Lista de Poemas
Uma Batida Fora do Compasso
Ela quebra a inércia
De qualquer certeza
Que eu tenha sustentado.
Revive a controvérsia
De quem vê beleza
No coração atormentado.
A íris acastanhada
Dos olhos celestiais
Invadindo o universo.
Colorindo a morada,
Consoantes e vogais
Das estrelas e do verso.
Esse éter do espaço
Negro, como seus lábios,
Preenche a noite e a aurora.
Sou feito de um estilhaço
Seu, mesmo que o tempo
Nos separe para outra hora.
De qualquer certeza
Que eu tenha sustentado.
Revive a controvérsia
De quem vê beleza
No coração atormentado.
A íris acastanhada
Dos olhos celestiais
Invadindo o universo.
Colorindo a morada,
Consoantes e vogais
Das estrelas e do verso.
Esse éter do espaço
Negro, como seus lábios,
Preenche a noite e a aurora.
Sou feito de um estilhaço
Seu, mesmo que o tempo
Nos separe para outra hora.
👁️ 449
Um Pouco Livre
Em quais cachos
eu sentiria o perfume
da flor e dos riachos
se expandindo, em volume,
nesse indeciso coração?
Em quais lábios
eu encontraria o ébano
desconhecido pelos sábios
e, ainda assim, humano
como tudo que é profano?
Eu não tenho planos
e me alimento de incertezas;
estou repleto de enganos,
pois conheço as fraquezas
suspensas em mim.
eu sentiria o perfume
da flor e dos riachos
se expandindo, em volume,
nesse indeciso coração?
Em quais lábios
eu encontraria o ébano
desconhecido pelos sábios
e, ainda assim, humano
como tudo que é profano?
Eu não tenho planos
e me alimento de incertezas;
estou repleto de enganos,
pois conheço as fraquezas
suspensas em mim.
👁️ 463
A Abnegação
Não persiga o exemplo
da vida acabada
sem perdão no templo
ou reza pautada.
Ouça-me, alma atenta:
transforme conflitos
em lendas e mitos
de alguém que passou
por uma tormenta.
Os olhos bonitos
fagulham, estritos,
no brilho da noite
de lua sangrenta.
O brilho se esvai
e os olhos também,
o ensejo contrai
o que não se obtém.
Sinta, corpo atento:
toda a ira expansiva
da vontade arguida
em prol da lasciva
multidão colérica.
Estórias homéricas
criadas na mente
como um acidente
que assumo e contemplo.
Não persiga o exemplo
da vida acabada
que procura a entrada
nos fundos do templo.
da vida acabada
sem perdão no templo
ou reza pautada.
Ouça-me, alma atenta:
transforme conflitos
em lendas e mitos
de alguém que passou
por uma tormenta.
Os olhos bonitos
fagulham, estritos,
no brilho da noite
de lua sangrenta.
O brilho se esvai
e os olhos também,
o ensejo contrai
o que não se obtém.
Sinta, corpo atento:
toda a ira expansiva
da vontade arguida
em prol da lasciva
multidão colérica.
Estórias homéricas
criadas na mente
como um acidente
que assumo e contemplo.
Não persiga o exemplo
da vida acabada
que procura a entrada
nos fundos do templo.
👁️ 404
A Morte De Um Conhecido
Quando um amigo morre
vou deixando eu de viver,
primeiro morrem os lábios,
depois morre o sentido,
em seguída o horário
e o modo que desatino:
sorrindo, sem perceber
a terra em meu corpo.
Quando um amigo morre
morre também os meus ouvidos,
a multidão é silente
e a palvra mais doce
torna-se tão intransigente
para o peito que derrete
e aos poucos se solidifica
num sofrimento duradouro.
Quando um amigo morre
entristeço entre piadas,
sorrisos e curtas risadas
de quem não sabe lidar
com sentimento algum.
Quando um conhecido morre
é que tento não penar
e em vão lastimar
uma amizade quântica
que foi e não foi,
como eu,
como nós,
enterrados no mesmo solo;
tu com o corpo
e eu com a alma.
👁️ 385
A Posterioridade
Tédio de quem vive
em prol do futuro
(que não sobrevive
às farpas do muro),
barreira do agora
e memorabilia
de quem comemora
mas não se auxilia.
Viver outra vida
sem que essa se acabe
é a angustia da ida
de quem vai e não sabe
se remediar;
rasgando o presente
e vendo, dormente,
o futuro vingar.
em prol do futuro
(que não sobrevive
às farpas do muro),
barreira do agora
e memorabilia
de quem comemora
mas não se auxilia.
Viver outra vida
sem que essa se acabe
é a angustia da ida
de quem vai e não sabe
se remediar;
rasgando o presente
e vendo, dormente,
o futuro vingar.
👁️ 319
Uma Boa Risada
Uma boa risada
e rostos enrugados,
músculos relaxados
contraídos pelo tempo
impiedoso, ato doloso
manifestado pelo gozo
de quem vê necessidade
e não lembra de ninguém
👁️ 284
Conselheiros da Meia-Noite
Os olhos semicerrados
Refletem a noite calma
No breu que se espalma
Sobre os lábios vedados.
A festa é tão maçante
Que um misero instante
Desvia-se para o infinito.
A ressaca e o sono
Discutem pelo corredor:
Decidindo o vencedor,
Herdeiro do abandono.
A noite é tão clara
Quanto a penumbra, rara,
Ante o desconforto incessante.
Refletem a noite calma
No breu que se espalma
Sobre os lábios vedados.
A festa é tão maçante
Que um misero instante
Desvia-se para o infinito.
A ressaca e o sono
Discutem pelo corredor:
Decidindo o vencedor,
Herdeiro do abandono.
A noite é tão clara
Quanto a penumbra, rara,
Ante o desconforto incessante.
👁️ 277
Nós e as Sombras
Escondo-me em conceitos
de teorias não comprovadas
cujo os maiores defeitos
não estão nas provas falseadas,
mas nos laços desfeitos
entre eu e as sombras.
A realidade se esgueira
sem realmente abandonar
o tempo que está na beira
do relógio e do altar,
cruzando a fronteira
do ponteiro às sombras.
Nenhuma crença evita
aquilo que nos espera,
com alma calma ou aflita
o passado não considera
a vontade explicita
de retornar às sombras.
de teorias não comprovadas
cujo os maiores defeitos
não estão nas provas falseadas,
mas nos laços desfeitos
entre eu e as sombras.
A realidade se esgueira
sem realmente abandonar
o tempo que está na beira
do relógio e do altar,
cruzando a fronteira
do ponteiro às sombras.
Nenhuma crença evita
aquilo que nos espera,
com alma calma ou aflita
o passado não considera
a vontade explicita
de retornar às sombras.
👁️ 250
Monodiário: 16/05/2021
Hoje foi um dia atípico.
Despertei com o som da morte
sem esperar que outra viria
no caos da diafonia
dos sujeitos de pouca sorte.
E o mundo me encara, silente.
Esperando algum movimento
ou algo que pulse aqui dentro:
eu me questiono novamente.
Eu ouvi uma boa notícia.
Meu planejamento arruinado
e o devaneio melancólico
sobre um suicídio simbólico,
para abrir o que está trancado.
Uma carta que não escrevi
foi queimada em meu pensamento.
Digo adeus ao velho unguento
da esperança que prescindi.
O tempo não passou e ainda é dia.
Todos foram dormir, eu não.
Respiro as cinzas e a fumaça
enquanto a fuligem me abraça
no crematório da ilusão.
O mundo me encara, agitado.
O que fará com sua vida
agora que não há saída?
como houvesse alguma opção.
Despertei com o som da morte
sem esperar que outra viria
no caos da diafonia
dos sujeitos de pouca sorte.
E o mundo me encara, silente.
Esperando algum movimento
ou algo que pulse aqui dentro:
eu me questiono novamente.
Eu ouvi uma boa notícia.
Meu planejamento arruinado
e o devaneio melancólico
sobre um suicídio simbólico,
para abrir o que está trancado.
Uma carta que não escrevi
foi queimada em meu pensamento.
Digo adeus ao velho unguento
da esperança que prescindi.
O tempo não passou e ainda é dia.
Todos foram dormir, eu não.
Respiro as cinzas e a fumaça
enquanto a fuligem me abraça
no crematório da ilusão.
O mundo me encara, agitado.
O que fará com sua vida
agora que não há saída?
como houvesse alguma opção.
👁️ 267
Valor
Tudo que eu pensei
E relutei em realizar
Surgem como sombras
Que irão me assombrar
Até que o tempo cesse
Nos lábios não beijados
Nas palavras não ditas
E na dor do pecado
de lembrar sem limitar
sua forma irrestrita.
E relutei em realizar
Surgem como sombras
Que irão me assombrar
Até que o tempo cesse
Nos lábios não beijados
Nas palavras não ditas
E na dor do pecado
de lembrar sem limitar
sua forma irrestrita.
👁️ 249
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Reside em Curitiba, no Paraná. Apaixonado por música e poesia.
Escritor de diversos poemas e textos que focam na expressão do sentimento humano,
prioriza a sinceridade em cada verso, sendo um grande fã de Vinicius de Moraes, Fernando Pessoa, Edgar Allan Poe e Carlos Drummond de Andrade.
Interessando pela filosofia e pelas correntes de pensamento céticas, niilistas, existencialistas e clássicas (greco-romana e iluminista); entusiasta das crônicas e um realista que persegue o romantismo inalcançável, ainda que sublime.
Para mais conteúdos: https://www.wattpad.com/user/EduardoBecherBern
Escritor de diversos poemas e textos que focam na expressão do sentimento humano,
prioriza a sinceridade em cada verso, sendo um grande fã de Vinicius de Moraes, Fernando Pessoa, Edgar Allan Poe e Carlos Drummond de Andrade.
Interessando pela filosofia e pelas correntes de pensamento céticas, niilistas, existencialistas e clássicas (greco-romana e iluminista); entusiasta das crônicas e um realista que persegue o romantismo inalcançável, ainda que sublime.
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