Escritas

Lista de Poemas

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Minha alma.

Minha alma

Irmã da tua, voa indiferente, agora, 

Vendo, alva, a lua.

 

Pequena parte daquela 

Que também é parte dela.

 

Caminha, então 

Na sua rua...

De mãos dadas com a sua. 

Errantes, estrelas brilhantes, 

 

Mas, aos teus olhos, os meus

Parecerão tristes ao luar

Pois a poesia dispensa os fatos, 

Os atos, contratos...

 

E, entre a fantasia do teria sido.

E do que parecerá ter havido, 

Optamos irrevogáveis, por sonhar....

 

Mas, meu coração é leve

E quando vier o adeus

Voará, 

E ao lado do teu, mansamente, pousará.
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Prevalência Transitória

A vida prevalece à morte,

Sendo a primeira transitória e 

A segunda definitiva.

 
O mal prevalece ao bem,

Sendo o primeiro transitório e contínuo,

O segundo definitivamente divino.

 
O forte supostamente prevalece ao fraco

Sendo o primeiro transitório exercício e 

O segundo perpétuo, severo e doloroso ofício.


O flexível prevalece ao rígido

Sendo o primeiro dócil e submisso,

O segundo permanentemente quebradiço.


Extraordinário!

De forma definitiva prevalece o transitório.

 

 

Este poema ficou colocado em quarto lugar no Concurso Nacional Novos Poetas - 2015
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Tuas Magias

Eu contava histórias tão longas

desenhando mundos mágicos

sobre paredes enceradas.

Atentas, ouvias

sobre esqueletos barulhentos

de ossos luzidios,

se atracando nos precipícios.

Tu imaginavas

noite brancas e negras,

de luas magras.

Assustada, escondias

e por seu puro prazer

surgias.

Nestes mundos mágicos, 

desconhecidos pelos não introduzidos,

ao próprio desconhecido, sempre,

trazem os visitantes errantes, barulhentos. 

Força dos ventos...

Inquietantes ventos...

Que brincam com as luas magras.

ela, sabiamente, escondia e 

desaparecia, como se mágica fosse.

E, quando do nada tu emergias,

deixava as estrelas atônitas, 

sem saberem

se terra tinha virado céu.

Ou se eram simples coadjuvantes

naquele cenário de contos

repletos de divindades e segredos.

E tu, no toque da cartola,

no descerrar das cortinas,

outra vez, sumias...

Neste ínfimo e laminar espaço,

em que habitam  sábios , magos, 

e naturalmente tu, com tuas magias.

Presenteava-nos deixando desenhado

o céu estrelado, onde despontava

a estrela que naquele instante se tornaras.

E nós sentados na beira da estrada, 

maravilhados e abismados,

calados, contemplávamos infinita pureza

de sua imensa riqueza.
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Ser

Este vago, vazio ser

É meu único companheiro.

Vejo agora no espelho

Deste meu lado de ver.

 

Vejo um rosto inaceitável

Que nunca queria ter.

 

Do seu lado de imagem

Deve me ver sem coragem,

Que deste meu lado, miragem,

Julgo ter.
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