Escritas

Lista de Poemas

ANUNCIAÇÃO

Olha eu falo, escrevo e descrevo
Da face cansada e esbofeteada
Dos olhos chorosos dum servo
Da língua dobrada, espada afiada. 

Da boca faminta e ranger de dentes
Dos falsos amigos e lisonjeiros
Dos pés ligeiros para os dementes
Dos laços armados aos tocaieiros.

Da paz infinita dia a dia buscada
Da Graça Bendita gratuitamente
Das boas novas tão ignorada
Do eu mortal, ser impenitente.

Dos dias de luz e das trevas
Dos prantos aos olhos cegos
Da noite infinita sem tréguas
Dos horrores na cruz e pregos.
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ORAÇÃO POR AUXÍLIO

Senhor meu Deus! Lembra-te de mim quando eu a ti clamar. Não escondas o teu rosto e inclina os teus ouvidos e ouve-me, pois sou totalmente necessitado do teu auxílio e favor. Sabes Senhor que não sou merecedor, por ser tão miserável pecador e somente vivo pela tua misericórdia. Aflições desta vida me cercaram por causa da imprudência do meu coração, e ando abatido porque não me pode socorrer o homem. O Senhor que tem o Altíssimo como a tua habitação, que contempla e vê todas as coisas. Me vê a mim Senhor, e apaga as minhas transgressões, perdoa os meus pecados que são conhecidos de ti todos os dias, lava a minha alma e com o teu Espírito Santo me ensina a cada dia a verdade e a justiça. Quando eu a Ti clamar não rejeites a minha oração, que ela alcance os teus ouvidos e seja atendida. Senhor transforma o meu pranto em júbilo, e o que posso dar-Te é adoração à tua Santidade, quando os meus fracos membros se curvarem e eu me prostrar e a minha língua confessar toda a Tua majestade, poder e glória para todo o sempre pela intercessão do Vosso filho amado Jesus Cristo que vive e reina eternamente. Amém!
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ENCOMENDADO

Virando na rua dez na esquina, encontrará uma menina, ela te espera e te levará ao destino que procura, ela estará vestida com um vestido longo, preto e sujo. Ela tem a pele encardida pelo tempo, te parecerá mais velha, mas ainda é jovem, tem os cabelos longos e negros e os olhos como bolas de fogo. Não a pergunte nada, apenas a siga. Ela estará te fazendo um favor, então não a fique observando demais, nem olhe muito diretamente nos olhos dela, ela não te oferecerá nenhum sorriso, como te disse, apenas a siga. Ainda, não se assuste se porventura algumas coisas estranhas se manifestarem, do tipo não queira nem saber. Contudo você não tem escolhas, apenas ela pode te levar ao teu enfadonho destino. Não temas, não se distancie dela, será inseguro, mas ela não te oferecerá a mão, então saiba se portar para que não a perca e se perca pelo caminho o qual nunca mais encontrará, pois o seu destino ainda é melhor do que perder a direção e o seu guia.
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DEIXE-ME IR

Não posso mais suportar, não há tréguas, passe a régua e deixe o caldo entornar. Não há mais vivência neste lar. Está tudo acabado o amor foi derrotado já não nos resta lastimar. Ó ingratidão quem te convidou? Como pôde ser capaz de se manter em cartaz? Saiba que o amor por ti recuou. E assim foi passando o tempo e você não deu conta de todos os eventos que tiram e roubam a paz, ferro com ferro se açula e o convívio macula não voltando atrás. Mais uma vez acreditei, outra vez me enganei sem pensar, escolhi uma porta que me levou a uma derrota sem par. Agora ando aborrecido, somente Deus ouve o meu gemido quando me ponho a orar. Faltou-me com o respeito e já não vejo mais jeito de o tempo prolongar, feriu o meu coração causando um desgosto profundo, lançou em meu rosto palavras próprias para um vagabundo. Abriu-me os olhos, então vi tudo o que havia ignorado, tudo perdeu o sentido e para mim está muito mais que encerrado, toda paciência e tolerância não foram suficientes para conter a sua ignorância. Preciso ir, quero deixar bem claro, não me incomode, é um desejo raro, com muita sinceridade te digo que acabou, busco a eternidade, não consertar com a bondade resquícios do que não frutificou.
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EU ATLETA

Que maravilhoso é sentir os raios do sol de manhã em todo o corpo, absorver a energia pura e natural, ouvindo o canto dos pássaros: canários, sabiás, sofrês, papa-arrozes, melros, quando se está a correr pelas estradas de chão, pelos bosques nas trilhas. Desprendendo a energia do corpo, sentido o suor escorrendo pelo rosto, a cada passada e a cada esforço a sensação de querer ir cada vez mais longe, de ser incansável e inquebrável, que pena que apenas em nossa mente sustentamos isto, mas a vontade, o desejo de cumprir com o objetivo nos fazem mais fortes, nos impulsionam e nos fazem sentir grandes atletas. Assim encaramos com alegria o desafio proposto geralmente por nós mesmos e sentimos que somos capazes de irmos além, de superarmos os nossos próprios limites, e ficamos surpresos com as nossas capacidades quando atingimos certos patamares que imaginávamos nunca sermos capazes. Mas o mais interessante é termos a capacidade de fazermos por prazer, e sentirmos a liberdade assim como os pássaros e o sol o fazem naturalmente cantando, iluminando e irradiando, a gente faz correndo usufruindo desse espetáculo da natureza que é revigorante.
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DESVENTURAS NO AMOR

Sem músicas, folguedo e alegria,
Sem largos sorrisos no meu rosto,
Nem companhia em mais um dia,
Na solidão e no desgosto.

Sem a presença dos filhos,
Sem o amor de quem quer que seja,
Sem armas para apertar os gatilhos,
Nem a paz que muito se almeja.

Assim se vai a vida como a erva,
Assim se secam as flores,
Se ninguém mais me preserva,
Sou mais afligido pelas dores.

Quantas coisas belas aos olhos,
Mas tudo sem graça ao coração,
Como a alma presa em ferrolhos,
E o paladar insípido na refeição.

É a minha malograda sorte,
Buscando no amor satisfação,
Desiludido só Deus me conforte,
Antes que a morte seja meu chão.
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LÁ FORA

Lá fora há rumores de que tudo vai mal, lá fora há fugitivos de tremendo vendaval. Lá fora te esperam os lobos, os filhotes de leões, a injustiça que não cessa apoiada em podres bordões. Lá fora o campo é aberto e é do esperto o arquiteto pelas predileções, que enganam o certo e faz do correto abominações. Lá fora se uiva e muito se encurva sem possessão, oprimindo o justo a todo custo para alimentar o ladrão. Lá fora a desunião colabora com a corrupção, se varre a sujeira para debaixo do tapete, e quando estoura na boca do povo se transforma em canção. Lá fora as cobras chocam ovos que nascem filhotes de escorpião, o veneno é dobrado e quando se é picado não há salvação. Lá fora há mãos frouxas, e há outras que prendem com fortes grilhões, há poderes que usam canhões e pela força cultivam trouxas. Lá fora muito se engorda o olho da ganância, e há muita discrepância na partilha do pão, uma boca come muito e muitas bocas comem não.
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BÁLSAMO PARA MINHA DOR

Quando Jesus me estendeu a sua mão e me mostrou o caminho da salvação, me alcançou a misericórdia do meu Deus, não sendo eu merecedor por ser tão mísero pecador estando distante dos caminhos seus. Quando Jesus foi revelado para mim, eu estava sedento, abatido e atribulado, sem direção carregando o fardo pesado do pecado, escravizado por outra mão. O Senhor me libertou, me concedeu o dom da fé, encheu o meu coração de paz e me mostrou como Ele é: piedoso, justo e longânimo, cheio de amor, amigo fiel e verdadeiro, o bálsamo para a minha dor.
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QUANDO SE PERDE A RAZÃO

O meu coração dói por uma dor que corrói, necessito de algum lugar agora antes que eu vá embora, onde eu possa estar só para eu poder chorar e desafogar esta dor, e desfazer da minha garganta este apertado nó. Dor repentina por causa de umas palavras malditas que já estavam virando rotina. Preciso chorar, quem dera pudesse me transportar para bem longe agora mesmo, não ouvisse mais a tua voz a esmo, nem visse nunca mais o teu irado e indignado rosto. Assim eu encontraria a paz que eu almejo. Um beijo e um abraço, já não sei o que eu faço com tanto cansaço por não querer mais. Já foi mais um dia e aperta a agonia dos que ainda virão, não sei se suporto se me turbo ou se derroto tamanha aflição. Aos ouvidos palavras como um gotejar contínuo, está frio, sombrio, trancado o meu coração para não se sujeitar a um sentimento ambíguo.


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MISÉRIA, MISÉRIA

Ao som de melodias encantadas,
À luz do sol irradiada, caminha,
Sem alparcas, mãos calejadas,
Sedento pela estrada, se definha.

Sem pão, sem o apoio de uma mão,
Vazio no âmago, olhos lacrimejantes,
Numa vida dura, amargura e solidão,
Cruel destino no sertão dos viandantes.

Para aonde ir e da fome fugir ao certo,
Sem nome a Deus argui por inocência,
Se a sorte se constitui longo deserto,
E sem culpa padece sem clemência.

Sentir a morte é um aporte de força,
No limiar dum corte que sangra a vida,
Num dilema incompreensível se esforça,
Na miséria enfadonha dia a dia vivida.

São os açoites, aos olhos dos mundos,
Abutres, hienas, coiotes em inanição,
Aves de rapina, carniceiros imundos,
Carnes humanas em decomposição.

São predadores homens desnaturais,
Que alimentam as feras da ganância,
Nas esferas das pobrezas naturais,
Se engodando a alma na abastança.
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Comentários (3)

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parabéns
parabéns
2024-11-11

amei parabéns

Bárbara Pinardi
Bárbara Pinardi
2022-09-20

Olá, Erimar. Tudo bem? Gostaria de pedir autorização para usar o seu poema https://www.escritas.org/pt/n/t/119320/o-sabio-homem-e-o-grande-rio

lagazaz
lagazaz
2020-09-12

Belo poema