Biografia
Arrisquei alguns poemas
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Total de poemas: 7
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o louco

o louco
aquele homem andava a esmo
tal qual defunto sem cova
procurando por ele mesmo
procurando uma boa nova
tinha um andar titubeante
dos que vivem n’outra esfera
e no seu pensar destoante
já nem sabia quem era
por isso às vezes sorria
mas quase sempre chorava
pois pensava que sabia
mas quase nunca pensava
de tanto vagar pela vida
sentiu que a vida vagava
sentiu que a vida vagava
todo dia era partida
mas nada nunca chegava
tão louco, que às vezes morria
e mais louco ainda, ressuscitava
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e por falar em loucura...

...há o louco
da própria loucura
que enlouqueceu
na rigidez da estrutura
e que se perdeu
na razão da procura
e que se consumiu
na face escura
e há o louco
da sóbria lucidez
que se fez
no perfil da rigidez
que sempre achou
a loucura insensatez
mas de tão sensato
louco se fez
e eu observo
a loucura crescer
apenas preservo
meu jeito e ser
um grito contido
que é meu viver
um louco varrido
ou quem sabe a varrer
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godiva

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covarde

homens sem paz e sem futuro
legam aos filhos o escuro
não enxergam a claridade.
sei que não é possível ver a luz
pois esta vida só conduz
à loucura e à insanidade.
sei que há o poder e sua tara
que só enxerga a própria cara
faz da mentira sua verdade.
eu não lutei na minha hora
não me arrisquei, fiquei de fora
na ilusão da liberdade.
hoje estou preso atrás do muro
e entre as grades me torturo
mas mereço, fui covarde.
eg
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deixa estar


trago no peito o aço estampado
a brasa que arde dos sonhos desfeitos
tenho virtudes de ares roubados
tenho pecados e muitos defeitos
rodei caminhos por rotas estranhas
quebrei os espinhos, feri as entranhas
vivi dos amores, senti os prazeres
guardei meus temores, criei meus poderes
a vida me deu o que pôde me dar
o resto eu peguei como pude pegar
o céu ficou longe, não posso chegar
o inferno é aqui mesmo, então deixa estar
EG
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fases

a vida
tem fases distintas
iguais às fases da lua.
que, quando nova se esconde
pra revelar-se crescente
resplandecer-se na cheia
e minguar na agonia
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sono dos justos

quisera eu
ter o sono dos justos
sem culpas, sem sustos
dormir e sonhar
quisera eu
engrenar esperanças
e como as crianças
aprender a andar
quisera eu
voltar no tempo e espaço
voltar no tempo e espaço
esquecer meu cansaço
e aprender a amar
quisera eu
não ser mais poeta
não ser mais poeta
andar numa reta
e não mais divagar
eg
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