Escritas

Lista de Poemas

Peleja com a saudade

Quase insuportável

Hoje ela esta

Tenta devora-me

Arrisca devorar-se

Ajeita-se

Enfeita-se

E me chama pra peleja.

Ah, como é bom confronta-la!

Fazer pilera

De suas mazelas.

E nessa luta

De rusga tão muda

Seu grito em mim é infinito.

Ah, esta saudade enfim!

Gosta de se manter assim

Intensa e sádica

Aflorando ate na hora

Que teus braços embrulham-se emmim.

Ah, saudade deixa de munganga,

E vai embora daqui.

Enide Santos 03/12/14
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Retrato de mamãe

Uma lata ela abria

Retirando toda a tampa

Tão doce parecia

O seu belo semblante.

Criança, eu não entendia.

Que mamãe criara poesia

Cantarolava e a lata abria

Com carinho o vaso surgia.

Sobre a mesa a lata estava

Abarrotada de flor

Toalha de chita

Combinando com louvor

E com um terno sorriso

A casa mamãe enfeitou

E da minha infância, te digo...

Só recordo com amor.

Enide Santos 04/12/14

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Agora dói

Agora dói acordar.
A razão pra me vivificar
Já não posso mais alcançar.

Abandono-me ás recordações.
Descuido-me das emoções
Penetro-me em pensamentos.

Agora dói respirar.
O ar que me visita,
Agora sai, como que pra te buscar.

Soluços, lágrimas, gemidos,
nada consome a dor
que me impõe este castigo.

Agora dói continuar.
É mesmo uma penitencia
Enide Santos 22/06/14

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Livre arbítrio

Como posso ser o que nunca fui?

Descrever o que sentir, sem ser?

Queria eu ser a sensação

Da folha ao tocar no chão.

Também queria ser o chão

E dar-lhe majestosa recepção.

O som do trovão queria eu ser

E ecoar mostrando poder

E da noite ser a mão

Para a aurora dar proteção.

Tantas e tantas coisas queria eu ser.

Ser o silencio que só no ventre do vento há.

A distância que cada gota na chuva se dá.

Ser o burburinho na vida do ar.

Querendo ser sou.

Sou a musica que invento

E digo que quem gosta é o tempo.

Sou a sede da aurora

E para ela domo minha história.

Sou a morte do grito

O fim de seu rito

Sou a fome a sede da vida

Sou o punho cerrado

Do livre arbítrio.

Eu sou um mito.

Sou poeta

E querendo ser

Eu sou.

Enide Santos 22/11/14

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Chove por mim os teus olhos

Chove por mim os teus olhos

Abusando do instante que te dou

Retrata o teu espírito

E com ele todo teu amor

Delineando tua face

Expõe-se a gota da dor

Entoando com arte

Reverencia-se ao observador.

O cheiro do teu sentimento

Exibe-se todo enfim

E o gosto de teu pensamento

Impregna-se em mim.

Chove pôr mim os teus olhos

Furtando-me o mundo em que estou

Deixa-me repleto da culpa

Pôr por ti não ter amor.

Enide Santos 21/10/14

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Epístola- 19

Fragmentos de mim

Regressando do amor...

Uma bagagem pesada repleta de dores e de saudades, farto de emoçõese ilusões.

Dormi tantos dias com teu amor aquietado ao meu coração.

E em tantos outros quando acordava, sorria, sabia que era por vocêque aflorava a minha paixão, e ao me deparar com o dia em que todas suas horasestão vagas de ti.

Ah! Meu Deus talvez fosse mais fácil apenas dormir e dormir.

Agora a noite repousa em meu peito, dosa de instantes vagos osmeus sonhos.

Resta-me acolher as dores das lembranças e das saudades que hão deperdurar sem pedir licença.Tenho agora a sensação do nada e poder do tudo aomeu dispor.

Mas estou frágil demais até mesmo para chorar porque sinto pesarpor você não ver as minhas lágrimas, por não presenciar toda intensidade do queelas realmente significam, a elas não são dadas o devido valor. (Parece que omar verte de mim).

Tenho que arrancar as raízes que estão presas a minha alma, sem tero direito de fraquejar, e tenho a obrigação de aceitar que você simplesmente sevá.

Está intacto em mim o amor.

E nada mais sou agora que um vândalo exterminador.

Eu era amor e paixão

Agora sou aniquilação.

Recolho-me ao silêncio que se faz em mim.

E por todas as outras forças da natureza permaneço.

Hoje quando acordo ainda me vejo, ainda sou eu sem ti

Sou eu com todas as outras coisas do mundo que não substituemvocê.

Mas sou eu com todas as outras coisas regressando do amor.

Enide Santos 21/09/14

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Adoeceu a noite


Adoeceu a noite

preocupada a madrugada

recusa-se a se ir

prostra-se ao leito

e as trevas tenta persuadir

Assobiando uma cantiga

quer o amanhecer adormecer

leve, lenta e nua

sopra a alvorada

seu clamor em formosura.

Denotando soberba

rabisca o céu o alvorecer

de sua paleta extrai a cura

que sana o anoitecer.

Enide Santos 19/09/14

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Qual a melhor cor?

Qual a melhor cor,

Para hoje, vestir a minha alma?

Qual o melhor tom,

Para que possa traduzir a minha talha?

De onde posso extrair a melhor impressão

para fundi-la à minha paixão?

Que aparência deve ter,

O exímio momento quando penso em você?

Como colorir,

Cada emoção?

Como matizar,

Cada sensação?

Que coloração deve alcançar,

O contentamento de poder te amar?

Que tonalidade tiro de mim,

Quando tudo que almejo emana de ti?

Como maquilar minh’alma,

no exato tom

Que somente a ti retrate?

Enide Santos 19/09/14

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Nos jardins da saudade

Nos jardins da saudade

Colho pequenas flores de morte

Pequenos ramos de sorte

Por meio das folhas sagradas do amor

Entendo que sou eu, o lavrador.

Aqui, os ventos sãoplantados no chão,

Coloridos e assobiam uma canção.

São as flores do sol que exalam

O mais tênue perfume

E os brotos de noite

Lagrimam ritmos da primavera.

A classe dos sonhos

Embalam toda a atmosfera

Nos jardins da saudade

As ruas são feitas de pó

Tem veredas de dar dó

E a flor do mundo

Move-se em segredo

Recriando segundos

Com seus pequeninos dedos.

Aqui nos jardins da saudade

Há flores de todas as estações

Feitas de sombras e de ilusões

Bebem-se pequenos goles de felicidade

E fica-se longe da flor da realidade.

Enide Santos 02/09/14

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Alva, alva com o vermelho a lhe escorrer


Alva, alva com o vermelho a lhe escorre,

Pede socorro,

Á aqueles que amam viver.

E no bico carrega

A fonte verde, o renascer.

E em suas entranhas habitam

O equilíbrio, o saber.

Vem de seu coração

Nobre som

Valsa infinda

Ritmo da vida

Escore-lhes pelos pés

A luz do alvorecer

E de seus olhos emanam

O sonho de cada ser.

Alva, alva com o vermelho a lhe escorrer.

Anseia por ajuda

Para restaurar seu poder.

Alva, alva é assim que tem que ser.

Enide Santos 16/08/14

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