sou um prato de comida
Eu sou gostosa, mas não sou só gostosa
Eu exclui seu numero, pra não haver recaída
Eu preciso me valorizar
Eu não quero migalhas
Quem chora depois sou eu
Que cuida e não é cuidada
Que dar amor e não recebe
Eu já chorei por você
Eu chorei por ter você aqui e não ter
Te ter ao meu lado e você não estar
Aqui, comigo, por completo
Eu já chorei ao saber que não era a primeira opção
"Tudo bem" eu falei
Enquanto eu estava chorando
Por mais uma vez, mais uma desilusão
Eu não fui a primeira opção
Decidi hoje me escolher
Preciso aprender a me valorizar
Meu grande senso de empatia, às vezes me sabota
Eu dou demais de mim, e não exijo nada em troca
As vezes eu espero a troca, naturalmente
Mas não está havendo troca
'enquanto eu te tirei da bad, aumentei sua auto-estima'
Eu estava aqui sozinha
Ainda estou
Preciso estar bem sozinha
Eu te bloqueei por que te odeio
Mas na verdade
Queria dizer que te amo
👁️ 31
TE ODEIO
seu cheiro ainda tá aqui
a lembrança ainda fresca
aquela vontade
_______ eu te odeio!!!
e penso penso penso
em você
como faz pra desligar o sentimento?
se alguém tiver método
por favor, s.o.s
a lembrança ainda fresca
aquela vontade
_______ eu te odeio!!!
e penso penso penso
em você
como faz pra desligar o sentimento?
se alguém tiver método
por favor, s.o.s
👁️ 961
QUEM AMA AS TRAVA?
Eu queria falar de amor
Dizer que te amo
Queria dizer que te amo
Mas não existe amor
Amor é contexto, reciprocidade
Queria dizer que te amo
Mais que dizer, queria te dar amor
Receber amor
Fazer amor
Me realizar
Te realizar
Mas não teve amor
Eu não posso amar só
Mesmo vendo a possibilidade do amor
A intensidade da troca
Da nossa troca
Eu não posso amar só
Não há amor só
Isso é só dor
Não há amor
Não há amor pra mim
Qualquer esperança morre
Como sina
Se repete
A dor
Sem amor
E euSó queria amor
Dizer que te amo
Queria dizer que te amo
Mas não existe amor
Amor é contexto, reciprocidade
Queria dizer que te amo
Mais que dizer, queria te dar amor
Receber amor
Fazer amor
Me realizar
Te realizar
Mas não teve amor
Eu não posso amar só
Mesmo vendo a possibilidade do amor
A intensidade da troca
Da nossa troca
Eu não posso amar só
Não há amor só
Isso é só dor
Não há amor
Não há amor pra mim
Qualquer esperança morre
Como sina
Se repete
A dor
Sem amor
E euSó queria amor
👁️ 26
O DIA QUE EU QUASE MORRI POR GEMER ALTO
Foi gostoso, o boy me deixava louca
a ponto de perder o limite
e gemer bem alto
Gemia tão alto que se tornava gritos
frenético,
uma foda alucinante
que me fazia ficar maluca
O boy sabia fazer
empurrava com força
um beijo gostoso
que me deixava louca
Eu gemia, e gemia
o boy não cansava
não para, sem parar
Até incomodar os vizinhos com essa foda
extraordinária
uma batida no teto
eu até pedi desculpa, desculpa se minha foda te encomoda
e voltava
Dessa vez o gemido era mais brando
vamos pra cozinha pra ver se não incomoda
me bota no paredão e mete bronca
me joga na mesa e me faz de puta
Pá, pá, pá
a mesa fazendo barulho na parede
não para, não para
empurra sem parar
A vizinha grita, olha as horas
eu digo, hoje é sábado, não posso transar?
Acho que não, minha foda incomoda
Pá, pá, pá
dessa vez é a porta
eu já tava no chuveiro
já tinha parado
Dessa vez eu grito e não gemo
já paramos, desculpa, tô no banho
já paramos
Pá, pá, pá
desculpa gente, parei
eu estou no banho
Um voz de homem, atrás da porta
abre aqui, quero conversar
eu na inocência abro uma fresta
vejo que não são os vizinhos, mas um homem com uma camisa no rosto
Fecho de imediato,
ele não conseguiu empurrar
vai embora, já paramos
insisto em dispensar
Meu medo era ser estuprada
sei lá, vai que eles querem calar minha boca
por gemer demais
Ele insiste atrás da porta,
abre, você sabe quem é?
É claro que eu não sabia,
mas encapuzado não é sinal bom
eu puxo a faca de imediato
O boy com medo, diz que ele é de boa
insiste que acabamos
e diz que foi mal
Eu vejo o desespero em seus olhos
meu deus, isso nunca tinha acontecido
“saudade da melhor época do vila floresta <3”
Abre a porta se não eu arrombo
os caras atrás da porta insiste
eu ciente que se abrir a cobra vai fumar pro meu lado
meu medo era ser estuprada
Eu digo, não!
a casa é minha, desculpa pelo inconveniente
é minha segurança não vou abrir
Ele, se eu quiser te dar um tiro já tinha dado
abre a porta
antes que piore
De repente, uma arma na janela
nem era possível alguém lá
abre a porta se não é bala
Eu logo penso, fudeu
jogo a faca na parede
que fica atrás da porta, quando se abre
O boy nervoso, tenta abrir a porta
não consegue, de nervoso
a porta abre o contrário
Eu abro a porta
o boy leva um chute
eu fico ao lado da porta
Vai vai, afasta
dois homens enormes entram na minha casa
traficantes, um retinto e o outro não
Eu fico parada na porta
ainda imóvel
o que vai acontecer?
Vai, vai, afasta
o boy vai pro canto da parede
eu fico em frente da mesa
Eles vem no esculacho
diz que não vai atirar e guarda a arma na cintura
eles dizem que eu sou maluca por acordar todo mundo assim
Eu peço desculpa novamente, digo que isso não vai mais acontecer
um esculacho enorme, diz que atira por menos
eu fixa, estática, apenas de toalha, com o celular no peito
Logo notam, e pergunta se estamos gravando
eu digo que não, eles verificam
o esculacho foi maior, porque eu disse na porta
vou chamar a polícia, na favela a regra é não envolver polícia
Ele me chama de louca
diz que se eu chamar a polícia, eles me jogam da minha janela
eu pergunto se eles querem que eu vá embora
O boy diz pra eu calar a boca
eu insisto e digo, se você quiser eu vou embora mês que vem
ele pega e me empurra,
eu saquei que tinha que calar a boca
Vejo ali que algo pode acontecer
não tiro os meus olhos do olhos dilatado dele
digo, eu estava tentando me defender, não chamei ninguém
Ele pergunta, se eu sei quem ele é
eu digo que não,
ele pergunta da onde sou, logo penso, vou me fuder mais
Estudo na UFBA, faço arquitetura, sou de São Paulo
grande São Paulo, Barueri
estou aqui estudando
Ele pergunta de onde é o boy
desconfia, o boy diz que é daqui
conhece os caras e os caras o conhece
O traficante saca seu Iphone X
tira foto do boy
e pergunta na rede
Por sorte, o boy era conhecido
diz que seu primo é um dos gerentes
isso talvez fez toda diferença
Ele diz que isso não é pra fazer aqui
não tem problema um comer o cu do outro
mas fala pro boy calar minha boca com o pano
Eu nada digo
peço desculpa novamente
e digo que o boy vai embora
Os traficantes diz que não precisa
que ele pode dormir aqui
e que é pra não fazer barulho
De repente saem
Pedem desculpa pelo ocorrido
e vão embora
Eu fico de cara, fecho a porta em seguida
o boy tá tremendo
eu ainda cheia de ódio
Hoje é sábado
sou tranquila a semana toda
precisa disso?
O boy senta, dá pra ver o desespero em seus olhos
eu me sinto extremamente culpada pelo ocorrido
isso nunca tinha acontecido
Toma uma água,
ele diz que eu sou muito afrontosa
não se pode peitar traficante
Eu digo que não peitei
apenas, me coloquei
a casa é minha e não precisava daquela cena
Quase morri
No final, conversamos um pouco
tentei distrair sua mente
o clima tava trexi
Eu dei uma massagem nele
ele se acalmou mais
conversamos mais um pouco
Ninguém morreu
ninguém gozou
ninguém mais gemeu
O boy foi embora
eu fiquei aqui
escrevendo esse texto
03:30 da manhã
a ponto de perder o limite
e gemer bem alto
Gemia tão alto que se tornava gritos
frenético,
uma foda alucinante
que me fazia ficar maluca
O boy sabia fazer
empurrava com força
um beijo gostoso
que me deixava louca
Eu gemia, e gemia
o boy não cansava
não para, sem parar
Até incomodar os vizinhos com essa foda
extraordinária
uma batida no teto
eu até pedi desculpa, desculpa se minha foda te encomoda
e voltava
Dessa vez o gemido era mais brando
vamos pra cozinha pra ver se não incomoda
me bota no paredão e mete bronca
me joga na mesa e me faz de puta
Pá, pá, pá
a mesa fazendo barulho na parede
não para, não para
empurra sem parar
A vizinha grita, olha as horas
eu digo, hoje é sábado, não posso transar?
Acho que não, minha foda incomoda
Pá, pá, pá
dessa vez é a porta
eu já tava no chuveiro
já tinha parado
Dessa vez eu grito e não gemo
já paramos, desculpa, tô no banho
já paramos
Pá, pá, pá
desculpa gente, parei
eu estou no banho
Um voz de homem, atrás da porta
abre aqui, quero conversar
eu na inocência abro uma fresta
vejo que não são os vizinhos, mas um homem com uma camisa no rosto
Fecho de imediato,
ele não conseguiu empurrar
vai embora, já paramos
insisto em dispensar
Meu medo era ser estuprada
sei lá, vai que eles querem calar minha boca
por gemer demais
Ele insiste atrás da porta,
abre, você sabe quem é?
É claro que eu não sabia,
mas encapuzado não é sinal bom
eu puxo a faca de imediato
O boy com medo, diz que ele é de boa
insiste que acabamos
e diz que foi mal
Eu vejo o desespero em seus olhos
meu deus, isso nunca tinha acontecido
“saudade da melhor época do vila floresta <3”
Abre a porta se não eu arrombo
os caras atrás da porta insiste
eu ciente que se abrir a cobra vai fumar pro meu lado
meu medo era ser estuprada
Eu digo, não!
a casa é minha, desculpa pelo inconveniente
é minha segurança não vou abrir
Ele, se eu quiser te dar um tiro já tinha dado
abre a porta
antes que piore
De repente, uma arma na janela
nem era possível alguém lá
abre a porta se não é bala
Eu logo penso, fudeu
jogo a faca na parede
que fica atrás da porta, quando se abre
O boy nervoso, tenta abrir a porta
não consegue, de nervoso
a porta abre o contrário
Eu abro a porta
o boy leva um chute
eu fico ao lado da porta
Vai vai, afasta
dois homens enormes entram na minha casa
traficantes, um retinto e o outro não
Eu fico parada na porta
ainda imóvel
o que vai acontecer?
Vai, vai, afasta
o boy vai pro canto da parede
eu fico em frente da mesa
Eles vem no esculacho
diz que não vai atirar e guarda a arma na cintura
eles dizem que eu sou maluca por acordar todo mundo assim
Eu peço desculpa novamente, digo que isso não vai mais acontecer
um esculacho enorme, diz que atira por menos
eu fixa, estática, apenas de toalha, com o celular no peito
Logo notam, e pergunta se estamos gravando
eu digo que não, eles verificam
o esculacho foi maior, porque eu disse na porta
vou chamar a polícia, na favela a regra é não envolver polícia
Ele me chama de louca
diz que se eu chamar a polícia, eles me jogam da minha janela
eu pergunto se eles querem que eu vá embora
O boy diz pra eu calar a boca
eu insisto e digo, se você quiser eu vou embora mês que vem
ele pega e me empurra,
eu saquei que tinha que calar a boca
Vejo ali que algo pode acontecer
não tiro os meus olhos do olhos dilatado dele
digo, eu estava tentando me defender, não chamei ninguém
Ele pergunta, se eu sei quem ele é
eu digo que não,
ele pergunta da onde sou, logo penso, vou me fuder mais
Estudo na UFBA, faço arquitetura, sou de São Paulo
grande São Paulo, Barueri
estou aqui estudando
Ele pergunta de onde é o boy
desconfia, o boy diz que é daqui
conhece os caras e os caras o conhece
O traficante saca seu Iphone X
tira foto do boy
e pergunta na rede
Por sorte, o boy era conhecido
diz que seu primo é um dos gerentes
isso talvez fez toda diferença
Ele diz que isso não é pra fazer aqui
não tem problema um comer o cu do outro
mas fala pro boy calar minha boca com o pano
Eu nada digo
peço desculpa novamente
e digo que o boy vai embora
Os traficantes diz que não precisa
que ele pode dormir aqui
e que é pra não fazer barulho
De repente saem
Pedem desculpa pelo ocorrido
e vão embora
Eu fico de cara, fecho a porta em seguida
o boy tá tremendo
eu ainda cheia de ódio
Hoje é sábado
sou tranquila a semana toda
precisa disso?
O boy senta, dá pra ver o desespero em seus olhos
eu me sinto extremamente culpada pelo ocorrido
isso nunca tinha acontecido
Toma uma água,
ele diz que eu sou muito afrontosa
não se pode peitar traficante
Eu digo que não peitei
apenas, me coloquei
a casa é minha e não precisava daquela cena
Quase morri
No final, conversamos um pouco
tentei distrair sua mente
o clima tava trexi
Eu dei uma massagem nele
ele se acalmou mais
conversamos mais um pouco
Ninguém morreu
ninguém gozou
ninguém mais gemeu
O boy foi embora
eu fiquei aqui
escrevendo esse texto
03:30 da manhã
👁️ 141
TEM QUE TER SAÍDA
toda dor deve ser curada
todo machucado deve ser cicatrizado
tada perda deve ser superada
não há saída, se não a cura
todo machucado deve ser cicatrizado
tada perda deve ser superada
não há saída, se não a cura
👁️ 83
Estava lá
Foi um sonho, foi um sonho, só um sonho
Mas me afeta
Eu não te vi, não te vi
Eu estava lá, só eu
Eu estava naquela casa
A casa guarda memórias e eu estava vivendo elas
De novo, de novo
Eu estava lá
Acordei na sua cama
Eu estava lá
Acordei sozinha
Eu estava lá
Fumei o seu haxixi
Você não estava lá
Eu estava e era muito real
Como se você estivesse viajando
Eu estava lá, como se estivesse
A Ramona e a Pequenininha estavam também
Memórias da casa
Do cheiro da casa
Estar na casa
Andar por ela
Acordar na bagunça
Eu estava lá, como se estivesse
As cachorras fugiram
Você não estava lá
Eu tinha acabado de acordar, no sonho, ainda sonhando
Estava lá só
Separei o beck pra fumar
Fui lá fora ver o barulho das cachorras
Elas tinham saído de casa, sem conseguir entrar
Portão meio aberto, encostado
Você não estava lá
Chamei elas, Ramona vem
Vem Pequenininha, elas entraram
Você não estava lá
Quem tinha aberto o portão?
Pequeninha foi pro quintal aos fundos
Tava estranha
Começou a pular na parede
Estava pulando em um cara, ele estava lá
No susto, acordei num supeto
Susto, eu não estava lá
Nem você está
Acordei, acordei
Como se estivesse dormindo, por que me afeta?
Mais de um ano sem te ver, sem você, sem nós
Eu não consigo entender
Não estamos mais lá
Mas me afeta
Eu não te vi, não te vi
Eu estava lá, só eu
Eu estava naquela casa
A casa guarda memórias e eu estava vivendo elas
De novo, de novo
Eu estava lá
Acordei na sua cama
Eu estava lá
Acordei sozinha
Eu estava lá
Fumei o seu haxixi
Você não estava lá
Eu estava e era muito real
Como se você estivesse viajando
Eu estava lá, como se estivesse
A Ramona e a Pequenininha estavam também
Memórias da casa
Do cheiro da casa
Estar na casa
Andar por ela
Acordar na bagunça
Eu estava lá, como se estivesse
As cachorras fugiram
Você não estava lá
Eu tinha acabado de acordar, no sonho, ainda sonhando
Estava lá só
Separei o beck pra fumar
Fui lá fora ver o barulho das cachorras
Elas tinham saído de casa, sem conseguir entrar
Portão meio aberto, encostado
Você não estava lá
Chamei elas, Ramona vem
Vem Pequenininha, elas entraram
Você não estava lá
Quem tinha aberto o portão?
Pequeninha foi pro quintal aos fundos
Tava estranha
Começou a pular na parede
Estava pulando em um cara, ele estava lá
No susto, acordei num supeto
Susto, eu não estava lá
Nem você está
Acordei, acordei
Como se estivesse dormindo, por que me afeta?
Mais de um ano sem te ver, sem você, sem nós
Eu não consigo entender
Não estamos mais lá
👁️ 120
INVEJA MATA!
Descobri que é inveja
Todo ódio
Descobri que é inveja o ódio sobre meu corpo
Toda tentativa de morte
Exclusão
Diminuição
Repulsão
Dominação
Agressão
Hiperssexualização
Desvalorização
Tudo isso é inveja
Pois, estou sendo eu
Ser eu
Ser livre
Ser autêntica
Inveja da liberdade
Inveja de ser
Inveja de ter
Inveja
Eu e meu cunhado
Dia qualquer
Outro perfeito como tal
De brisa
Descobrimos que tudo isso é inveja
Discutimos, remoemos
A ganjah expande
Discutimos mais e mais
Analisamos todos ataques que sofremos
Ele por ser maloca
Eu por ser desviante
Compartilhamos ganjah e afeto
Choramos, ele chorou, sem questão
Ele me conhece, eu o conheço
Confiamos e respeitamos
Sabemos das nossas potencialidades
Queremos viver!
Compartilhamos a marginalização
Isso nos fez refletir, por que da não aceitação?
Quem deve aceitar? Alguém pediu alguma opinião?
Compartilhamos o mesmo espaço
Refletimos sobre ataques
Por que isso desses crentes? Por que nos atacam?
Só porque somos diferentes? Ou
Por que você não tem coragem de ser você de verdade?
Vocês são verdadeiros consigo mesmo?
Vocês respeitam suas verdades?
Vocês compreendem seus sentimentos e vontades?
Alienação, a questão
Vocês têm vontade?
Pega esse beck, expande
Pega um livro de filosofia e sociologia, expande
Pega um dia e faça diferente, de todos os outros
Expande!
Não carregue essa inveja
Inveja mata!
Todo ódio
Descobri que é inveja o ódio sobre meu corpo
Toda tentativa de morte
Exclusão
Diminuição
Repulsão
Dominação
Agressão
Hiperssexualização
Desvalorização
Tudo isso é inveja
Pois, estou sendo eu
Ser eu
Ser livre
Ser autêntica
Inveja da liberdade
Inveja de ser
Inveja de ter
Inveja
Eu e meu cunhado
Dia qualquer
Outro perfeito como tal
De brisa
Descobrimos que tudo isso é inveja
Discutimos, remoemos
A ganjah expande
Discutimos mais e mais
Analisamos todos ataques que sofremos
Ele por ser maloca
Eu por ser desviante
Compartilhamos ganjah e afeto
Choramos, ele chorou, sem questão
Ele me conhece, eu o conheço
Confiamos e respeitamos
Sabemos das nossas potencialidades
Queremos viver!
Compartilhamos a marginalização
Isso nos fez refletir, por que da não aceitação?
Quem deve aceitar? Alguém pediu alguma opinião?
Compartilhamos o mesmo espaço
Refletimos sobre ataques
Por que isso desses crentes? Por que nos atacam?
Só porque somos diferentes? Ou
Por que você não tem coragem de ser você de verdade?
Vocês são verdadeiros consigo mesmo?
Vocês respeitam suas verdades?
Vocês compreendem seus sentimentos e vontades?
Alienação, a questão
Vocês têm vontade?
Pega esse beck, expande
Pega um livro de filosofia e sociologia, expande
Pega um dia e faça diferente, de todos os outros
Expande!
Não carregue essa inveja
Inveja mata!
👁️ 65
FACE ABUSADORA
Me sentindo estranha, eu que me sinto estranha e incomodada após revelar o abuso que sofri, dentro da casa que eu chamava de minha, que foi me dado como minha e me fez tão mal. Eu que estou me sentindo mal com a abusadora aqui do lado, me sinto jogada, não pertencente a esse lugar, com vontade de correr, fugir pra nunca mais voltar.
Quem me abusou dorme ao lado, não é homem. Quem me abusou acha que eu tinha esquecido e dorme tranquilo, como se nada importasse. Como uma doença na memória que invalida e apaga, não vou naturalizar apagamento ou naturalizar abuso, ela é um monstro para além desse abuso que findou aparecer agora, me sinto perdida para lidar com essa situação, pensei que algo iria mudar depois disso. Sabe quando você está num jogo de guerra, e sente que conseguiu atacar seu adversário, mas ele não tem alma, nenhum ataque mais o afeta, me sinto no esmo, não cheguei lá.
Quem me abusou vive do fracasso, nada na vida deu certo. Vive da miséria sugando da mãe de 56 anos empregada doméstica que, conseguiu a trancos e barrancos conquistar sua casa, sua liberdade, sua independência, suga do irmão de 18 anos que está iniciando a vida agora e o que mais precisa é de referência para ser guiado na vida adulta, de responsabilidade. Vive como um parasita, um carrapato, num lugar onde ninguém mais quer, ou nunca quis.
Quem me abusou não sabe o que é amor, tentou, mas fracassou, pois só o ódio impera em todas as gerações que vieram e findam de ir em sua vida, não sabe a diferença entre comunicação e deboche, não sabe conversar, nem sociabilizar. Quem me abusou, parece que vive o próprio inferno, o problema é que torna a vida de outrem em um inferno igual.
Revelei, como uma lembrança que nunca deveria ser revelada, mas a sujeira debaixo do tapete incomoda demais, aprendi com a minha mãe a nunca viver na sujeira, a sujeira se espalhou, o ventilador ajudou no estrago, esqueci de sair da frente do ventilador, a sujeira caiu em mim também. Mas tudo bem, nada que uma limpeza não resolva, o que eu preciso é saber como limpar tudo isso, como desinfectar essa casa das pragas impregnadas, como limpar meu corpo dessas dores, como fazer todes entender que abuso é um problema, como retirar a merda por toda parede, preciso aprender. Estou procurando respostas e caminhos, isso não pode mais continuar.
A merda foi feita, e tá longe de um simples pedido de perdão, resolver qualquer uma dessas questões, é necessário ação! Já foi, a merda foi jogada no ventilador, espalhou por todo lugar, está fedendo, eu não quero mais ficar embaixo dessa nuvem pesada de tristeza e infelicidade, não quero que minha mãe e meu irmão fiquem embaixo dessa sujeira também, preciso encontrar um jeito de tirar essa merda toda.
Não bastou falar do abuso para minha mãe, eu não sei se ela me escultou, quando falei, a reação dela não foi boa, foi como um inacreditável, não acreditou, sua reação atrás do celular, numa vídeo chamada interestadual, foi chamar a abusadora para em frente a tela, no esmo, sem chegar lá, desliguei pra me proteger, nada se falou desde então, nada, silêncio, o silêncio é conivente. Decidi depois de meses longe da família, longe da mãe, me reaproximar, por que sempre são as vítimas que perdem sua casa? Decidi reivindicar, mas descobri que não sou forte o suficiente, olhar para a cara da sua abusadora, depois de tudo revelado, me mostrou que eu sou frágil e que devo assim, me fortalecer, ser minha própria fortaleza, aprender assim a viver só. Eu não vou naturalizar abuso, o silencio é conivente.
Olhei todos os problemas em volta desse inferno que se foi criado, minha mãe está sendo abusada, meu irmão está sendo abusado, a abusadora está vivendo na esbornia, não tem amigos, não tem felicidade, mas fica em casa materializando as conquistas desses abusos em seu corpo, com dores, gorduras e infelicidade, não há nenhum problema em ser gordo, mas ela me dá nojo, nojo em ver todos os abusos crescerem em seu corpo e a abusadora sair plena, e nada acontecer com ela, nada! Continua no trono, abusando psicologicamente, economicamente e motivacionalmente outrem que moram aqui, como pode deitar sua cabeça a noite e dormir sossegada depois de tantos abusos.
Questiono a abusadora, sobre todos os abusos, como pode ver a mãe trabalhar, ainda no mesmo emprego de anos, sabendo das dificuldades que tem por não ter escolaridade e ver a garra que a mãe tem por ter feito nós chegarmos até lá, nos formar para termos uma vida melhor. Como pode ver a mãe trabalhar, se expor em uma quarentena, com um vírus mortal para seu corpo, que é grupo de risco, como pode não se esforçar para colocar “frutas" na mesa de casa, como pode ficar tão bem vendo que a mãe continua a lutar? Questionei, e fui pega de surpresa, ela não liga, acho que nem me escutou, nesse momento estava tentando, com toda calma, segurando todas as dores que me causou, na tentativa de fazer com que tivesse uma epifania, despertasse desse abuso toda que a cerca, e nada!
Questiono mais uma vez, na tentativa de ver alguma mudança, o que você conquistou em seus 30 anos de vida? Você não paga aluguel e não há nenhum problema em morar com a mãe, mas qual a dificuldade de manter uma casa sem transformar isso em um grande problema, por que desses abusos todos, por que dá manutenção desses abusos todos?
O problema era o pai alcoólatra? Ele saiu. Hoje tá bem, apesar de não procurar mais os filhos para saber se tá bem, mas saiu porque era um problema, gerou um problema enorme que explodiu, ele saiu, ele se casou, posso ver sorriso em seu rosto, vi que sofreu igual, não entendíamos todo sofrimento, não havia cumplicidade, hoje fico feliz que ele está bem, ele saiu.
O problema era eu, a bicha que agora é travesti, a “sodomita”, a perdida? Eu saí. Saí de casa porque a abusadora me humilhava, quando eu mais estava fragilizada, saí em busca de paz pro meu corpo, pra minha mente e pro meu coração, fui pra Salvador, estou lá, é minha casa, cheguei na universidade federal como forma de ascender e mudar a narrativa falida da minha família que sofreu com tantos abusos coloniais e finda sofre com abusos internos, dentro da própria casa, saí do ninho para buscar uma vida melhor, minha ajuda por hora para a minha mãe é não ser mais uma boca para ela sustentar, enquanto eu não conseguir retornar todo apoio que ela me deu.
Mesmo com tudo isso transformado, mudado. Nada mudou, a casa não melhorou, minha mãe continua a trabalhar, a abusadora continua mal humorada, com a cara fechada, penando na infelicidade, reflete nos sobrinhos os problemas agora, fala que o barulho deles é um problema, não consegue ver a felicidade que é uma casa com crianças e a vida que se tem. Acho que ela não gosta de vida. Continua com as mesmas reclamações, enche de placas a casa toda, com frases que não te faz refletir, mas te faz mal, faz isso porque é a única forma de se sentir pertencente e por não saber se comunicar. A infelicidade impera.
Eu estou aqui, mas não queria estar.
Cheguei em dezembro, afim de passar um mês com a mãe, na parceria com o irmão e minha irmã favorita, dus sobrinhes e cunhado, na parceria e consegui, me reestabeleci com todes, acabei ficando mais do que o planejado, continuo aqui e acabo não me sentindo tão bem. Tinha me programado para ter essa conversa só no final da minha estadia, mas acabou acontecendo já, numa tentativa de diálogo para mudar a situação, disse que a atitude dela não estava boa, ela não me escutou, eu disse que ela estava vivendo dos abusos e não estava fazendo bem para nossa família, nada, disse que ela só sabe abusar e que me abusou na infância sexualmente, ela nada disse, ficou me olhando, eu disse que não tinha esquecido, apesar de ter tentado por muito tempo e até pensar que tinha esquecido, me lembrando, na tentativa de ficar bem comigo mesma e na convivência “harmoniosa” com a abusadora, revelei que eu não esqueci e que ela só abusava, não consegue ver quanto abuso você faz? Fazendo mal todes ao seu redor, usando a palavra Deus, como forma de invalidar toda a responsabilidade para os problemas que gera, como pode dizer que segue Deus, sendo que faz tudo ao contrário à sua ideologia, atacando a própria família, vivendo na própria merda a fim de nos aborrecer, como pode viver assim?
Acredito que dores devem ser curadas, procurando os problemas que a geram na tentativa de resolve-las. Acredito que mudanças são necessárias na tentativa de crescermos. Acredito que abusos não podem ser naturalizadas, porque ela fede e ficamos podre com ela dentro de nós, não podemos naturalizar os abusos.
Eu estou aqui e quero continuar.
Quem me abusou dorme ao lado, não é homem. Quem me abusou acha que eu tinha esquecido e dorme tranquilo, como se nada importasse. Como uma doença na memória que invalida e apaga, não vou naturalizar apagamento ou naturalizar abuso, ela é um monstro para além desse abuso que findou aparecer agora, me sinto perdida para lidar com essa situação, pensei que algo iria mudar depois disso. Sabe quando você está num jogo de guerra, e sente que conseguiu atacar seu adversário, mas ele não tem alma, nenhum ataque mais o afeta, me sinto no esmo, não cheguei lá.
Quem me abusou vive do fracasso, nada na vida deu certo. Vive da miséria sugando da mãe de 56 anos empregada doméstica que, conseguiu a trancos e barrancos conquistar sua casa, sua liberdade, sua independência, suga do irmão de 18 anos que está iniciando a vida agora e o que mais precisa é de referência para ser guiado na vida adulta, de responsabilidade. Vive como um parasita, um carrapato, num lugar onde ninguém mais quer, ou nunca quis.
Quem me abusou não sabe o que é amor, tentou, mas fracassou, pois só o ódio impera em todas as gerações que vieram e findam de ir em sua vida, não sabe a diferença entre comunicação e deboche, não sabe conversar, nem sociabilizar. Quem me abusou, parece que vive o próprio inferno, o problema é que torna a vida de outrem em um inferno igual.
Revelei, como uma lembrança que nunca deveria ser revelada, mas a sujeira debaixo do tapete incomoda demais, aprendi com a minha mãe a nunca viver na sujeira, a sujeira se espalhou, o ventilador ajudou no estrago, esqueci de sair da frente do ventilador, a sujeira caiu em mim também. Mas tudo bem, nada que uma limpeza não resolva, o que eu preciso é saber como limpar tudo isso, como desinfectar essa casa das pragas impregnadas, como limpar meu corpo dessas dores, como fazer todes entender que abuso é um problema, como retirar a merda por toda parede, preciso aprender. Estou procurando respostas e caminhos, isso não pode mais continuar.
A merda foi feita, e tá longe de um simples pedido de perdão, resolver qualquer uma dessas questões, é necessário ação! Já foi, a merda foi jogada no ventilador, espalhou por todo lugar, está fedendo, eu não quero mais ficar embaixo dessa nuvem pesada de tristeza e infelicidade, não quero que minha mãe e meu irmão fiquem embaixo dessa sujeira também, preciso encontrar um jeito de tirar essa merda toda.
Não bastou falar do abuso para minha mãe, eu não sei se ela me escultou, quando falei, a reação dela não foi boa, foi como um inacreditável, não acreditou, sua reação atrás do celular, numa vídeo chamada interestadual, foi chamar a abusadora para em frente a tela, no esmo, sem chegar lá, desliguei pra me proteger, nada se falou desde então, nada, silêncio, o silêncio é conivente. Decidi depois de meses longe da família, longe da mãe, me reaproximar, por que sempre são as vítimas que perdem sua casa? Decidi reivindicar, mas descobri que não sou forte o suficiente, olhar para a cara da sua abusadora, depois de tudo revelado, me mostrou que eu sou frágil e que devo assim, me fortalecer, ser minha própria fortaleza, aprender assim a viver só. Eu não vou naturalizar abuso, o silencio é conivente.
Olhei todos os problemas em volta desse inferno que se foi criado, minha mãe está sendo abusada, meu irmão está sendo abusado, a abusadora está vivendo na esbornia, não tem amigos, não tem felicidade, mas fica em casa materializando as conquistas desses abusos em seu corpo, com dores, gorduras e infelicidade, não há nenhum problema em ser gordo, mas ela me dá nojo, nojo em ver todos os abusos crescerem em seu corpo e a abusadora sair plena, e nada acontecer com ela, nada! Continua no trono, abusando psicologicamente, economicamente e motivacionalmente outrem que moram aqui, como pode deitar sua cabeça a noite e dormir sossegada depois de tantos abusos.
Questiono a abusadora, sobre todos os abusos, como pode ver a mãe trabalhar, ainda no mesmo emprego de anos, sabendo das dificuldades que tem por não ter escolaridade e ver a garra que a mãe tem por ter feito nós chegarmos até lá, nos formar para termos uma vida melhor. Como pode ver a mãe trabalhar, se expor em uma quarentena, com um vírus mortal para seu corpo, que é grupo de risco, como pode não se esforçar para colocar “frutas" na mesa de casa, como pode ficar tão bem vendo que a mãe continua a lutar? Questionei, e fui pega de surpresa, ela não liga, acho que nem me escutou, nesse momento estava tentando, com toda calma, segurando todas as dores que me causou, na tentativa de fazer com que tivesse uma epifania, despertasse desse abuso toda que a cerca, e nada!
Questiono mais uma vez, na tentativa de ver alguma mudança, o que você conquistou em seus 30 anos de vida? Você não paga aluguel e não há nenhum problema em morar com a mãe, mas qual a dificuldade de manter uma casa sem transformar isso em um grande problema, por que desses abusos todos, por que dá manutenção desses abusos todos?
O problema era o pai alcoólatra? Ele saiu. Hoje tá bem, apesar de não procurar mais os filhos para saber se tá bem, mas saiu porque era um problema, gerou um problema enorme que explodiu, ele saiu, ele se casou, posso ver sorriso em seu rosto, vi que sofreu igual, não entendíamos todo sofrimento, não havia cumplicidade, hoje fico feliz que ele está bem, ele saiu.
O problema era eu, a bicha que agora é travesti, a “sodomita”, a perdida? Eu saí. Saí de casa porque a abusadora me humilhava, quando eu mais estava fragilizada, saí em busca de paz pro meu corpo, pra minha mente e pro meu coração, fui pra Salvador, estou lá, é minha casa, cheguei na universidade federal como forma de ascender e mudar a narrativa falida da minha família que sofreu com tantos abusos coloniais e finda sofre com abusos internos, dentro da própria casa, saí do ninho para buscar uma vida melhor, minha ajuda por hora para a minha mãe é não ser mais uma boca para ela sustentar, enquanto eu não conseguir retornar todo apoio que ela me deu.
Mesmo com tudo isso transformado, mudado. Nada mudou, a casa não melhorou, minha mãe continua a trabalhar, a abusadora continua mal humorada, com a cara fechada, penando na infelicidade, reflete nos sobrinhos os problemas agora, fala que o barulho deles é um problema, não consegue ver a felicidade que é uma casa com crianças e a vida que se tem. Acho que ela não gosta de vida. Continua com as mesmas reclamações, enche de placas a casa toda, com frases que não te faz refletir, mas te faz mal, faz isso porque é a única forma de se sentir pertencente e por não saber se comunicar. A infelicidade impera.
Eu estou aqui, mas não queria estar.
Cheguei em dezembro, afim de passar um mês com a mãe, na parceria com o irmão e minha irmã favorita, dus sobrinhes e cunhado, na parceria e consegui, me reestabeleci com todes, acabei ficando mais do que o planejado, continuo aqui e acabo não me sentindo tão bem. Tinha me programado para ter essa conversa só no final da minha estadia, mas acabou acontecendo já, numa tentativa de diálogo para mudar a situação, disse que a atitude dela não estava boa, ela não me escutou, eu disse que ela estava vivendo dos abusos e não estava fazendo bem para nossa família, nada, disse que ela só sabe abusar e que me abusou na infância sexualmente, ela nada disse, ficou me olhando, eu disse que não tinha esquecido, apesar de ter tentado por muito tempo e até pensar que tinha esquecido, me lembrando, na tentativa de ficar bem comigo mesma e na convivência “harmoniosa” com a abusadora, revelei que eu não esqueci e que ela só abusava, não consegue ver quanto abuso você faz? Fazendo mal todes ao seu redor, usando a palavra Deus, como forma de invalidar toda a responsabilidade para os problemas que gera, como pode dizer que segue Deus, sendo que faz tudo ao contrário à sua ideologia, atacando a própria família, vivendo na própria merda a fim de nos aborrecer, como pode viver assim?
Acredito que dores devem ser curadas, procurando os problemas que a geram na tentativa de resolve-las. Acredito que mudanças são necessárias na tentativa de crescermos. Acredito que abusos não podem ser naturalizadas, porque ela fede e ficamos podre com ela dentro de nós, não podemos naturalizar os abusos.
Eu estou aqui e quero continuar.
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Comentários (1)
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Nelson
2020-09-09
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