Escritas

Tuas Magias

eduardochiarini
Eu contava histórias tão longas

desenhando mundos mágicos

sobre paredes enceradas.

Atentas, ouvias

sobre esqueletos barulhentos

de ossos luzidios,

se atracando nos precipícios.

Tu imaginavas

noite brancas e negras,

de luas magras.

Assustada, escondias

e por seu puro prazer

surgias.

Nestes mundos mágicos, 

desconhecidos pelos não introduzidos,

ao próprio desconhecido, sempre,

trazem os visitantes errantes, barulhentos. 

Força dos ventos...

Inquietantes ventos...

Que brincam com as luas magras.

ela, sabiamente, escondia e 

desaparecia, como se mágica fosse.

E, quando do nada tu emergias,

deixava as estrelas atônitas, 

sem saberem

se terra tinha virado céu.

Ou se eram simples coadjuvantes

naquele cenário de contos

repletos de divindades e segredos.

E tu, no toque da cartola,

no descerrar das cortinas,

outra vez, sumias...

Neste ínfimo e laminar espaço,

em que habitam  sábios , magos, 

e naturalmente tu, com tuas magias.

Presenteava-nos deixando desenhado

o céu estrelado, onde despontava

a estrela que naquele instante se tornaras.

E nós sentados na beira da estrada, 

maravilhados e abismados,

calados, contemplávamos infinita pureza

de sua imensa riqueza.